Medida preventiva
Cade suspende moratória da soja e instaura processo contra tradings
Em medida preventiva, Superintendência-Geral revoga efeitos de acordo que impede exportações de grão proveniente áreas desmatadas depois de 2008; produtores viam cartel
Saúde | 19 de Agosto de 2025 as 07h 43min
Fonte: CNN Brasil

A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu suspender nesta segunda-feira (18) à noite, por medida preventiva, os efeitos do acordo conhecido como "moratória da soja".
O órgão antitruste também resolveu instaurar um processo administrativo contra empresas e associações signatárias do acordo, que foi firmado há quase duas décadas e tem dividido o agronegócio.
A moratória da soja é um acordo privado entre grandes tradings e exportadoras que impede a comercialização do grão produzido em área desmatada da Amazônia Legal depois de 2008, mesmo que o corte de vegetação tenha ocorrido obedecendo às leis.
De um lado, as tradings argumentam que a moratória foi responsável por frear o desmatamento em período crítico. Alegam ainda que sua vigência é importante para demonstrar compromisso com práticas ambientais sustentáveis e veem risco à imagem do Brasil no exterior.
Já os produtores de soja criticam o acordo por entenderem que ela é uma conduta anticoncorrencial e se assemelha a um cartel. Também apontam que a moratória é interfere na livre iniciativa dos agricultores que abriram novas áreas, com autorização legal, depois de 2008.
Anos mais tarde, o Código Florestal passou a determinar que 80% das áreas rurais devem ser preservadas - permitindo o desmate legal de 20% das propriedades rurais. A moratória, no entanto, continuava sendo aplicada.
A investigação do Cade teve início a partir de uma representação encaminhada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
Conforme apuração da Superintendência-Geral, empresas privadas concorrentes criaram o chamado Grupo de Trabalho da Soja, com a finalidade de monitorar o mercado e viabilizar um acordo que estabelecesse condições para a compra da commodity no país.
Para o órgão antitruste, esse acordo é anticompetitivo e prejudica as exportações do grão.
"Diante desse cenário, foi adotada medida preventiva, determinando que o Grupo de Trabalho da Soja se abstenha de coletar, armazenar, compartilhar ou disseminar informações comerciais referentes à venda, produção ou aquisição de soja, bem como que se abstenha de contratar processos de auditoria", informou o Cade, em nota.
"Seus membros devem também se abster de compartilhar relatórios, listas e documentos que instrumentalizem o acordo, bem como retirar a divulgação de documentos relacionados à moratória de seus sítios eletrônicos", acrescenta.
A medida preventiva é um instrumento adotado quando há indício ou receio de que condutas investigadas possam causar lesão irreparável ou de difícil reparação ao mercado, tornando ineficaz o resultado final do processo.
As partes representadas no processo administrativo foram intimadas a apresentar defesa.
Ao final da instrução, a Superintendência-Geral emitirá um parecer conclusivo e encaminhará o caso ao tribunal do Cade.
Existe ainda a possibilidade de ser fixado um acordo determinado TCC (Termo de Cessação de Conduta) entre o Cade e as partes.
Caso sejam condenadas, as associações poderão pagar multas que variam de R$ 50 mil a R$ 2 bilhões; para as empresas, as multas variam entre 0,1% a 20% do valor do faturamento bruto da empresa no último exercício anterior à instauração do processo administrativo.
A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) e 30 empresas de exportação - conhecidas como tradings - serão afetadas pela suspensão.
Entre esses grupos estão gigantes como ADM, Bunge, Caramuru, Cargill, Louis Dreyfus e Maggi.
Repercussão
A Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso) celebrou a decisão.
"Trata-se de um marco histórico na defesa da livre concorrência e da produção legal no campo, que devolve segurança jurídica e dignidade aos milhares de produtores que sempre atuaram em conformidade com o Código Florestal e as leis ambientais brasileiras", disse a entidade, em nota.
Segundo a Aprosoja-MT, o acordo impunha barreiras comerciais "injustas" e impedia a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares, afetando principalmente pequenos e médios produtores rurais.
Há anos, um acordo privado, sem respaldo legal, vinha impondo barreiras comerciais injustas aos produtores, sobretudo os pequenos e médios, impedindo a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares e licenciadas.
Ao reconhecer os indícios de cartel e as distorções geradas por esse mecanismo, o Cade cumpre seu papel institucional de combater práticas anticoncorrenciais e preservar o ambiente de mercado justo e competitivo.
A entidade afirma que "seguirá vigilante e atuante para garantir que produtores que respeitam a lei também tenham o direito de produzir, prosperar e contribuir com o desenvolvimento do país".
Já a Abiove manifestou "surpresa" com a decisão do Cade e ressaltou que a moratória da soja, além de envolver tradings, tinha o aval do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) - além de ser reconhecida pela AGU (Advocacia-Geral da União).
"A entidade reitera seu compromisso com a legalidade e informa que tomará as medidas cabíveis de defesa, além de colaborar de forma plena e transparente com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários para o devido andamento do processo", disse em nota.
A Abiove acrescentou que "seguirá acompanhando atentamente os desdobramentos do caso" manterá postura de "diálogo construtivo e respeito às normas vigentes".
Notícias dos Poderes
Mendes fraturou quatro costelas, mas não precisará de cirurgia
O governador caiu durante inspeção de obras no Parque Novo Mato Grosso e seguirá internado
31 de Agosto de 2025 as 15h45Governador sofre acidente e está na UTI na Santa Casa
31 de Agosto de 2025 as 13h45Ataque hacker em empresa que opera o sistema Pix desvia R$ 420 milhões; BC bloqueia R$ 350 milhões
Banco Central conseguiu bloquear R$ 350 milhões desviados
30 de Agosto de 2025 as 18h18SpectraX leva inovação do Norte de Mato Grosso ao Startup Summit 2025 em Florianópolis
30 de Agosto de 2025 as 11h22Moraes determina revista em área externa e em veículos que deixarem a casa de Bolsonaro
Vistorias, que deverão ser documentadas, são para ‘fins de incremento nas atividades de monitoramento’
30 de Agosto de 2025 as 11h13TJ-MT vive crise sob gestão de Zuquim: protesto silencioso expõe racha no tribunal
Crise, crise e mais crise
30 de Agosto de 2025 as 10h16Ager realiza fiscalização na barragem da Usina Colíder
Agência avaliou o nível de segurança e o desempenho da usina
29 de Agosto de 2025 as 23h15Em Barretos, sinopense é chamado para narrar o Rodeio Internacional
Anderson de Oliveira foi escolhido para fazer a locução da competição com maior prestígio
29 de Agosto de 2025 as 17h17