Agro
Soja convencional enfrenta desafios e oportunidades para atender os europeus
pesar desses desafios, os especialistas projetam que a produção brasileira será capaz de suprir a demanda europeia neste ano
Rural | 26 de Fevereiro de 2024 as 07h 12min
Fonte: O documento

O mercado de soja convencional (não transgênica) apresentou um cenário atípico ao longo de 2023, sendo influenciado pelos valores dos prêmios e pela instabilidade climática, afetando a produção em regiões-chave como Mato Grosso e Goiás. Apesar desses desafios, os especialistas projetam que a produção brasileira será capaz de suprir a demanda europeia neste ano.
De acordo com o Instituto Soja Livre (ISL), entidade que congrega produtores, traders e certificadores de soja convencional, a safra 2023/24 seguirá uma trajetória semelhante à do ano anterior, com prêmios permanecendo em níveis reduzidos. César Borges, presidente do ISL, avalia que esse contexto pode resultar em uma menor busca por sementes convencionais por parte dos produtores que não se adiantaram nas vendas.
“Os produtores que garantiram seus negócios antecipadamente podem ter perdas em função da estiagem provocada pelo El Niño, mesmo com o replantio”, observa.
Para auxiliar os produtores brasileiros de soja convencional a atender à demanda internacional, os produtores de sementes estão investindo em variedades de cultivares com alto potencial produtivo, adaptadas às necessidades de cada região de cultivo.
O proprietário da Quati Sementes, Luiz Fiorese, enfatiza a importância de os produtores se anteciparem e não dependerem de possíveis variações nos valores dos prêmios ao longo do ano, como ocorreu em 2023. A baixa demanda por sementes convencionais no início do ano passado resultou em uma redução de 20% na área plantada na safra 23/24.
“O mercado existe, mas este será um ano em que parcerias precisam ser firmadas e alinhadas para não haver dificuldade com a soja convencional. Como sementeiro, estou organizado. Já exportei grão para a Coreia e também direciono para outros tipos de negócios que precisam do grão convencional”, comenta Fiorese.
Fiorese destaca a necessidade de parcerias alinhadas para evitar dificuldades no mercado de soja convencional, e expressa confiança em sua própria organização, citando experiências de exportação para a Coreia e outros negócios relacionados ao grão convencional.
Demanda dos europeus
No que diz respeito à demanda europeia, a flexibilização da linha de produtos não transgênicos pela rede de supermercados Carrefour em 2023 resultou na perda de parte do mercado europeu para o Brasil, afetando particularmente a demanda por soja convencional na França e na Bélgica.
Embora a discussão no Parlamento Europeu sobre a desregulamentação de produtos transgênicos possa impactar outros mercados da região, grandes cadeias de supermercados se posicionaram contra a proposta.
De acordo com o consultor Fernando Nauffal, o mercado europeu de soja convencional está estável e o volume de exportação para a Europa deve continuar o mesmo neste ano, em torno de 1,700 milhões de toneladas. A única diferença poderá vir do mercado de Proteína Concentrada de Soja (SPC), devido à perspectiva de demanda maior de ração para o salmão, com o encerramento de selos de sustentabilidade para algumas variedades de peixes usados no processamento para ração.
Segundo Nauffal, a crise europeia não afetará a demanda de produtos não-transgênicos brasileiros. “O alto preço de energia na Europa privilegia o processamento da soja convencional no Brasil e a exportação dos produtos já processados. O consumo final de frango, leite e ovos, oriundos de animais que consomem farelo de soja não-OGM na alimentação, também não será impactado pela crise”.
Ele reforça que a oferta de soja convencional brasileira em 2024 conseguirá atender à demanda europeia. “Mesmo com uma possível quebra na safra 23/24, a produção brasileira será bem acima do que a Europa tem demandado nos últimos dois a três anos”.
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