Totalidade da cota
Brasil já preencheu 50% da cota chinesa para carne bovina em 2026, diz Pequim
Após atingir a totalidade da cota, será imposta uma tarifa extra de 55% sobre o produto nacional
Rural | 11 de Maio de 2026 as 11h 29min
Fonte: Globo Rural

O governo chinês anunciou neste domingo (10/5) que as importações de carne bovina do Brasil sob o regime das salvaguardas aplicadas aos exportadores atingiram 50% da quantidade total especificada para o país em 2026, de 1,1 milhão de toneladas. Após atingir a totalidade da cota, será imposta uma tarifa extra de 55% sobre o produto nacional.
O Brasil é o segundo país exportador a atingir esse patamar de 50%. Antes, em março, a Austrália já havia preenchido metade do volume de 205 mil toneladas autorizado pelos chineses, sem taxa extra, para 2026. O governo chinês emite os alertas quando as importações chegam a 50%, 80% e 100% da quantidade especificada para cada fornecedor.
Segundo os dados mais recentes de Pequim, a China já importou 869 mil toneladas de carne bovina, de diversos fornecedores, entre janeiro e março deste ano. O volume representa pouco mais de 32% da cota geral de 2,6 milhões de toneladas definida para este ano.
As importações de carne bovina brasileira pela China chegaram a 512 mil toneladas no primeiro trimestre, o que já representava 46,3% da cota. Agora, essa quantidade aumentou e ultrapassou os 50%. Os chineses, no entanto, não divulgaram os dados consolidados de abril.
Na contramão desse movimento acelerado de preenchimento da cota, os Estados Unidos seguem com as vendas praticamente zeradas para os chineses em 2026. Os americanos exportaram apenas 544 toneladas de carne bovina nos três primeiros meses do ano. O volume autorizado é de 164 mil toneladas.
A Argentina preencheu 27,5% da cota até março, e o Uruguai, 14,67%. Já a Nova Zelândia embarcou pouco menos de 14% da sua cota.
Setor vê preenchimento em junho
Por enquanto, não há alteração na rotina de comércio entre brasileiros e chineses. Mesmo assim, a perspectiva dos frigoríficos nacionais é de esgotamento iminente da cota, o que deverá gerar mudanças nos negócios no país, com redução do ritmo de abates, por exemplo.
Nas contas da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o volume de carne bovina importado pela China já ultrapassou 65% da cota. A perspectiva é que o preenchimento total seja alcançado no próximo mês.
Por isso, a entidade acredita que, entre 15 de maio e 15 de junho, os frigoríficos brasileiros deverão encerrar progressivamente os abates destinados à China com o avanço do preenchimento da cota.
Em coletiva de imprensa na semana passada, o presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que as empresas seguem a estratégia de manter proximidade com os importadores chineses, independentemente da cota. Nesta semana, a diretoria da entidade passará por Pequim e Chongqing, no interior da China, para encontros com compradores de carne bovina. Também há tentativa de agenda com o governo chinês.
"Tudo o que a gente previu no começo do ano está acontecendo. Inclusive sobre preços da arroba do boi, por conta da aceleração da produção para a cota China", afirmou o executivo na conversa com os jornalistas. Ele ressaltou que não há mercado capaz de absorver a carne que deixará de ser enviada para os chineses caso não haja flexibilização nos volumes autorizados sem tarifa.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil consideram a exportação de 1,091 milhão de toneladas de carne bovina para todos os destinos no acumulado de janeiro a abril, crescimento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o volume embarcado foi de 951,5 mil toneladas. A receita no primeiro quadrimestre alcançou US$ 6,047 bilhões, avanço de 32,8% frente ao mesmo período do ano anterior.
A China também liderou as compras da carne bovina brasileira no acumulado do ano, com 474,2 mil toneladas importadas e receita de US$ 2,724 bilhões, representando 43,5% do volume total exportado pelo Brasil e 45% do faturamento do setor no período. Na comparação anual, o volume embarcado ao mercado chinês avançou 28,8%.
Os dados consideram o que foi embarcado a partir de 1º de janeiro. Já os chineses contabilizam o que entrou nos portos. Boa parte do volume foi exportado antes, ainda em 2025. O tempo de viagem dos navios é de cerca de 45 dias.
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