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Entrevista

'Moradia deve ser prioridade política', defende Scheila

Cadidatura da ex-primeira dama de Sinop vai focar no social e tem habitação como ponto principal

Política | 27 de Janeiro de 2026 as 13h 12min
Fonte: Jamerson Miléski

Com casa própria a vida da pessoa muda”. Esse talvez seja o eixo principal da visão política da ex-primeira dama de Sinop e atual secretária de Habitação, Scheila Pedroso da Silva. Arquiteta e urbanista de formação, Scheila cumpriu o papel clássico atribuído às primeiras-damas nos primeiros 4 anos da gestão Roberto Dorner – quando conduziu a Secretaria de Assistência Social. No início do segundo mandato divorciou a Habitação da Assistência Social, criou uma nova e mais robusta secretaria para gerenciar o assunto e um ano depois se separou do prefeito. Mas Scheila continua na gestão, continua como presidente da Associação das Primeiras-damas de Mato Grosso e agora galga uma candidatura como deputada estadual. “Nesses 4 anos na Secretaria de Assistência Social percebi que a Habitação era importante demais, precisava de uma atenção própria para cumprir seu propósito. Por isso criamos uma nova secretaria para dar autonomia a Habitação e evitar que o assunto se perca no assistencialismo”, comentou Scheila.

A visão política da ex-primeira dama foi compartilhada durante uma entrevista exclusiva ao GC Notícias na última sexta-feira (23). Scheila contou que quando o Residencial Nico Baracat foi lançado, no ano de 2013, ela era uma jovem estudante universitária vinda de outra cidade e que precisava de moradia. Ela se inscreveu no programa para conseguir a ter acesso a um dos 1.440 apartamentos populares construídos na extensão da MT-140 em Sinop. Queria um teto para começar sua vida, mas não conseguiu. Quis o destino que 12 anos depois fosse sua competência concluir o residencial e entregar os apartamentos populares para essas famílias carentes. “O desfecho do Nico Baracat foi um dos momentos mais intensos da minha vida. Eu pude sentir a emoção daquelas pessoas que estavam recebendo um teto, mostrando carinho e reconhecimento pelo nosso trabalho. Na minha formação sempre foquei no assunto habitação social. Fazendo as coisas acontecerem, primeiro como Secretária de Assistência Social e depois de Habitação, tive a certeza que a moradia é a coisa mais importante que o poder público pode fazer pelo social”, ressaltou Scheila.

Além de concluir o programa habitacional que se arrastava por mais de uma década, Scheila conseguiu quebrar a redoma que limitava a Habitação ao assistencialismo. “Dentro da Assistência Social a habitação ficava sufocada, já que a pasta existe para atender exclusivamente as famílias de baixa renda, que são os destinatários dos programas sociais. Mas essa é apenas uma parcela das pessoas que precisa ter acesso a moradia. Em Sinop, famílias que ganham dois salários mínimos não são assistidas pela Assistência Social e ao mesmo tempo não conseguem ter sua casa própria sem um auxílio do poder público”, explicou Scheila.

A proposta era fazer uma ação para essa larga fatia da população que ganha entre 2 e 4 salários mínimos e que pelo custo de vida de Sinop não consegue comprar sua casa. Com a Secretaria de Habitação projetos da chamada “Faixa 2” começaram ser assistidos. Scheila e a equipe da pasta também criaram outras políticas públicas para essa parcela da população.

Como a Lei da Assistência Técnica. Hoje em Sinop quem ganha até 3 salários mínimos consegue via secretaria de forma gratuita o Projeto Técnico para uma residência de até 64 metros quadrados, com a possibilidade de ampliação de mais 15 metros quadrados. Isso permite que o cidadão dê entrada em um terreno e comece a construir por conta, saindo do aluguel. O programa ainda dá isenção das taxas de construção, inclusive do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza). A lei da Assistência técnica foi criada em 2020, antes de Dorner e Scheila assumirem, mas a aplicação de fato só ocorreu na atual gestão. “Essa ação foi eleita como o 3º melhor projeto Habitacional do Brasil em 2022. O que queremos é transformá-lo em uma política pública para todo Mato Grosso”, pontuou Scheila.

A atualização do Código de Obras do município, a construção de um novo Plano Diretor e o avanço nas ações de regularização fundiária estão na lista de ações que ocorreram durante a passagem de Scheila pelo setor.

 

Convocada pelo desempenhos

O sonho de fazer gestão pública era do Roberto. Eu não gostava de política. Não trabalhei pensando em ser deputada ou então prefeita, como alguns falam. Mas a população espera que a gente continue fazendo”, declarou Scheila.

A secretária acredita que seu projeto para uma candidatura a deputada estadual é um resultado orgânico do desempenho que teve na gestão pública. Ela lembrou que Dorner foi reeleito com 70% dos votos, evidenciando que a população “enxergou” o que a gestão fez. Frente a Assistência Social Scheila Sinop reduziu em 5% o número de pessoas em condição de pobreza extrema – o que ocorreu em plena pandemia. “Acredito que a minha pré-candidatura para deputada não é uma escolha minha. Se meu nome é apontado como eventual candidata é porque a população deseja, principalmente os mais carentes e os idosos”, comentou.

Caso sua candidatura se confirme, Scheila disse que pretende se apresentar como uma força política em prol da Assistência Social. Quando ainda era apenas a esposa de Roberto, um ano antes da primeira eleição, Scheila começou a se preparar para a função de Primeira-dama. Quem guiou Scheila na compreensão do que é fazer Assistência Social foi Daniela Sevignani, servidora pública de longa data, com experiência em gestão pública na área social e por acaso sua amiga. “Me preparei para a função. O Roberto queria ser prefeito e contava com minha ajuda. O plano era ter um mandato apenas. Então era preciso correr para gerar resultados”, lembra Scheila.

Os avanços promovidos pelas políticas públicas da Assistência Social passaram a balizar Scheila. Quando se viu na posição de possível candidata a deputada, tentou encontrar uma base política compatível. Ela se filiou ao Podemos e buscou como “padrinho político” Max Russi, presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. “O Max tem uma ligação com os profissionais que atuam na Assistência Social em todo Estado. São pessoas que entendem a importância desse setor e buscam candidatos que defendam essa causa”, ressaltou.

O apoio rendeu a Scheila o acesso à lideranças políticas em diferentes municípios que devem compor a sua base eleitoral. Ela também conta com uma presença em Terra Nova do Norte, onde nasceu e onde moram seus familiares. Por viver muitos anos em Sorriso, Scheila também tem apoiadores na capital da soja. “Vamos erguer essa força feminina da representatividade da mulher na política do Nortão de Mato Grosso”, frisou.

Sobre a sua principal base eleitoral, Scheila acredita que Sinop tenha plenas condições de fazer 3 deputados estaduais na próxima eleição. Ela defende uma maior representatividade local, que resulte em conquistas reais para a 4ª maior cidade de Mato Grosso. “Eu puxei a lista das emendas parlamentares do último ano. Sinop recebeu R$ 15 milhões em emendas. Municípios menos populosos receberam duas vezes mais recursos. Isso é falta de representatividade política”, criticou.

Sobre sua candidatura ser um “projeto juvenil”, recém concebido, Scheila diz que respeita a história de todos que vieram antes, que há anos estão galgando um espaço na política. No entanto, faz ressalvas de que o eleitorado também procura uma renovação para arejar a gestão pública. “Muitas candidaturas para deputado estadual são apenas para manter o eleitorado ativo em torno de uma causa, mas de fato nunca chegam a se viabilizar”, ressaltou.

 

Scheila é a candidata de Dorner?

Do coração dele eu sei que sou”, respondeu Scheila em tom de brincadeira. Ela acredita que Dorner renderá apoio a reeleição de Dilmar Dal’Bosco, que faz parte do grupo político. A leitura é que não haverá outra candidatura dentro da atual gestão além de Scheila. “Não sei se Roberto vai abraçar um único candidato a deputado como fez na eleição passada”, apontou.

Scheila acredita que Sinop deve ter apenas 3 candidatos a deputado estadual, para que consiga fazer 3 cadeiras na Assembleia com o eleitorado local. Ela disse que pretende fazer um movimento para que pré-candidatos locais se reúnam em torno dessa ideia, para que a cidade não perca representatividade política.

Sobre a possibilidade dela abrir mão em prol de outra candidatura, Scheila destacou que não vê problemas em encerrar seu projeto, desde que seja o certo a fazer. “As pesquisas devem apontar quais são os nomes mais fortes. Não é meu sonho ser candidata. Estou aqui para somar e porque acredito que meu nome é viável. Não tenho ego. Se for o melhor a fazer, retiro minha candidatura”, finalizou.

Além de Scheila e Dilmar, também são apontados como possíveis candidatos a deputado estadual, tendo sua base em Sinop o ex-deputado Silvano Amaral, os vereadores Adenilson Rocha, Hedvaldo Costa, Moisés Tavares, Marcos Vinicius e Remídio Kuntz, a ex-vereadora Graciele Santos e o apresentador de TV Anderson Oliveira.