'Desgaste eleitoral'
Bancada bolsonarista de MT passam a defender fim da escala 6x1
Política | 27 de Maio de 2026 as 11h 50min
Fonte: Gazeta Digital

Após se posicionarem contra o fim da escala 6x1 – em que o trabalhador trabalha 6 dias na semana e tem apenas um dia de descanso – ou mantê-la até 2036, os deputados federais do PL de Mato Grosso, decidiram mudar de posição após o partido temer desgaste político em ano eleitoral.
Agora, além de defender o fim da escala, os bolsonaristas apresentarão uma emenda para implementar a escala 4x3, ou seja, que o trabalhador tenha 3 dias de descanso na semana. A mudança de postura, segundo deputados bolsonaristas mato-grossense, ocorre por culpa do governo Lula (PT), que segundo eles, estaria tratando o tema de forma ‘eleitoreira’. Mesmo sendo contrários, acabarão seguindo a orientação partidária.
O deputado federal José Medeiros (PL), que é pré-candidato ao Senado, alega que o fim da escala 6x1 dará esperança para o trabalhador em descansar mais, porém, na prática, trará desemprego.
“Será uma alegria momentânea e decepção depois. Porque não existe almoço grátis. Os empresários demitirão seus funcionários para tentar contratar outros por um salário menor”, disse, mesmo sabendo que a proposta que entrará em votação não permite a diminuição salarial. “É um jogo eleitoral. Então, se for assim, vamos defender a escala 4x3. Vamos ver se o governo vai apoiar isso”, completou.
Já a deputada federal Coronel Fernanda (PL) negou que o PL foi contra o fim da escala 6x1, mesmo já tendo dado declarações que seria contra a proposta porque traria desemprego. Segundo ela, o que o partido quer é uma contrapartida do governo para os empresários.
“A gente quer que o governo compense o patrão, porque o trabalhador não vive sem o patrão, e o patrão não vive se o trabalhador. Um depende do outro. A gente quer redução de impostos”, pontuou.
O deputado federal Nelson Barbudo (PL) justifica a mudança de voto, alegando que o governo Lula é populista e irresponsável, e que estaria mentindo a população. “O Estado não tem que dizer o tanto que o cidadão deva trabalhar ou não. O Estado não tem poder sobre o que o cidadão vai fazer ou não. Isso é próprio de ditadura”, alegou.
“Nós da direita também gostamos do trabalhador e, portanto, nós, analisando e ouvindo a narrativa do governo que mudar de 6x1 para 5x2 não onera o empresário, 4x3 também não onera. Essa narrativa tem que ser verdadeira. Portanto, nós estamos a favor agora, então, do trabalhador, e nós somos a favor. Eu também. Eu vou votar 4x3”, completou.
O deputado federal Rodrigo da Zaeli (PL) alegou em tom irônico que a mudança de posição foi devido que, todos os estudos que o governo apresentou não preveem prejuízos econômicos. "Mesmo eu não acreditando nisso, resolvemos melhorar a proposta e dar mais dias de descanso, já que não há prejuízo, segundo o governo".
O deputado Coronel Assis (PL) não respondeu.
Recalculando a rota
O anúncio foi feito na noite de terça-feira (26), no plenário da Câmara, pelo líder do partido, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Porém, a postura contrasta com o coordenador da campanha presidenciável do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador Rogério Marinho (PL-RN), que classificou um fim da escala 6x1 como um ‘desastre para o país’.
"Eu, por mim, voto contra o relatório dele, do pé ao cabeçalho. Estou falando como senador que tem responsabilidade com o país. Essa é a minha posição pessoal, em respeito ao meu mandato e à histórica que construí", disse.
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