Dois de MT
Hormônios em carnes derrubam exportações de frigoríficos brasileiros
O uso de hormônios sintéticos como medicamento veterinário no gado foi identificado em frigoríficos de MG e MT, segundo a administração chinesa
Rural | 22 de Maio de 2026 as 14h 06min
Fonte: Redação PP

A China suspendeu as exportações de três frigoríficos brasileiros, sendo dois deles em Mato Grosso, após identificar uso de hormônios sintéticos proibidos pelas regras sanitárias do país.
Segundo a Administração-Geral de Alfândegas chinesa, as unidades afetadas são da Prima Foods, em Araguari (MG), além da Frialto e JBS, nas cidades mato-grossenses de Matupá e Pontes e Lacerda, respectivamente.
Até o momento, nenhuma das unidades afetadas pela suspensão se manifestou sobre o caso.
A administração chinesa explicou que foi identificado o uso de hormônios sintéticos como medicamento veterinário no gado das unidades citadas, que é proibido pelo país em testes realizados nas carnes importadas.
Essa suspensão ocorre logo após a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) reverter um outro bloqueio chinês anterior, contra três plantas frigoríficas brasileiras em Goiânia, Minas Gerais e São Paulo, que também foram suspensas pela China desde março de 2025.
Em seu site oficial, a associação havia celebrado a retomada das exportações dessas três plantas afirmando que o fim da medida significou “conquista para setor” e que reforçava a confiança chinesa no sistema sanitário brasileiro.
O novo bloqueio de exportações, entretanto, já era esperado por parte dos exportadores brasileiros, pois a comitiva do ministro da Agricultura, André de Paula, havia sido comunicada pelas autoridades chinesas na terça-feira (19) sobre o assunto.
Suspensão anterior
No início deste mês, a União Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos pecuários ao bloco por considerar que o país não atende integralmente às exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na criação de animais.
Segundo a União Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que os antimicrobianos proibidos pelo bloco não são utilizados na pecuária nacional.
Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados a exportar normalmente.
MT na liderança de exportações
Apesar do Ministério da Agricultura ainda não ter se manifestado sobre a nova suspensão das vendas internacionais feita pela China, as medidas podem afetar o mercado da carne de Mato Grosso, que em 2025 se consolidou como líder das exportações do produto feitas pelo Brasil.
O estado foi representou mais de 23% das vendas para o exterior. Ao todo, cerca de 978,4 mil toneladas da proteína foram destinadas a 92 países.
Da picanha destinada à culinária ao sebo que vira biodiesel, praticamente todas as partes do boi têm destino, valor e mercado internacional.
Reação do setor
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) afirmou, em nota, que acompanha o caso de suspensão feita pela China, em conjunto com o Ministério da Agricultura e confia na normalização dos embarques dos frigoríficos em breve.
Além disso, informou que as cargas apontadas pelas autoridades chinesas já estão sendo tratadas conforme protocolos sanitários estabelecidos entre ambos os países.
“O Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente, com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF)”, disse a Abiec.
A entidade acrescentou que a medida tem caráter temporário e preventivo, com o objetivo de permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das medidas técnicas necessárias pelas empresas envolvidas e pelas autoridades competentes.
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