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Empresa de fachada

CPF de ex-esposa de preso foi usado para movimentar R$ 100 milhões em esquema de sonegação em MT

Polícia | 04 de Fevereiro de 2026 as 07h 42min
Fonte: Repórter MT

Foto: Reprodução

Estelionatários usaram o CPF da ex-esposa de um preso para movimentar cerca de R$ 100 milhões em um esquema de sonegação fiscal em Mato Grosso. A informação é do delegado João Paulo Firpo Fontes, que preside as investigações da Operação CNPJ na Cela, deflagrada na manhã de hoje (3) pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT).

Segundo o delegado, as investigações apontam que o principal alvo do esquema, identificado como Fabrício Campana Peres, teria tido acesso aos dados pessoais da mulher dentro do sistema prisional, por meio do ex-companheiro dela, que estava preso.

“Uma das pessoas que teve o nome utilizado, o ex-companheiro dela tinha sido preso. Então, a gente desconfia que, como ele foi preso, o principal alvo conheceu ele lá e teve acesso ao CPF. Esse caso foi o que gerou o procedimento da Sefaz, que deu início ao Auto de Investigação Preliminar e, depois, instauramos o inquérito”, explicou.

Ainda conforme as investigações, a mulher não possui patrimônio compatível com a movimentação financeira registrada em seu nome. Mesmo assim, a empresa de fachada vinculada ao CPF dela aparecia realizando operações milionárias no comércio de grãos.

“Nesse caso dessa moça, ela não tinha patrimônio nenhum, não tinha imóvel, não tinha nada no nome dela e movimentava, aparentemente, R$ 100 milhões em compra de grãos. Ela comprava 100 e vendia 30. Ela provavelmente não estava sabendo de nada. Além disso, ainda há uma incompatibilidade entre os valores. Que empresa compra 100 e vende 30?”, afirmou o delegado.

A operação

A Operação CNPJ na Cela investiga um esquema estruturado de fraude fiscal que utilizava empresas de fachada, muitas delas registradas em nome de pessoas humildes ou com ligação com o sistema prisional, sem capacidade operacional ou econômica real. Em um dos casos apurados, a empresa tinha como endereço-sede uma unidade prisional em Rondonópolis.

São cumpridas na operação 50 ordens judiciais, sendo nove mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal, 21 ordens de suspensão do exercício de atividade de natureza econômica ou financeira de empresas, além de afastamento de sigilo de dados telemáticos, suspensão do registro profissional de contabilidade (CRC), entre outras medidas. Os mandados foram deferidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias do Estado de Mato Grosso.

A ação cumpriu ordens judiciais em Rondonópolis, Várzea Grande e na penitenciária de Rondonópolis, incluindo mandados de busca e apreensão, suspensão de atividades econômicas e afastamento de sigilos. As investigações seguem em andamento.

A operação conta com o apoio de equipes da Polícia Civil de Rondonópolis e da Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT), que prestam suporte operacional e logístico ao cumprimento das diligências, assegurando a efetividade, a segurança e a integração dos trabalhos.

Desarticulação do esquema

As investigações, conduzidas em inquérito policial instaurado na Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz), apontaram a existência de um esquema de fraude fiscal estruturada, baseado no uso de cadastros e documentação formalmente regular para simular capacidade operacional inexistente, com indicação de contador como responsável técnico. Também foram identificados indícios de participação de integrantes de facção criminosa.

O esquema envolvia a simulação de atividade rural e a captação de dados pessoais, muitas vezes de pessoas humildes ou com vínculos com o sistema prisional, para a constituição de empresas de fachada, sem lastro físico ou econômico, tendo diligências in loco constatado endereços inexistentes ou incompatíveis com a atividade declarada, sendo que uma dessas empresas, em seus registros, possuía como sede o local de uma penitenciária.