Riscos climáticos
Frio e El Niño: saiba como será o clima em junho no Brasil
Agricultura fica em "alerta" devido aos riscos climáticos
Rural | 01 de Junho de 2026 as 09h 31min
Fonte: Globo Rural

O mês de junho começa nesta segunda-feira (1/6) com previsão de frio intenso no Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste, queda significativa das temperaturas no Norte e redução das chuvas no Nordeste.
O cenário para as cinco regiões do Brasil reflete a aproximação do inverno, estação que inicia oficialmente no dia 21, às 5h25 (horário de Brasília), além da influência do El Niño, fenômeno que volta a acender o alerta para mudanças nos padrões climáticos devido à possibilidade de atingir intensidade entre “forte” e “muito forte” em 2026.
De acordo com Celso Luis de Oliveira Filho, meteorologista da Tempo OK, as características comuns para o mês não devem se repetir neste ano em razão da formação do El Niño no Oceano Pacífico e do aquecimento do Atlântico.
"Normalmente, junho é seco e frio na maior parte do Brasil. É comum chover menos de 20 milímetros em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, sul do Maranhão, sudoeste do Piauí e oeste da Bahia" explica Oliveira Filho. "Além disso, as temperaturas mínimas caem para menos de 10°C na Serra da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas Gerais, e entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No entanto, esse padrão não será seguido", completa.
O especialista destaca que o sexto mês do ano terá dois momentos diferentes: a primeira quinzena com mais chuva no Sudeste e no Centro-Oeste, além do Paraná, no Sul. Na segunda metade, a condição muda a rota e atinge Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
"Para se ter uma ideia, as simulações indicam somente 25 milímetros para a maior parte de São Paulo, Mato Grosso do Sul e sul de Minas Gerais. Por outro lado, mesmo com a chuva acontecendo em parte do mês, o acumulado será mais elevado, alcançando 150 milímetros do norte do Rio Grande do Sul até o sul e oeste do Paraná", comenta.
Em relação às temperaturas, o cenário observado em maio se repete, com frio acentuado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e também no sul da Amazônia na segunda quinzena.
Como será o clima em cada região brasileira?
Sul
Conforme o meteorologista da Tempo OK, junho será distinto na região em relação às chuvas, com maiores volumes no Paraná durante a primeira quinzena e em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, na segunda. Em alguns municípios, o acumulado pode chegar aos 150 milímetros. Após o dia 15, o risco é alto para o declínio acentuado das temperaturas e formação de geadas.
Sudeste
A previsão indica que a precipitação deve superar a média climatológica em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e também no sul de Minas Gerais nos primeiros dias do mês, enquanto a segunda quinzena promete ser mais seca e fria. A possibilidade de geada também atinge São Paulo.
Centro-Oeste
Assim como observado na região Sudeste, o Centro-Oeste, em razão da proximidade, terá mais chuva nas duas primeiras semanas em Mato Grosso do Sul, sudoeste de Goiás e no oeste de Mato Grosso. Na sequência, o clima também fica seco e frio. Geadas não são descartadas nas cidades do Mato Grosso do Sul perto da divisa com o Paraná.
Norte
Com a proximidade do El Niño, fenômeno que deve ser confirmado em breve pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) enfraquece, reduzindo a chuva em Roraima, Amazonas e Pará. O destaque nas temperaturas fica com Rondônia e Acre, Estados com episódios de frio pela passagem de massas de ar polar no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Já no Amazonas acontece o contrário: calor acima do normal.
Nordeste
O enfraquecimento da ZCIT também reduz os volumes de chuva na área costeira do Nordeste, entre a Bahia e o Maranhão, e mantém o tempo quente. No interior, o clima segue seco, o que já é característico deste período do ano.
O fenômeno El Niño
A NOAA indicou no último relatório, apresentado em 26 de maio, que a probabilidade de consolidação do fenômeno subiu para 82% entre os meses de maio e julho.
E, apesar de próximo, ele não deve começar de forma intensa, explica Celso Filho. A tendência é que a oscilação seja de fraca a moderada em junho, com aumento gradativo ao longo das semanas.
“Os maiores efeitos serão vistos a partir de setembro, com chuva excessiva na região Sul, no sul do Mato Grosso do Sul e no oeste e sul de São Paulo. Por outro lado, o início do período úmido atrasa no Matopiba, no Pará e no Amazonas. O calor muito acima do normal será visto no Pantanal, o que contribui para as queimadas”.
Para a agricultura, o aquecimento acelerado das águas do Oceano Pacífico, condição associada à formação do El Niño, deixa em alerta em produtores rurais dos Estados do Sul, que temem os impactos diretos sobre as culturas de inverno.
Olho na agricultura
Para junho, a previsão do tempo exige atenção em todas as cinco regiões do país diante do padrão climático que começa a se desenhar. Confira:
- A chuva acima da média pode prejudicar a colheita de cana-de-açúcar, café e milho no Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Minas Gerais;
- A umidade elevada do solo pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças nas lavouras de trigo do Sul, Sudeste e Centro-Oeste;
- A queda acentuada das temperaturas, com risco de geada, pode afetar áreas produtoras de trigo no Paraná e de cana-de-açúcar em São Paulo e Mato Grosso do Sul;
- A redução da chuva na Paraíba, Pernambuco e Alagoas pode aumentar o déficit hídrico em áreas produtoras de cana-de-açúcar;
- A baixa umidade do solo em Roraima deve dificultar o desenvolvimento de arroz, soja e também de pastagens.
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