Mato Grosso
A estratégia de Mato Grosso para que bebês recebam Nirsevimabe
Terapia moderna para prevenir infecções respiratórias estará disponível no SUS para prematuros
Saúde | 25 de Fevereiro de 2026 as 16h 01min
Fonte: Jamerson Miléski

Uma dose única de anticorpos, que assim que entram no organismo, se ligam ao vírus, impedindo que eles entrem nas células. É assim que funciona o Nirsevimabe, um anticorpo monoclonal que é atualmente a mais moderna terapia para prevenir infecções respiratória e que a partir desse mês estará disponível através do SUS, para os bebês prematuros de Mato Grosso. O Nirsevimabe é a maneira mais eficaz de prevenir infecções pelo VSR (Vírus Sincicial Respiratório), que é a maior causa de internações de bebês recém nascidos, especialmente os prematuros ou com comorbidades.
Mato Grosso já montou sua estratégia de como fazer essa nova terapia, que é cara e precisa de refrigeração controlada, chegar a todos bebês que precisam. No Diário Oficial desta quarta-feira (25), a secretaria estadual de Saúde publicou a Portaria 119/2026, que trata da distribuição, armazenamento, dispensação e administração do anticorpo.
O Nirsevimabe será armazenado por maternidades vinculadas ao SUS que tenham estrutura para estocar o imunizante. A Secretaria de Saúde estabeleceu 29 maternidades que funcionarão como polo de distribuição. Esses centros abastecerão demais unidades, inclusive maternidades privadas.
Em Sinop essa atribuição foi conferida ao Hospital Santo Antônio – atualmente a única maternidade da cidade que atende pelo SUS e também onde está a UTI Neonatal, que atende bebês prematuros. Ainda no eixo Teles Pires, são polos de Nirsevimabe o Hospital São Lucas (em Lucas do Rio Verde), o Hospital Regional de Nova Mutum e o Regional de Sorriso. Juara, Juína, Colíder e Alta Floresta também serão polos de armazenagem, distribuição e dispensação.
A terapia deve ser fornecida universalmente para prematuros com menos de 36 semanas e 6 dias de gestação. Os polos serão responsáveis por comunicar as aplicações realizadas ao sistema nacional, monitorado pelo Ministério da Saúde. O Estado fará uma auditoria a cada 60 dias, cruzando informações, para avaliar o funcionamento da rede. A compra e remessa do anticorpo será feita pela Secretaria Estadual de Saúde.
O Nirsevimabe foi desenvolvido pela AstraZeneca em parceria com a Sanofi. Ele não é uma vacina, mas um anticorpo pronto, aplicado em dose única para oferecer proteção imediata. Sua duração no organismo é de 5 meses, o que cobre o período sazonal – época do ano em que as infecções respiratórias se proliferam com mais intensidade.
Uma vez aplicado nos bebês, o anticorpo se liga à proteína F do VSR e impede que o vírus entre nas células. Esse vírus é o principal causador de Bronquiolite e Pneumonia viral, principais causas de hospitalização infantil em prematuros. Até então essa prevenção era feita com Palivizumabe, que exige várias doses e é indicado só para alto risco.
Quando só estava disponível na rede privada, o Nirsevimabe chegou a custar R$ 4.600,00 por dose – valor que aumentava de acordo com a logística, sendo mais caro nas partes mais remotas do país. Pelo SUS, estima-se que o custo do anticorpo ficará entre R$ 720,00 e R$ 1.489,00 por dose.
A Secretaria Estadual de Saúde ainda não informou quanto vai gastar com a oferta dessa nova terapia. O imunizante passivo é especialmente importante em locais como o Mato Grosso, que tem sazonalidade respiratória bem definida (período chuvoso e transição climática), grandes distâncias entre municípios, UTIs pediátricas concentradas em poucos polos (Cuiabá, Rondonópolis, Sinop) e dificuldade logística para transferência de recém-nascidos graves. Essa dose única pode ser a diferença entre sobreviver mesmo prematuro ou morrer por não conseguir respirar.
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