Caso UFMT
Pai de aluno investigado por lista de 'estupráveis' e que ameaçou estudantes é policial federal
Conforme apurado pela reportagem, ele já foi intimado para prestar depoimento, mas ainda não compareceu à delegacia
Polícia | 19 de Maio de 2026 as 19h 04min
Fonte: Repórter MT

O pai de um aluno do curso de Engenharia Civil que foi até a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para ameaçar estudantes é um policial federal da ativa. As investigações sobre o caso são conduzidas pela 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá. O filho dele é investigado por produzir, junto a um estudante do curso de Direito, um ranking com as alunas mais “estupráveis” da instituição. Ambos estão suspensos até o desenrolar das investigações.
Conforme apurado pela reportagem, o policial federal já foi intimado para prestar depoimento, mas ainda não compareceu à delegacia. Ele teria dito a estudantes da instituição que “se o filho dele não se formasse, os demais também não se formariam”.
As ameaças ocorreram na quarta-feira (13). Câmeras de segurança flagraram o momento em que o homem se aproximou de um estudante e teria feito a declaração.
O aluno ameaçado, junto a outros discentes, relatou o ocorrido aos representantes da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET). Por sua vez, a coordenação da FAET acionou a Reitoria, que orientou, no mesmo sentido da direção da unidade, para que os alunos realizassem o registro formal da ocorrência junto às autoridades competentes.
Os estudantes, acompanhados por um advogado que é parente de um dos alunos abordados, registraram boletim de ocorrência e formalizaram representação criminal junto à Polícia Civil.
A universidade também instaurou Comissão de Inquérito Disciplinar Discente na FAET e na Faculdade de Direito para apuração dos fatos relacionados ao caso.
Diante da situação, o Colegiado do Curso de Engenharia Civil decidiu que as aulas teóricas das turmas do 1º semestre, no Campus Cuiabá, seriam ministradas de forma remota entre os dias 14 e 18 de maio. Já as atividades práticas foram suspensas e serão reagendadas.
O caso
A denúncia de que um calouro do curso de Direito teria criado uma lista com nomes de alunas “estupráveis” da universidade foi encaminhada no dia 4 de maio à Faculdade de Direito, por meio de registros de conversas privadas via WhatsApp.
Assim que tomou conhecimento da gravidade do conteúdo, a faculdade instaurou procedimento administrativo para apurar a veracidade dos fatos e a responsabilidade disciplinar dos envolvidos. O processo é conduzido sob sigilo, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). No dia 6 de maio, o aluno foi suspenso.
O caso também é investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), enquanto a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher abriu inquérito para apurar os fatos. A delegada Liliane Diogo informou que os depoimentos terão início para investigar a conduta dos envolvidos e verificar se há outras pessoas ligadas ao caso. Inicialmente, os acusados poderão responder por incitação ao crime, mas a quantidade de delitos pode aumentar conforme o avanço das investigações.
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