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Desembargador afastado

Mensagens em celular de Zampieri revelam que venda de sentença foi negociada em 15 segundos com Dirceu

Mensagens retiradas do celular de Zampieri revelam que Dirceu dos Santos agia como

Polícia | 05 de Março de 2026 as 16h 30min
Fonte: Repórter MT

Foto: Reprodução

As mensagens extraídas do celular do advogado Roberto Zampieri, executado em dezembro de 2023, revelam o funcionamento de um verdadeiro balcão de negócios no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Em um dos casos, uma suposta venda de sentença foi negociada em 15 segundos.

De acordo com a decisão do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, o desembargador Dirceu dos Santos operava um esquema de venda de decisões por meio do empresário Luciano Cândido Amaral, identificado nos contatos de Zampieri pelo apelido "IRMÃO GÊMEO – DD".

A sigla, segundo a perícia, era uma referência direta ao magistrado, de quem Luciano foi sócio na empresa Maislaser Cuiabá Ltda. entre 2022 e 2024. O relatório técnico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) detalha a velocidade da engrenagem criminosa.

No dia 27 de setembro de 2023, um advogado solicitou a intervenção de Zampieri para obter um efeito suspensivo em um recurso da empresa Pace Participação. Apenas 15 segundos após confirmar o pedido, Zampieri encaminhou o arquivo do processo para o empresário Luciano Amaral.

"Veja se consegue organizar esse efeito suspensivo". A resposta do magistrado foi imediata e no dia seguinte, 28 de setembro, Dirceu dos Santos assinou a decisão favorável. Após a publicação, o intermediário Luciano confirmou o sucesso da operação com a mensagem: "tá tudo certo".

PRINT CELULAR ZAMPIERI

Um verdadeiro leilão de "quem dá mais"

O documento revela que a negociação continuou após a liminar. Em 2 de outubro, Zampieri cobrou do advogado o pagamento de "honorários" (termo usado como código para propina).

Em um tom de ameaça, o lobista alertou que o cliente precisava pagar o valor discutido, caso contrário, haveria um "pedido em sentido contrário", sugerindo que a decisão judicial estava em um leilão de quem pagasse mais.

Conforme o documento, as contas bancárias de Roberto Zampieri eram movimentadas por sua secretária, Danúbia Albanezi Rabello Borges.

Segundo o relatório de inteligência, era ela quem recebia as ordens do advogado para efetuar os depósitos em favor de Luciano Cândido Amaral e de empresas ligadas a ele e a seu filho, Lucas Henrique Amaral.

A perícia no software "Cellebrite Reader" recuperou prints de conversas no WhatsApp onde os comprovantes eram enviados para conferência; veja abaixo:

 

 

PRINT TRANSFERENCIA ZAMPIERI 2

 

PRINT TRANSFERÊNCIA ZAMPIERI 3

 

 

A decisão cita três transferências específicas documentadas por prints de diálogos entre Zampieri e Danúbia:

21/05/2021: Transferência de R$ 50.000,00 da conta de Zampieri para Luciano Cândido Amaral (Banco Bradesco). No print, Zampieri encaminha os dados bancários e Danúbia responde com o comprovante do SISBB às 16h17.

31/03/2022: Depósito de R$ 50.000,00. Zampieri ordena: "Passa 50 mil p essa conta". Danúbia executa a TED via Sicredi e envia o print da autenticação eletrônica às 15:05.

26/07/2022: Transferência de R$ 25.000,00. O diálogo mostra o envio dos dados do PIX e do banco Bradesco, com o respectivo comprovante anexado na sequência.

Além desses registros diretos, a quebra de sigilo bancário revelou que o fluxo total de repasses de Zampieri para o entorno de Luciano Amaral alcançou aproximadamente R$ 600 mil entre 2020 e 2023.

O ministro relator ressalta que "raramente os depósitos faziam referência a qualquer negócio jurídico de caráter lícito", reforçando a tese de que os valores eram pagamentos por decisões judiciais proferidas pelo desembargador Dirceu dos Santos.

O rastro do dinheiro chegou à família do desembargador: a Veritas Construtora, de propriedade de Luciano, transferiu R$ 140 mil diretamente para a conta de Carla Patrícia Monteiro dos Santos, esposa de Dirceu.

Para o CNJ, o repasse configura lavagem de capitais e dissimulação de vantagem indevida. Além da corrupção ativa e passiva, o magistrado é investigado por manter um patrimônio de 92 imóveis, incluindo uma mansão na Flórida (EUA), volume considerado incompatível com os subsídios da magistratura.