À base de soja
Soja produzida sem desmate em MT ajuda a abastecer aviação sustentável
Unidade da Bunge em Rondonópolis integra a primeira cadeia certificada do mundo para produção de combustível sustentável de aviação à base de soja
Geral | 17 de Junho de 2026 as 14h 12min
Fonte: Redação PP

A cadeia produtiva da soja brasileira deu um passo inédito rumo ao mercado de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF, na sigla em inglês). Pela primeira vez no mundo, a soja utilizada como matéria-prima para esse tipo de combustível recebeu uma certificação específica, considerada fundamental para garantir a redução das emissões de carbono exigida pelo setor aéreo.
A certificação é estratégica porque companhias aéreas no Brasil e em outros países terão de cumprir metas de descarbonização já a partir dos próximos anos. Para isso, precisarão comprovar que os combustíveis utilizados realmente contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
O produto recebeu o selo “ISCC CORSIA PLUS Low-LUC Risk”, uma das certificações mais rigorosas para combustíveis sustentáveis de aviação. O reconhecimento garante que a soja utilizada para produzir o óleo empregado no SAF não está associada ao desmatamento ocorrido após 2008.
A certificação foi concedida pela International Sustainability & Carbon Certification (ISCC), uma das entidades reconhecidas pelo Corsia, programa da Organização da Aviação Civil Internacional (Icao) voltado à redução das emissões da aviação mundial.
Para que o combustível certificado chegue às companhias aéreas, toda a cadeia produtiva precisou atender aos critérios de rastreabilidade e sustentabilidade.
O processo envolveu produtores rurais, a unidade da Bunge em Rondonópolis, a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras, e a base da Vibra no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
Segundo as empresas envolvidas, o projeto funciona como uma demonstração de que o Brasil já possui condições de fornecer matéria-prima certificada para atender à futura demanda do mercado de SAF. Atualmente, um dos principais desafios não é a capacidade industrial de produção, mas sim a disponibilidade de insumos que atendam aos padrões internacionais de sustentabilidade.
Hoje, a Reduc é a única refinaria da Petrobras habilitada a produzir querosene de aviação coprocessado com conteúdo renovável. A estatal, porém, trabalha para ampliar essa capacidade e pretende certificar outras três refinarias até o fim do ano.
Embora diferentes matérias-primas possam ser utilizadas na fabricação do SAF, o óleo de soja é apontado pelas empresas como a principal alternativa para o Brasil, devido à escala de produção disponível no país.
Outro diferencial do projeto foi o uso de informações detalhadas das propriedades participantes do Programa de Agricultura Regenerativa da Bunge. Com dados específicos de cada fazenda, foi possível comprovar uma redução de até 70% nas emissões de carbono. Caso fossem utilizados apenas parâmetros globais de referência, essa redução seria estimada em cerca de 30%.
De acordo com a empresa, a certificação também foi viabilizada pelo sistema de rastreabilidade adotado na cadeia produtiva, que permite acompanhar a origem de toda a soja adquirida, tanto de fornecedores diretos quanto indiretos.
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