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Boa noite, Sábado 18 de Maio de 2024

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Escalada da violência

Homicídios crescem 60% em região da amazônia mato-grossense

Taxa registrada pela RISP-15, que abrange municípios do extremo norte de Mato Grosso, é mais que o dobro da média estadual

Polícia | 15 de Maio de 2024 as 08h 40min
Fonte: PNB Online

Foto: Divulgação

Palco de conflitos territoriais, garimpo ilegal e desmatamento, municípios do extremo norte de Mato Grosso enfrentaram um significativo aumento no número de mortes violentas intencionais em 2023. De acordo com os dados divulgados no Anuário da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT), a tendência reflete um padrão que se assemelha ao observado em outras áreas da Amazônia, em diferentes estados.

Conforme a publicação, a Região Integrada de Segurança Pública nº15 (RISP Guarantã do Norte), que atende os municípios de Guarantã do Norte, Itaúba, Marcelândia, Matupá, Nova Santa Helena, Nova Guarita, Novo Mundo, Peixoto de Azevedo e Terra Nova do Norte, registrou uma taxa de 53,09 homicídios para cada 100 mil habitantes. O número se destaca em comparação com as demais RISPs do estado e ultrapassa consideravelmente a média estadual, que foi de 25,1 casos.

O dado explicita a escalada desenfreada da violência na região. Apenas entre os anos de 2022 e 2023, a taxa saltou 60%. No ano passado, 67 pessoas foram vítimas de homicídios dolosos nesses municípios, em 2022 43. A maior parte das vítimas é de homens adultos, que foram mortos por armas de fogo. Além disso, a recorrência de feminicídios ressurgiu na região, após dois anos sem casos desse tipo. No ano passado, duas mulheres perderam suas vidas devido à violência doméstica ou em discriminação contra a condição feminina.

Ainda que de forma mais tímida, outros crimes também apresentaram aumento na comparação entre 2022 e 2023, foram eles: roubo, roubo seguido de morte e apreensão de armas. Dados compilados pelo relatório Cartografias da Violência na Amazônia, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Instituto Mãe Crioula, publicado no ano passado, mostram que a situação enfrentada pelos municípios mato-grossenses se repete em boa parte da amazônia brasileira.

A publicação destaca que a taxa de mortes violentas intencionais na Amazônia Legal – de 35,1 por 100 mil habitantes – é 52% superior à média nacional, que foi de 23,2 por 100 mil. Para os estudiosos, o aumento nos números tem algumas razões. Uma delas é a consolidação e expansão do crime organizado na região, voltado principalmente para o tráfico de drogas e a exploração ilegal de recursos minerais.

“Se o desmatamento desenfreado e a exploração ilegal de minérios são variáveis presentes há décadas na região, que também convive diariamente com a violência decorrente dos conflitos fundiários, a disseminação de facções criminosas que atuam especialmente no narcotráfico é um fenômeno que se consolidou há cerca de uma década, gerando crescimento dos homicídios e ameaçando ainda mais o modo de vida dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas”, diz o documento.