Agro
Algodão perde espaço para milho na segunda safra em Mato Grosso
Custos altos de manejo e preços menos favoráveis da fibra criam desafios para o plantio da fibra
Rural | 30 de Março de 2026 as 15h 23min
Fonte: Globo Rural

Responsável por cerca de 70% da produção nacional de algodão, Mato Grosso se consolidou como o principal polo da cotonicultura brasileira, sustentado por clima favorável, tecnologia e um sistema produtivo eficiente. No Estado, o algodão é cultivado na segunda safra, após a soja, modelo que impulsionou a expansão da cultura.
No entanto, os custos altos de manejo e preços menos favoráveis da fibra fazem com que o algodão perca espaço para o milho no plantio da segunda safra.
Na safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que área plantada no Mato Grosso recuou 3,5% em comparação à última temporada, para 1,4 milhão de hectares. Já o milho segunda safra teve aumento na área para o Estado, de 2,9%.
Para Luana Bonamigo, gerente de Produto de Algodão na Bayer, fatores operacionais também influenciam diretamente na variação da área. “Se não houver controle adequado ao longo do ciclo ou cuidado na colheita, isso pode impactar a qualidade da fibra e até o desempenho na indústria”, afirmou.
O manejo da lavoura segue como um dos principais desafios para o produtor. O bicudo-do-algodoeiro ainda é a praga mais relevante e exige controle rigoroso. “São mais de 20 aplicações ao longo da safra para controle do bicudo, o que encarece a produção”, destaca Luana.
O longo ciclo das plantas, que pode chegar a cerca de 180 dias, também aumenta a complexidade. “É uma cultura que exige cuidado do primeiro ao último dia no campo”, completa.
A atividade também enfrenta desafios econômicos. Por ser uma cultura intensiva em insumos, o custo de produção elevado tem impacto direto nas decisões do produtor, especialmente em cenários de preços pressionados.
“O algodão é uma cultura que demanda mais investimento. Quando o milho atinge determinado patamar de preço, ele passa a ser uma alternativa atrativa pelo menor custo para a segunda safra”, explicou Bonamigo.
Segundo a Conab, o cenário de preços em patamar considerado baixo tem travado as negociações e contribuído para a redução de área plantada em relação à safra passada.
Para a especialista, o futuro da cotonicultura passa pelo equilíbrio entre produtividade, qualidade e custo. “O produtor busca segurança. Não é só produzir mais, mas garantir estabilidade ao longo dos anos”, concluiu Luana.
Notícias dos Poderes
Corrida para exportar carne à China faz preço do boi bater recorde
Cotações tendem a se manter em níveis elevados até o preenchimento da cota de compras chinesas
10 de Abril de 2026 as 12h42Câmara rejeita mudanças no seguro-defeso feitas pelo Senado
Texto, que segue para sanção presidencial, endurece as regras para concessão do benefício; teto da despesa é de R$ 7,9 bilhões
10 de Abril de 2026 as 09h40Artemis II: como o agro conecta o Brasil às missões espaciais da Nasa
Entenda a participação do país na produção de alimentos fora da Terra
08 de Abril de 2026 as 12h24Agro do Brasil pode estabelecer relações melhores com os EUA, diz secretário
Mercado americano é o terceiro maior comprador de produtos agropecuários brasileiros, atrás apenas da China e da União Europeia
08 de Abril de 2026 as 09h22Bancada ruralista articula projeto para renegociação de dívidas rurais
Parlamentares querem destravar a tramitação do projeto de lei 5.122/2023, que trata de uma repactuação com uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal
08 de Abril de 2026 as 11h20Safra 2025/26 avança com bom desenvolvimento, apesar de irregularidade climática no Brasil
07 de Abril de 2026 as 13h57Nova levedura pode elevar receita de usinas de etanol de milho em até R$ 34 milhões por ano
07 de Abril de 2026 as 12h55Número de empresas agroexportadoras cresce 60% em 10 anos
Grandes e médias são a maioria, mas pequenas tiveram maior aumento
06 de Abril de 2026 as 13h12