Em prisão domiciliar
TJ nega anular provas contra advogada acusada de elo com facção
Dayane Karol Moreira foi alvo da Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil no dia 30 de julho
Polícia | 04 de Setembro de 2026 as 07h 25min
Fonte: Mídia news

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) negou pedido liminar da defesa da advogada e influenciadora Dayane Karol Moreira, que tentava anular provas obtidas durante a Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa.
Dayane foi alvo da operação em 30 de julho e, segundo a investigação, teria atuado na ocultação e dissimulação de patrimônio de Paulo Witer Farias Paelo, o WT, apontado pela Polícia Civil como tesoureiro da facção. A advogada cumpre prisão domiciliar.
A decisão foi assinada pelo desembargador Marcos Machado, da Primeira Câmara Criminal do TJ-MT, e publicada nesta quinta-feira (3).
No recurso, os advogados de Dayane apontaram supostas irregularidades na obtenção das provas durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Segundo a defesa, a ordem judicial teria sido cumprida em endereço diferente daquele autorizado pela Justiça.
A defesa também alegou que a diligência ocorreu sem a presença de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que, segundo os advogados, deveria acompanhar o cumprimento do mandado em razão da atividade profissional exercida por Dayane.
Ao analisar o pedido, no entanto, o desembargador afirmou que documentos apresentados pela própria defesa, entre eles contratos de prestação de serviços e a declaração de Imposto de Renda da investigada, indicavam o local onde ocorreu a busca como endereço profissional e domicílio fiscal da advogada.
A defesa também pediu a liberdade de Dayane ou o relaxamento da prisão, sob o argumento de que ela é mãe de uma criança de oito anos.
O magistrado ponderou, porém, que a advogada já havia sido beneficiada com a substituição da prisão preventiva pela domiciliar pelo juízo de origem.
A prisão domiciliar foi concedida pela juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá, na última sexta-feira (21).
Dissimulação de patrimônio
A Polícia Civil investiga crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro que teriam sido praticados por um grupo ligado a Paulo Witer Farias Paelo, o WT, apontado como tesoureiro da maior facção criminosa de Mato Grosso.
WT está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, mas, segundo as investigações, continuaria atuando de dentro da unidade prisional. Durante a Operação Replay, um novo mandado de prisão preventiva foi cumprido contra ele.
De acordo com a Polícia Civil, Dayane atuava na ocultação e dissimulação do patrimônio de WT, incluindo imóveis de alto padrão em Itapema (SC), que teriam sido adquiridos em nome de "laranjas".
Nas redes sociais, a influenciadora compartilhava registros de uma rotina de luxo, com viagens para diferentes destinos do país.
Operação Replay
Ao todo, a Operação Replay cumpriu 10 mandados de prisão preventiva, além de medidas cautelares contra 14 investigados em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
Também foram presos Thawany Nunes Silva de Bulhões, esposa de WT; o ex-assessor parlamentar da Câmara de Cuiabá Brunno Passos da Silva; o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como Soldado; Emerson Ferreira Lima, o Gordinho; e a influenciadora Katani Adorno Bocardi, esposa de Emerson.
A lista de presos inclui ainda Aldemir de Assis Campos, o Tucão; Ygor Henrique da Silva Martins; e Anderson Alves de Sousa.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores estimados em mais de R$ 17,2 milhões. Entre os patrimônios atingidos pelas medidas estão apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos.
Também foi determinado o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros. Segundo a Polícia Civil, o montante corresponde à movimentação identificada em uma contabilidade apreendida durante as investigações.
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