3.415 nascimentos
Gravidez na adolescência cresce em 2025 em Mato Grosso
Saúde | 23 de Fevereiro de 2026 as 10h 09min
Fonte: Gazeta Digital

Mato Grosso registrou aumento de 5,47% no número de bebês nascidos vivos de mães adolescentes em 2025. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informam o nascimento de 3.415 crianças filhos de mães entre 12 e 17 anos no ano passado, contra 3.238 em 2024.
De janeiro a 13 de fevereiro de 2026, o estado já registra 183 nascimentos de bebês de mães menores.
Segundo Giovana Fortunato, ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a gravidez na adolescência está associada a maiores riscos à saúde materna e neonatal.
“A adolescência é um período de mudanças importantes e, quando a gravidez ocorre muito cedo, o organismo da jovem ainda não está completamente preparado para sustentar uma gestação com segurança”, afirma.
Ela ressalta que a gravidez precoce é considerada um problema de saúde pública por estar associada a complicações como anemia, hipertensão específica da gestação, parto prematuro e baixo peso ao nascer. “Essas intercorrências podem comprometer tanto a saúde da mãe quanto a do recém-nascido, exigindo acompanhamento rigoroso no pré-natal e no pós-parto. Os riscos são ainda maiores entre adolescentes com menos de 15 anos, especialmente em situações de vulnerabilidade social e com acesso limitado aos serviços de saúde”, pontua.
Giovana alerta que, entre meninas de 10 a 14 anos, as complicações mais frequentes incluem síndromes hipertensivas graves, prematuridade e recém-nascidos com baixo peso, além de maior incidência de pré-eclâmpsia e eclâmpsia nessa faixa etária, condições que podem evoluir de forma grave e até fatal.
Explica também que a anemia nesses casos é mais comum porque a adolescente está em fase de crescimento e passa a dividir nutrientes com o feto, o que aumenta a demanda do organismo. Além disso, são mais frequentes casos de hipertensão gestacional, infecções urinárias e infecções sexualmente transmissíveis.
Vale destacar que os números disponibilizados pela SES são referentes aos registros de nascidos vivos nessa faixa etária, e não ao total de gestações, que pode ser maior. A mortalidade entre os bebês de mães adolescentes é maior que em mulheres adultas, isto porque o risco de baixo peso (menor que 2,5 kg) e prematuridade é mais elevado quando a mãe tem menos de 16 anos.
“A imaturidade biológica, associada a fatores como desnutrição e pré-natal inadequado, contribui para esses desfechos. O risco de óbito no primeiro ano de vida pode ser duas a três vezes superior em comparação aos filhos de mulheres adultas”, explica a doutora.
Além da saúde, as mães adolescentes também correm outros riscos que envolvem a falta de reconhecimento ou apoio do pai, possível rejeição familiar e situações de vulnerabilidade social, como pobreza e falta de suporte. A evasão escolar também é frequente, interrompe a formação da adolescente e dificulta sua inserção no mercado de trabalho.
O enfrentamento da gravidez na adolescência exige ações integradas entre saúde, educação e assistência social, com ampliação do acesso à informação, métodos contraceptivos e acompanhamento adequado das jovens. Para a médica, prevenir a gestação precoce e garantir pré-natal de qualidade são medidas fundamentais para reduzir complicações e proteger tanto a vida das adolescentes quanto a dos recém-nascidos.
Notícias dos Poderes
Ozempic poderia custar R$ 17 por mês em versões genéricas, diz estudo
Semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, poderia ser produzida em escala por apenas US$ 3 mensais
07 de Março de 2026 as 09h50Vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por até 5 anos
Estudo do Butantan mostra proteção de 80% contra casos graves
06 de Março de 2026 as 15h23SUS ganha neste mês teleatendimento para mulheres expostas à violência
Serviço chegará a todo o país até junho
06 de Março de 2026 as 12h56SUS começa a usar novo tratamento contra a malária em crianças
Público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no país
06 de Março de 2026 as 11h53Prefeitura de Sinop já beneficiou cerca de mil mulheres com método contraceptivo Implanon
04 de Março de 2026 as 14h18Câmara aprova projeto que libera venda de remédios em supermercados
04 de Março de 2026 as 15h34Somente médicos podem realizar abortos previstos em lei, defende AGU
02 de Março de 2026 as 11h17Jovem de Rondonópolis é o primeiro de MT a receber polilaminina
Jovem de 21 anos passou por procedimento com polilaminina no Hospital Regional; tratamento ainda está em fase de estudo científico.
02 de Março de 2026 as 08h15