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Segundo pesquisa

Nova vacina contra câncer de pulmão apresenta resultados encorajadores

Uma nova vacina, chamada de Tedopi, apresentou redução de 41% no risco de morte

Saúde | 17 de Setembro de 2023 as 20h 53min
Fonte: CNN Brasil

Foto: Agência Brasil

Uma pesquisa publicada na revista científica Anais da Oncologia revelou resultados promissores para pessoas que sofrem de câncer de pulmão.

Uma nova vacina, chamada de Tedopi, apresentou redução de 41% no risco de morte no prazo de um ano em participantes que tomaram doses do medicamento, em comparação com pacientes que fazem quimioterapia.

Os resultados foram verificados em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas — a forma mais comum da doença, geralmente causada pelo cigarro —, em estado de metástase, quando o tumor já se espalhou além do local onde começou.

Além de parecer eficaz, o estudo também sugere que a Tedopi provoca menos efeitos colaterais, verificados em 11% dos participantes, contra 35% dos pacientes submetidos à quimioterapia.

O medicamento foi desenvolvido pela Ose Imunotherapeutics, startup francesa com sede em Nantes, no Oeste da França.

No comunicado divulgado, a empresa ressalta que o estudo publicado na revista científica destaca que se trata de uma “vacina pronta para o uso” contra o câncer.

A empresa ainda menciona que, além da redução no risco de morte, a vacina também permitiu aos pacientes melhorar sua qualidade de vida.

O professor Benjamin Besse diretor de pesquisa clínica do centro de combate ao câncer Gustave Roussy e principal investigador do ensaio clínico, afirma que a Tedopi é a primeira
vacina contra o câncer a mostrar resultados positivos na sobrevivência em um estudo de fase 3, a última fase de estudo antes da obtenção do registro sanitário.

“A avaliação contínua da Tedopi® é totalmente justificada como tratamento de segunda linha do CPNPC [câncer de células não pequenas] avançado ou metastático, a fim de poder oferecer esta vacina contra o câncer para pacientes difíceis de tratar, cujas necessidades médicas são urgentes”, afirmou Besse no comunicado divulgado pela Ose Imunotherapeutics.

 

Como funciona?

A Tedopi é um medicamento para tratar e não para prevenir o câncer.

O princípio é o mesmo da boa e velha vacinação: a vacina é feita com proteínas parecidas com as dos tumores. Isso estimula os linfócitos T, as células de defesa do corpo, que passam a reconhecer as células cancerígenas e eliminá-las.

Apesar dos resultados promissores, os responsáveis ressaltam que são necessárias várias aplicações durante o tratamento. E lembram que o medicamento surtiu efeito em um grupo muito específico do estudo: pacientes que já tinham passado por imunoterapia há pelo menos três meses.

A imunoterapia é um tratamento endovenoso que estimula o sistema de defesa do corpo a atacar as células do câncer.

Dois fatores foram essenciais para chegar à nova vacina, segundo os responsáveis: o primeiro foi a revolução da imunoterapia, que começou em 2010. E o segundo foi a Covid-19, já que o desenvolvimento de vacinas deu um salto após a pandemia.

A pesquisa é uma das últimas etapas para determinar a eficácia do imunizante antes de ser submetido às agências regulatórias.

 

Outras esperanças

A vacina Tedopi não é a única a apresentar resultados positivos. Os últimos meses foram marcados pela publicação de outros trabalhos promissores.

Em dezembro de 2022, a Moderna e a Merck divulgaram um ensaio preliminar de uma vacina de RNA mensageiro contra o melanoma em estágio avançado, uma forma de câncer de pele.

A vacina apresentou uma redução de 44% no risco de recorrência e morte pela doença.

As farmacêuticas BioNTech e Roche, poucos meses depois, publicaram pesquisas também animadoras para pacientes que sofrem de câncer no pâncreas.

Ainda que o estudo tenha usado uma amostra muito pequena, de apenas 16 pacientes, metade dos participantes desenvolveu uma resposta imune positiva ao tratamento.

Em junho, a Transgene, também francesa, apresentou uma vacina para prevenir a recorrência de cânceres que afetam a região otorrinolaringológica. Dos 16 pacientes tratados, nenhum teve recaída mais de dez meses após as aplicações.