Agro
Nanotecnologia criada na UFMT pode aumentar produtividade em até 3 sacas de soja por hectare
Pesquisadores desenvolveram um nanofertilizante à base de carbono que acelera a fotossíntese e pode gerar ganho estimado de até R$ 300 por hectare, segundo testes realizados em soja
Rural | 14 de Julho de 2026 as 17h 02min
Fonte: Redação PP

Uma nanotecnologia desenvolvida a partir de pesquisas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) pode ajudar a aumentar a produtividade no campo e, consequentemente, o lucro do produtor rural. Em testes com soja, o uso de um nanofertilizante à base de carbono apresentou ganhos de até três sacas por hectare.
A estimativa dos pesquisadores é que o resultado possa representar cerca de R$ 300 livres a mais por hectare para o produtor, já considerando o custo de aquisição do nanoinsumo.
Ao Primeira Página, o professor da UFMT Ailton Terezo explicou que a tecnologia começou a ser desenvolvida por volta de 2018, dentro da UFMT, a partir de estudos conduzidos por ele e os pesquisadores Adriano Buzutti, Marilza Castilho e Adriana Cardoso com nanopartículas sustentáveis à base de carbono.
Atualmente, a tecnologia é testada em campos agronômicos experimentais credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Os testes são necessários para comprovar a eficiência do nanofertilizante e avançar no processo de registro do produto. Por enquanto, o nanoinsumo ainda não pode ser utilizado diretamente por produtores rurais.
Como a nanotecnologia age nas plantas
Para entender a tecnologia, primeiro é preciso imaginar uma escala praticamente invisível. Um nanômetro corresponde a um metro dividido em um bilhão de pequenas partes.
Segundo Ailton, os materiais podem apresentar comportamentos diferentes quando reduzidos à escala nanométrica. No caso dos nanocarbonos desenvolvidos pelos pesquisadores, as partículas interagem com a luz e podem contribuir com o processo de fotossíntese das plantas.
"É um material que acelera o crescimento das plantas porque acelera a fotossíntese", explicou o professor.
Na prática, o material absorve radiação ultravioleta e emite luz em comprimentos de onda que podem ser aproveitados pelas plantas durante a fotossíntese, processo essencial para o crescimento vegetal.
Os estudos já avaliaram a resposta de diferentes culturas à nanotecnologia. Segundo o pesquisador, foram observados ganhos em testes com soja, alface, tomate e braquiária. No caso da soja, os experimentos em campo registraram aumento de até três sacas por hectare.
Até R$ 300 a mais por hectare
A partir dos resultados obtidos com a soja, os pesquisadores fizeram uma estimativa do possível impacto econômico da tecnologia para o produtor.
De acordo com Ailton, o nanoinsumo terá um custo de aquisição, mas poderá ser aplicado junto a outros produtos já utilizados na lavoura, sem exigir uma operação exclusiva de aplicação. Considerando os custos e o ganho de produtividade observado nos testes, a estimativa chegou a cerca de R$ 300 livres por hectare.
Em uma área de mil hectares, por exemplo, o valor adicional poderia chegar a R$ 300 mil, caso o desempenho observado nos experimentos se repita em escala comercial. O valor não é lucro garantido — trata-se de uma estimativa dos pesquisadores com base nos resultados obtidos até agora.
O professor destaca que o aumento da produtividade pode ter impacto direto na lucratividade da atividade agrícola. A tecnologia, no entanto, ainda passa por etapas de validação antes de chegar ao mercado.
Algodão teve ganho de massa em teste preliminar
Outro resultado que chamou a atenção dos pesquisadores foi observado no algodão. Em experimentos realizados em casa de vegetação, as plantas apresentaram ganho de mais de 170% de massa durante a fase vegetativa.
O número, porém, não representa aumento de 170% na produtividade do algodão. Segundo Ailton, os experimentos foram preliminares e tiveram como objetivo verificar se a planta respondia à nanotecnologia. "Esse ganho foi em experimentos em casa de vegetação e na fase vegetativa da planta", esclareceu.
O algodão ainda não passou por testes em campos agronômicos experimentais credenciados pelo Mapa para avaliar os efeitos do nanoinsumo sobre a produtividade da cultura.
Nanofertilizante aproveita resíduos da agropecuária
Além dos resultados agronômicos, a tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores tem como base o carbono e utiliza produtos renováveis. Durante os estudos, a equipe também conseguiu produzir nanopartículas a partir do aproveitamento de resíduos da própria agropecuária, entre eles dejetos da suinocultura e a vinhaça gerada na produção de etanol de cana-de-açúcar.
Segundo o professor, resíduos com alta carga orgânica podem representar uma preocupação ambiental para empresas e para a população. A proposta é utilizar esses materiais no desenvolvimento da nanotecnologia.
As pesquisas deram origem à NanoGrow, startup criada a partir dos estudos desenvolvidos dentro da UFMT. Por meio da empresa, os nanomateriais começaram a sair do ambiente exclusivamente acadêmico e avançaram para testes agronômicos em campo. A expectativa é validar as tecnologias em maior escala e avançar nas etapas necessárias para que o nanofertilizante possa chegar ao mercado.
Notícias dos Poderes
Eleição na Aprosoja MT movimenta chapas concorrentes
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) é uma das entidades de classe mais importantes do estado. Dos seus quadros costumam sair novas lideranças que ocupam espaços na política.
07 de Outubro de 2026 as 15h14Churrasco mais barato? O que muda após Brasil esgotar cota de carne para a China
Demanda doméstica, exportações e menor oferta de animais podem sustentar alta dos preços no país
05 de Outubro de 2026 as 12h46Carne brasileira vai pagar tarifa de 67% para entrar na China
Sobretaxa de 55% começa após Brasil esgotar cota anual de exportação
02 de Outubro de 2026 as 12h30Vendas de máquinas agrícolas caíram 22,4% entre janeiro e agosto de 2026
Somente em agosto, a comercialização foi 22,8% menor do que no mesmo mês de 2025
01 de Outubro de 2026 as 10h00Cidade de MT tem 9 em cada 10 empregos industriais ligados ao etanol e açúcar
A indústria de etanol e açúcar movimentou R$ 586,6 milhões em pagamento de salários em 2025
01 de Outubro de 2026 as 08h45Mato Grosso mantém a liderança nacional no rebanho bovino, com 31,6 milhões de cabeças em 2025
Estado tem cerca de 6 milhões de animais a mais que o Pará, segundo colocado, e concentra aproximadamente 13,5% do gado do país
01 de Outubro de 2026 as 11h45Produção de leite bate recorde mesmo com redução de vacas ordenhadas
01 de Outubro de 2026 as 09h41Plantio de soja avança, mas chuvas podem ficar escassas na próxima semana
Quase 4% das lavouras da safra 2026/27 já foram semeadas no Brasil; trabalhos estão adiantados
30 de Setembro de 2026 as 11h45