Medicamento injetável
Brasil poderá ter injeção contra HIV aplicada duas vezes ao ano
Acordo entre Gilead e Opas inclui o Brasil entre os países que poderão negociar o acesso ao lenacapavir
Saúde | 16 de Setembro de 2026 as 12h 09min
Fonte: Folhapress

Um acordo firmado entre a farmacêutica Gilead Sciences e a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) pode facilitar a chegada ao Brasil do lenacapavir, medicamento injetável contra o HIV que é aplicado a cada seis meses. O entendimento foi anunciado nesta terça-feira (15) e contempla 14 países da América Latina e do Caribe.
O Brasil está entre as nações incluídas na iniciativa que não fazem parte dos contratos de licenciamento voluntário da Gilead com fabricantes de medicamentos genéricos. Com isso, o acesso ao lenacapavir depende de negociações diretas com a farmacêutica.
Acesso ainda depende de negociações
O acordo não representa, porém, uma liberação imediata do medicamento. A Gilead não divulgou o preço, a quantidade destinada ao Brasil ou um calendário de fornecimento. Antes disso, cada governo deverá decidir se participa da iniciativa.
No Brasil, o lenacapavir já passou por uma etapa importante. Em janeiro deste ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso do Sunlenca, nome comercial do medicamento, como PrEP (profilaxia pré-exposição) para adultos e adolescentes a partir de 12 anos e com peso mínimo de 35 kg.
Segundo a agência, a comercialização depende ainda da definição do preço máximo pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).
Para que o remédio seja disponibilizado pelo SUS, também é necessária uma avaliação da Conitec, comissão responsável por analisar a incorporação de novas tecnologias, além de uma decisão favorável do Ministério da Saúde. Em julho, a pasta tentou negociar diretamente a compra com a Gilead, mas as tratativas não avançaram.
A farmacêutica afirma que continuará negociando com o governo brasileiro mesmo após o acordo com a Opas.
Duas aplicações por ano
O lenacapavir é apontado como uma das principais novidades recentes na prevenção do HIV por reduzir a necessidade de uso diário de comprimidos. Aplicado sob a pele do abdômen a cada seis meses, o medicamento interfere em diferentes etapas do funcionamento do capsídeo, estrutura que envolve o material genético do vírus.
Nos estudos de fase 3 que serviram de base para a autorização sanitária, não foram registradas infecções entre as mulheres cisgênero que receberam o medicamento no estudo Purpose 1. Já no Purpose 2, realizado com homens cisgênero e pessoas de gênero diverso — incluindo centros brasileiros —, o lenacapavir reduziu em 96% a incidência de HIV em relação à taxa esperada sem PrEP e apresentou eficácia 89% maior que a profilaxia oral diária usada como comparação.
O medicamento não é uma vacina e não elimina a necessidade de acompanhamento médico. Antes de cada aplicação, é preciso confirmar que a pessoa não está infectada pelo HIV. A Anvisa alerta para o risco de resistência caso alguém em fase aguda da infecção, ainda não identificada, receba o produto ou demore a iniciar um tratamento eficaz após uma falha da PrEP.
Em julho de 2025, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou o lenacapavir como uma opção adicional nas estratégias de prevenção combinada. Por exigir apenas duas aplicações anuais, o medicamento pode beneficiar pessoas que têm dificuldade para manter a PrEP diária ou que enfrentam receio do estigma relacionado ao uso dos comprimidos.
Brasil ficou fora de acordo para genéricos
A negociação anunciada nesta terça-feira ocorre após meses de pressão de autoridades sanitárias e organizações da sociedade civil. Em outubro de 2024, a Gilead autorizou seis fabricantes a produzir versões genéricas do lenacapavir para 120 países de baixa e média renda. O Brasil e a maior parte da América Latina ficaram fora da lista.
Na época, o Conselho Nacional de Saúde aprovou uma moção de repúdio à decisão. O órgão destacou que o Brasil havia participado do estudo Purpose 2, mas não havia sido incluído nem no acordo para produção de genéricos nem na lista inicial de países prioritários para registro.
O conselho também defendeu que o governo voltasse a discutir a possibilidade de licenciamento compulsório — a chamada quebra de patente — caso o preço do medicamento dificultasse sua oferta pelo SUS.
A discussão continuou mesmo após a aprovação da Anvisa. Em julho deste ano, o diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, afirmou que governo e empresa não haviam alcançado um acordo de curto prazo para incorporar o medicamento. Segundo ele, a proposta brasileira era de US$ 400 por pessoa ao ano.
A Gilead não confirmou o valor nem revelou quanto pretende cobrar pelo produto. A empresa afirmou apenas que as negociações continuam e que assinou um memorando de entendimento com a Fiocruz para avaliar uma possível transferência de tecnologia.
Notícias dos Poderes
8 em 10 idosos no Brasil não conseguem identificar um vídeo criado por IA, aponta pesquisa
Levantamento do Projeto Brief mostra que pessoas com mais de 60 anos têm mais dificuldade para reconhecer conteúdos artificiais
12 de Outubro de 2026 as 14h28Câncer colorretal está mais comum em jovens e adolescentes, mesmo sem histórico familiar
Dados apresentados durante a Conferência Nacional da Academia Americana de Pediatria de 2026, no início de outubro, mostraram que apenas 20% dos diagnósticos tinham casos da doença na família. Maioria dos pacientes apresentou formas agressivas desse
11 de Outubro de 2026 as 11h27Vacinação itinerante começa amanhã em Sinop; veja locais e horários de outubro
09 de Outubro de 2026 as 16h10Mulheres de Mato Grosso podem acessar teleatendimento gratuito em saúde mental pelo SUS
09 de Outubro de 2026 as 10h21Casos de meningite viral em crianças fazem cidade de MT suspender aulas
Aulas presenciais estão suspensas até 13 de outubro nas escolas municipais da zona urbana; comemorações do Dia das Crianças também foram canceladas
08 de Outubro de 2026 as 14h20Sarampo: Brasil intensifica ações face a avanço nos EUA e nas Américas
Ministério da Saúde reforça alerta de monitoramento de risco
07 de Outubro de 2026 as 10h27Prefeitura leva vacinação itinerante para cinco bairros durante o mês de outubro
Ação amplia o acesso aos imunizantes com atendimento aos finais de semana em supermercados, Shopping Sinop e Residencial Nico Baracat
06 de Outubro de 2026 as 13h37SES habilita serviço de radioterapia e braquiterapia em hospital de Sinop
Atendimento será referência para 90 municípios das regiões Norte, Leste e Centro-Noroeste, beneficiando uma população estimada em 1,7 milhão de habitantes
06 de Outubro de 2026 as 09h20