Fabricantes preocupados
Produtores de MT apoiam aumento da mistura de etanol na gasolina para 32%
Rural | 03 de Agosto de 2026 as 09h 30min
Fonte: Gazeta digital

Os produtores de etanol de Mato Grosso se manifestaram de forma favorável à proposta de aumentar o percentual do combustível misturado na gasolina de 30% para 32%. No caso, a mistura que já existe é feita com etanol anidro, que possui no mínimo 99,3% de pureza e não leva nenhuma quantia de água.
A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e entrou em vigor no sábado (1º). A ideia por trás da decisão é reduzir a dependência nacional de petróleo produzido por outros países. Até 2029, planeja o governo federal, a meta é chegar a 35%.
Em conversa com o GD, o professor Alfredo dos Santos Weber, que é coordenador do curso de Engenharia Química da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), explicou que o aumento da quantidade de etanol na gasolina causará, sim, desgaste nos veículos, além de aumentar a quantidade de litros consumidos por quilômetros rodados.
"As consequências são desgaste maior de motores antigos ou importados que são ajustados para porcentagens menores de etanol, normalmente entre 10 a 15 no máximo de etanol. Também haverá problemas para motores de injeção direta mais modernos", explicou.
Além disso, conforme o especialista, haverá a necessidade de trocas mais frequentes e limpeza das velas e bicos injetores. As manutenções nos veículos com motores flex se tornarão mais frequentes para que o consumo não suba tanto.
Por outro lado, o preço da gasolina deve baixar em razão da expectativa de queda no valor do etanol por conta da produção crescente do combustível no país. O professor disse, ainda, que já existe tecnologia para a produção de gasolina e até querosene de aviação feitas totalmente com etanol de cana de açúcar ou de milho, mas ainda não foi colocado em prática no estado.
Em resposta à medida, a Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) se manifestaram contra a mudança.
As entidades questionam os estudos técnicos apresentados, alegando que eles não teriam comprovado a segurança e a compatibilidade do novo percentual de mistura. Além disso, foram citadas falhas na retomada de aceleração de motocicletas e degradação dos componentes do sistema de alimentação (injetores, bombas, tanques, etc.).
Por fim, pediram que a nova medida só entre em vigor após a realização de novos estudos e testes mais completos.
Em resposta, o Sindicato de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind-MT) afirmou que a medida “gerou debates e, em alguns casos, desinformação, baseados, principalmente, em premissas que já foram amplamente superadas por estudos técnicos rigorosos e transparentes”.
Para a entidade que representa os produtores, a medida não é um salto no escuto, mas representa um avanço da produção energética do país. O sindicato afirmou que os testes desenvolvidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, sob coordenação do governo federal, não identificaram “impactos relevantes sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos”.“É um biocombustível limpo, que contribui diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Ao aumentar a mistura, o Brasil reforça seu compromisso com a descarbonização da matriz energética e com as metas climáticas globais. O uso de etanol evita a emissão de milhões de toneladas de CO2 equivalente, posicionando o país como líder em soluções energéticas renováveis”, diz nota emitida pelo BIOIND MT.
Para a entidade, ao aumentar o percentual de etanol na gasolina, há uma redução na dependência dos combustíveis fósseis importados, além de gerar emprego e aumentar a renda em diversas regiões do país.
“É um passo firme do Brasil em direção a um futuro mais verde, com maior autonomia energética e prosperidade para sua população. É hora de apoiar essa iniciativa que beneficia a todos, consolidando o papel do Brasil como protagonista na transição energética global”, conclui o posicionamento.
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