'Impacto' no cérebro
Como a segunda maternidade altera o cérebro das mães, segundo este estudo
Pesquisas mostram que tanto a primeira quanto a segunda gravidez têm um impacto forte e singular no cérebro das mães. Novo estudo investigou essas alterações
Saúde | 24 de Fevereiro de 2026 as 12h 42min
Fonte: Galileu

Não é só a estreia na maternidade que modifica o cérebro. Ter um segundo filho provoca alterações próprias — e elas podem ajudar mães a lidar melhor com múltiplas demandas ao mesmo tempo.
Durante anos, a ciência acreditou que a maior transformação cerebral da maternidade acontecia apenas na primeira gravidez. Mas um novo estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Amsterdã e publicado nesta quinta-feira (19), na revista científica Nature Communications, indica que, assim como a primeira, a segunda gravidez gera alterações no cérebro feminino de forma única. E, de acordo com a nova pesquisa, enquanto a primeira gestação causa mudanças mais amplas, a segunda foca nas redes cerebrais responsáveis pela atenção e respostas a estímulos.
O cérebro continua em reforma
O estudo acompanhou 110 mulheres, dividindo as participantes em três grupos: mães de primeira viagem, mulheres em sua segunda gravidez e um terceiro grupo que não tiveram filhos. Usando técnicas de neuroimagem — exames cerebrais que foram repetidos nos mesmos indivíduos por um determinado período —, os pesquisadores puderam observar detalhadamente as alterações cerebrais relacionadas à gravidez.
"Com isso, mostramos pela primeira vez que o cérebro não muda apenas durante a primeira gravidez, mas também durante a segunda", afirma Elseline Hoekzema, chefe do Laboratório de Estudos Cerebrais na Gravidez do Amsterdam UMC e coautora do estudo, em comunicado. "Durante a primeira e a segunda gravidez, o cérebro muda de maneiras semelhantes e únicas. Cada gravidez deixa uma marca única no cérebro feminino."
Na primeira gestação, as maiores mudanças ocorreram na chamada Rede de Modo Padrão (RMP), uma rede cerebral que se torna ativa quando o cérebro está em repouso. Ela é importante para funções como autorreflexão, processamento emocional, interação e percepção social. Nesse momento, o cérebro se reorganiza para interpretar sinais do bebê. Segundo os pesquisadores, as mudanças cerebrais também se relacionaram ao vínculo entre mãe e filho, especialmente na primeira gravidez.
Durante a segunda gestação essa rede também sofreu alterações, no entanto, de forma menos notável. A mudança ocorreu mais intensamente em redes cerebrais ligadas à atenção, resposta a estímulos, processamento sensorial e controle de comportamento. Ou seja, nesse momento a mulher terá menos adaptação emocional do zero e mais preparo para dar conta da rotina.
Para os pesquisadores, isso pode ajudar a mãe no cuidado de múltiplas crianças. "Parece que, durante a segunda gravidez, o cérebro sofre alterações mais significativas nas redes envolvidas na reação a estímulos sensoriais e no controle da atenção", explica Milou Straathof, autora da pesquisa. "Esses processos podem ser benéficos no cuidado de múltiplos filhos."
Relação com depressão perinatal
A pesquisa também revelou a relação entre as alterações cerebrais e os sintomas de depressão perinatal nas duas gestações. Os dados indicam que as mudanças no córtex durante a gravidez estão associadas à saúde mental materna.
Para as mães de primeira viagem, essa relação se mostrou mais forte depois do parto. Já para mulheres que tiveram o segundo filho, foi mais notável no período da gestação. Compreender essas mudanças pode ajudar a identificar melhor problemas de saúde mental no período da maternidade e a entender como o cérebro se adapta a essa fase do corpo feminino.
Como nota o comunicado, os estudos sobre o impacto que uma gravidez causa no cérebro feminino são recentes, mas vêm se mostrando de extrema importância no conhecimento sobre a biologia da mulher.
Segundo os pesquisadores, os resultados podem melhorar a prevenção e o tratamento da depressão pós-parto. Além de ajudar a entender como o cérebro acompanha as transformações da maternidade — se remodelando novamente a cada filho.
Notícias dos Poderes
Ozempic poderia custar R$ 17 por mês em versões genéricas, diz estudo
Semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, poderia ser produzida em escala por apenas US$ 3 mensais
07 de Março de 2026 as 09h50Vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por até 5 anos
Estudo do Butantan mostra proteção de 80% contra casos graves
06 de Março de 2026 as 15h23SUS ganha neste mês teleatendimento para mulheres expostas à violência
Serviço chegará a todo o país até junho
06 de Março de 2026 as 12h56SUS começa a usar novo tratamento contra a malária em crianças
Público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no país
06 de Março de 2026 as 11h53Prefeitura de Sinop já beneficiou cerca de mil mulheres com método contraceptivo Implanon
04 de Março de 2026 as 14h18Câmara aprova projeto que libera venda de remédios em supermercados
04 de Março de 2026 as 15h34Somente médicos podem realizar abortos previstos em lei, defende AGU
02 de Março de 2026 as 11h17Jovem de Rondonópolis é o primeiro de MT a receber polilaminina
Jovem de 21 anos passou por procedimento com polilaminina no Hospital Regional; tratamento ainda está em fase de estudo científico.
02 de Março de 2026 as 08h15