Deportações em massa
EUA deportam lésbica para país africano onde homossexualidade é ilegal
Após ser espancada pela família no Marrocos, Farah, acompanhada da parceira, passou pelo Brasil antes de atravessar a fronteira americana pelo México
Polícia | 25 de Fevereiro de 2026 as 08h 18min
Fonte: Extra Globo

Uma imigrante marroquina que havia pedido asilo aos EUA foi deportada à República dos Camarões, onde a homossexualidade é ilegal e punível com até três anos de prisão, apesar de ser lésbica.
Farah, de 21 anos, nunca havia estado antes na República dos Camarões, mas foi para lá que o governo Donald Trump decidiu deportá-la.
A marroquina disse à agência Associated Press (AP) que, antes de fugir, foi espancada por sua família e pela família de sua parceira quando descobriram o relacionamento. Ela foi expulsa de casa e fugiu com a parceira para outra cidade. Ela disse que sua família a encontrou e tentou matá-la.
Farah e a parceira conseguiram vistos para o Brasil, de onde passou por seis países até conseguir chegar aos EUA, onde tinha amigos, pela fronteira com o México.
As duas chegaram aos EUA no início de 2025. Mas, em vez de encontrar a liberdade que almejava, Farah disse que ficou detida por quase um ano, primeiro no Arizona e depois na Louisiana.
Ela teve seu pedido de asilo negado, mas em agosto recebeu uma ordem de proteção de um juiz de imigração dos EUA, que determinou que Farah não poderia ser deportada para o Marrocos, pois isso colocaria sua vida em perigo.
Sua parceira, entretanto, teve o pedido de asilo e a ordem de proteção negados, sendo imediatamente deportada.
Três dias antes da audiência de libertação, Farah foi algemada por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e colocada em um avião à República dos Camarões. Ela foi levada para um centro de detenção. A maioria dos deportados juntamente com ela tinha ordens de proteção, contou a marroquina.
"Eles me perguntaram se eu queria ficar em Camarões, e eu disse que não podia ficar em Camarões e arriscar a minha vida num lugar onde eu ainda estaria em perigo", recordou ela.
Apesar do mesmo risco, Farah optou por retornar ao Marrocos, onde vive escondida, sem o apoio da família e sem a parceira.
O governo dos EUA tem usado deportações para terceiros países como forma de pressionar migrantes que estão ilegalmente nos EUA a deixarem o país por conta própria, alegando que eles poderiam acabar "em qualquer número de terceiros países".
O centro de detenção em Yaoundé, capital de Camarões, onde Farah estava detida, abriga atualmente 15 deportados de diversos países africanos que chegaram em dois voos, e nenhum deles é camaronês, segundo o advogado Joseph Awah Fru, que os representa.
A República dos Camarões é uma das pelo menos sete nações africanas que receberão cidadãos deportados de países terceiros após acordo com os EUA. As outras são Sudão do Sul, Ruanda, Uganda, Essuatíni, Gana e Guiné Equatorial.
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