Sugundo relatório
Brasil supera EUA em ranking mundial de democracia pela 1ª vez
Relatório aponta o país como o principal caso de reversão de retrocessos recentes, num grupo ainda pequeno de nações
Política | 19 de Março de 2026 as 15h 53min
Fonte: Folhapress

O Brasil aparece à frente dos Estados Unidos em um ranking global de democracia pela primeira vez, segundo o Relatório da Democracia 2026 do Instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia.
O Brasil subiu e os EUA despencaram no ranking.
O levantamento coloca o país na 28ª posição entre 179 países, enquanto os Estados Unidos caíram para o 51º lugar, após uma queda abrupta no último ano.
A mudança reflete trajetórias opostas.
Enquanto o Brasil é citado como exemplo de recuperação democrática, os EUA passam por um processo acelerado de deterioração institucional, segundo os pesquisadores.
O país perde status histórico. Pela primeira vez em mais de 50 anos, os Estados Unidos deixaram de ser classificados como uma democracia liberal e passaram a ser apenas uma democracia eleitoral.
EM RECUPERAÇÃO DEMOCRÁTICA
O Brasil lidera grupo que reverteu “autocratização”.
O relatório aponta o país como o principal caso de reversão desses retrocessos democráticos recentes, dentro de um grupo ainda pequeno de nações.
O processo começou com crise política recente. A autocratização brasileira (quando um país vai perdendo características democráticas e concentrando poder em líderes ou grupos), segundo o estudo, teve início após o impeachment de Dilma Rousseff e se aprofundou a partir da eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
A reversão ocorreu após eleição de 2022. A vitória de Lula, apoiado por uma ampla coalizão, é apontada como o ponto de inflexão que interrompeu o processo de deterioração institucional.
A dmocracia foi preservada antes de colapso. Segundo o V-Dem, o Brasil conseguiu reverter o quadro antes de uma ruptura completa do regime democrático, o que o diferencia de outros países.
“Ainda assim, a sociedade brasileira permanece profundamente polarizada, e as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro. Bolsonaro, porém, está impedido de ocupar cargos públicos, após ser condenado por abuso de poder e tentativa de golpe”, disse o relatório da Democracia 2026 do Instituto V-Dem.
DETERORIAÇÃO SEM PRECEDENTES
Queda dos EUA é a maior da história recente. O relatório indica que o país registrou a maior perda anual já medida em seus indicadores democráticos.
Índices despencaram em um ano. O país teve queda de 24% no índice de democracia liberal e retornou a níveis comparáveis aos da década de 1960.
Concentração de poder é um fator central, segundo pesquisadores. O estudo aponta aumento do poder do Executivo, enfraquecimento de mecanismos de controle e pressão sobre Judiciário, imprensa e sociedade civil como principais causas.
Velocidade da queda chama atenção. Os pesquisadores classificam o ritmo de deterioração como “sem precedentes” entre democracias modernas, destacando o caso americano como atípico mesmo em um cenário global de retrocesso.
RETROCESSO DEMOCRÁTICO GLOBAL
O mundo vive nova onda de autocratização. O relatório aponta que quase um quarto dos países passa por retrocessos democráticos em 2025.
A democracia global voltou ao nível de 1978. Para o cidadão médio do mundo, os avanços conquistados desde a chamada “terceira onda de democratização” foram praticamente anulados.
Maioria da população vive sob regimes autoritários. Hoje, 74% da população mundial está em autocracias, enquanto apenas 7% vive em democracias liberais.
Países ricos também entram em declínio. O estudo destaca que grandes economias e democracias consolidadas – como EUA, Reino Unido e Itália- estão entre os casos recentes de deterioração institucional.
Impacto pode ser global. Segundo os autores, o enfraquecimento democrático em países influentes tende a afetar regras internacionais, comércio e a própria ordem global.
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