Tecnologia na saúde
Teste criado por brasileiros pode revolucionar tratamento de esclerose múltipla
A tecnologia prevê se determinado paciente irá reagir bem ao natalizumabe, um dos remédios mais comuns em tratamentos contra a doença
Saúde | 17 de Fevereiro de 2026 as 14h 30min
Fonte: Galileu

Ainda em fase de desenvolvimento, uma pesquisa coordenada pela Fiocruz pode ser decisiva no tratamento de pacientes com esclerose múltipla. A tecnologia consegue prever se uma pessoa responderá bem ao medicamento natalizumabe, que é um dos tratamentos mais comuns contra a doença.
O teste é simples, feito em laboratório com uma amostra de sangue. Através dele é possível analisar a reação de células de defesa do paciente quando expostas ao medicamento.
O estudo já chamou a atenção da comunidade científica internacional e foi publicado na revista Nature Communications. Também estão envolvidos pesquisadores Universidade de São Paulo (USP), do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto de Doenças Infecciosas e Inflamatórias (INFINITy), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Medicina da França (Inserm).
“Cerca de 35% dos pacientes não respondem plenamente ao natalizumabe e ainda ficam expostos a riscos e efeitos colaterais. Então começamos a nos perguntar se seria possível entender melhor o efeito do anticorpo nas células e usar isso para prever, antes da terapia, quem realmente vai se beneficiar do medicamento”, explica Beatriz Chaves, coautora do estudo.
O teste visa trazer uma série de benefícios aos pacientes. “Poder prever quem vai se beneficiar ou não do tratamento evita a exposição desnecessária a riscos de outros medicamentos, reduz custos e antecipa a troca para terapias mais eficazes, melhorando o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes”, diz Vinicius Cotta, que também assina a pesquisa.
O estudo já passou por algumas fases dentro e fora do país. Na França, o INFINITy conduziu a microscopia de alto conteúdo e o processamento de amostras de pacientes tratados com natalizumabe. Depois disso, a USP e o Hospital Israelita Albert Einstein desenvolveram e aplicaram modelos de aprendizado de máquina para aprimorar o teste. Os próximos passos são estudos pré-clínicos e clínicos.
“Embora ainda não exista um kit clínico pronto para uso em hospitais, o método já funciona integralmente no laboratório. A expectativa é que, nos próximos anos, o procedimento seja simplificado e validado em diferentes populações de pacientes e que possa ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) até 2035”, informa o comunicado da Fiocruz sobre o tema.
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