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Bom dia, Quinta Feira 15 de Outubro de 2026

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Caso internacional

Pai pede investigação após 12 crianças e jovens terem câncer raro na mesma vizinhança

Os jovens foram diagnosticados com sarcoma de Ewing, acendendo um alerta na região

Polícia | 19 de Agosto de 2026 as 08h 30min
Fonte: Revista Crescer

Lilly não resistiu Foto: Reprodução/People

Três dias após se formar na Universidade Loyola, em Nova Orleans (EUA), Lilly Dalton contou aos pais que estava com dores no estômago. Pouco depois, os médicos descobriram um tumor no fígado da jovem, de 21 anos, e ela recebeu o diagnóstico de um câncer extremamente raro e sem precedentes.

Lilly cresceu em Laguna Niguel, cidade do condado de Orange, na Califórnia, localizada a cerca de 10 quilômetros de Ladera Ranch, onde 12 crianças e jovens adultos foram diagnosticados com outro tipo raro de câncer: o sarcoma de Ewing.

"Isso não pode ser coincidência", afirma o pai dela, Brian Dalton, 49, à revista americana People. "Ter tantos casos de câncer surgindo em uma comunidade tão pequena é algo absurdo."

Lilly morreu em janeiro de 2026. Os pais acreditam que, se ela ainda estivesse viva, estaria compartilhando sua história para ajudar a salvar a vida de outras crianças. Agora, em seu lugar, eles decidiram tornar o caso público e cobrar uma investigação para descobrir o que pode estar adoecendo tantos jovens na região.

A jovem completaria 24 anos em 6 de agosto. Na data, os pais passaram o dia em Nova Orleans, sua cidade favorita, onde espalharam parte de suas cinzas.

'Ela já havia reclamado desse incômodo antes, no início, não demos muita importância'

"Três dias depois de se formar, em maio de 2024, Lilly ligou para nós, em Idaho, dizendo que estava com dores no estômago. Ela já havia reclamado desse incômodo antes, então, no início, não demos muita importância", conta o pai.

Ela foi para o pronto-socorro, onde os médicos disseram que, provavelmente, era gastrite e a mandaram para casa, orientando que voltasse caso os sintomas piorassem. E foi exatamente o que aconteceu.

Quando retornou ao hospital, exames de imagem revelaram um tumor no fígado. O médico disse que havia a possibilidade de ser câncer. Ela ligou para a mãe no meio da madrugada, completamente desesperada. "Organizamos tudo para que voltasse para casa. A médica de atenção primária da minha esposa analisou os exames, confirmou a presença de uma massa no fígado de Lilly e marcou uma cirurgia para retirar parte do órgão", lembra.

Durante o procedimento, os médicos removeram o tumor principal e encontraram vários outros menores. As amostras foram enviadas para análise, mas ninguém conseguia identificar exatamente de que tipo de câncer se tratava.

Até que, em setembro de 2024, Lilly foi diagnosticada com tumor desmoplásico de pequenas células redondas (DSRCT, na sigla em inglês), um câncer extremamente raro, cuja taxa de sobrevida em cinco anos é de cerca de 15%. "Na verdade, o caso da Lilly era único. Ninguém nunca tinha visto exatamente esse tipo de tumor antes. Os médicos o classificaram como DSRCT porque era a doença mais parecida."

Como os médicos em Idaho não tinham condições de tratá-la, ela foi encaminhada ao Huntsman Cancer Institute, em Salt Lake City. "Lilly passou por seis ciclos de uma quimioterapia extremamente agressiva, conhecida como 'Red Devil' ('Diabo Vermelho', em tradução livre). O tratamento, porém, não estava surtindo efeito", diz Brian.

Então, os médicos recomendaram uma cirurgia chamada quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC). No procedimento, o abdômen é aberto do osso da pelve até o esterno para que os cirurgiões removam todos os tumores visíveis.

Lilly tinha cerca de 30 pequenos tumores. Depois de retirá-los, os médicos preencheram a cavidade abdominal com quimioterapia aquecida e a mantiveram deitada de lado por algumas horas, para que o medicamento atingisse possíveis células cancerígenas que não podiam ser vistas durante a cirurgia.

'Tinha toda uma vida pela frente'

"Ela sofreu muito depois disso", recorda o pai. Ela ficou internada por 23 dias. "A recuperação foi muito difícil. Depois disso, passou por mais seis ciclos de quimioterapia e também fez radioterapia em todo o abdômen e protonterapia. Mas nada funcionou. Na verdade, a doença continuou avançando."

Como última tentativa, os médicos administraram uma dose muito alta de quimioterapia. O tratamento provocou neurotoxicidade, comprometendo o sistema nervoso dela. Sem alternativas terapêuticas, Lilly recebeu cuidados paliativos em casa e morreu duas semanas depois, em 25 de janeiro de 2026.

"Ela era minha melhor amiga. Era tudo para mim. Mesmo durante a doença, Lilly usou as redes sociais para conscientizar as pessoas sobre os sarcomas e outros tipos raros de câncer. Segundo o pai, ela impactou a vida de muita gente. Ela era uma pessoa extraordinária e tinha toda uma vida pela frente", lamenta Brian.

'Isso não pode ser coincidência'

"Quando ouvi falar do que estava acontecendo em Ladera Ranch, pensei: 'Isso não pode ser coincidência'", afirma o pai. A comunidade, localizada a cerca de 10 quilômetros da cidade onde Lilly cresceu, registrou um agrupamento incomum de casos de câncer. Pelo menos 12 crianças e jovens foram diagnosticados com sarcoma de Ewing. "Ter tantos casos de um câncer tão raro surgindo em uma comunidade tão pequena é algo inacreditável", diz.

"Se a Lilly soubesse do que está acontecendo em Ladera Ranch, ela seria uma voz em defesa dessas outras crianças. Por isso, fui a uma audiência pública e contei a história dela diante de centenas de pessoas que cobravam respostas sobre por que tantas crianças estão adoecendo e morrendo. Se houver qualquer coisa que possamos fazer para ajudar outras famílias que estão passando — ou ainda vão passar — por isso, nós faremos. Era isso que ela gostaria."

Embora Lilly tenha desenvolvido um tipo de câncer diferente do diagnosticado nas crianças de Ladera Ranch — que têm sarcoma de Ewing —, Brian afirma que os médicos identificaram uma possível ligação entre os casos. "Os médicos disseram que o tumor da Lilly era um DSRCT com uma fusão genética característica do sarcoma de Ewing combinada com um tumor de Wilms."

Ao lembrar da filha, ele diz que ela enfrentou toda a doença com uma força impressionante. "A Lilly foi uma verdadeira guerreira. Era muito forte. Lutou até o fim. Era uma pessoa cheia de alegria e esperança. Nunca quis que ninguém ficasse triste. Ela me ensinou a ter fé e a confiar no processo."

As últimas palavras entre pai e filha foram simples. "Nós só dizíamos: 'Eu te amo'. Repetimos isso muitas vezes. Quando perguntei, ainda nos cuidados paliativos, o que ela desejava para a minha vida, ela respondeu apenas: 'Seja a melhor versão de si mesmo'. Sentimos a falta dela todos os dias. E a dor não está ficando mais fácil", finaliza.


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