'Holding' do crime
Justiça mantém presa médica acusada de participar de esquema de tráfico de cocaína que movimentou R$ 500 milhões em MT
Naiara Batistello Barbosa, de 38 anos, é apontada como operadora financeira de esquema interestadual
Polícia | 02 de Março de 2026 as 07h 29min
Fonte: Repórter MT

A médica Naiara Batistello Barbosa, de 38 anos, passou por audiência de custódia nessa sexta-feira (27), e teve a prisão em flagrante convertida em temporária e segue detida em Mato Grosso. Ela é acusada de integrar o núcleo financeiro de uma organização criminosa interestadual dedicada ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, que teria movimentado cerca de R$ 500 milhões desde 2023.
A audiência foi conduzida pela juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, do Núcleo de Garantias de Sinop. Conforme a ata do procedimento, a médica declarou expressamente que não sofreu tortura ou abusos por parte dos policiais no momento da prisão. Durante o ato, tanto o Ministério Público quanto a defesa de Naiara não apresentaram novos requerimentos.
A magistrada determinou que o juízo da 5ª Vara Regional das Garantias da Paraíba, que expediu o mandado de prisão preventiva, fosse comunicado sobre o efetivo cumprimento da ordem.
Como noticiado, Naiara foi detida na quinta-feira (26) em Nova Santa Helena (a 599 km de Cuiabá) pela Delegacia Regional de Guarantã do Norte, no âmbito da "Operação Argos".
"Holding do crime"
As investigações da Polícia Civil da Paraíba apontam que a médica seria responsável por receber e movimentar recursos oriundos do tráfico de entorpecentes. Há a suspeita de que Naiara tenha sido cooptada por traficantes bolivianos ainda durante sua graduação em Medicina na Bolívia. Ela manteria contato direto com líderes do grupo e operadores do alto escalão.
A Operação Argos, que também cumpriu mandados em São Paulo e na Bahia, mira a descapitalização do grupo. Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 104 milhões em ativos financeiros e o sequestro de 13 imóveis de luxo e 40 veículos de alto padrão. O bando funcionava como uma estrutura profissional, utilizando carretas de empresas constituídas para o transporte de drogas.
Naiara permanece à disposição da Justiça e deve ser transferida para uma unidade prisional, cujo nome não foi divulgado.
À época da prisão da médica, o RepórterMT procurou o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) para comentar sobre o caso, mas até a publicação desta matéria não houve retorno. O espaço segue aberto.
Naiara se formou na Bolívia, realizou o revalida e atuava como clínica geral no município.
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