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Geral

Restos mortais do 1º bispo de Sinop serão removidos para catedral

Comunidade católica prepara ato solene em honra a memória do líder religioso

Sinop | 23 de Maio de 2022 as 16h 53min
Fonte: Jamerson Miléski

Foto: Mabely Jessica Portella

Os restos mortais do primeiro bispo da Diocese de Sinop, Dom Henrique Fröehlich, serão exumados e sepultados novamente na cripta da Catedral Sagrado Coração de Jesus. Dom Henrique foi sepultado, no ano de 2003, no cemitério do município. A catedral começou a ser construída no ano de 2000 e foi inaugurada em 2007.

A remoção dos restos mortais será feita em um ato solene, como forma de prestar uma homenagem a memória do líder religioso. É o que explica o padre João Alberto Konzi. “Será uma solenidade para um homem de Deus, que deixou a família, deixou o seu estado, trabalhou com os indígenas, em tantos conflitos como missionário. Como diocese achamos justo que seus restos mortais fossem transladados para dentro da catedral, de forma solene”, declarou o padre.

A solenidade será no próximo domingo (29). Uma urna com os restos mortais de Dom Henrique será conduzida a partir do cemitério municipal às 7h15, escoltada por uma procissão motorizada. Os fiéis acompanharão a urna em uma rápida passagem até a Igreja Santo Antônio, a primeira da cidade, estabelecida durante o bispado de Dom Henrique. Na sequência a procissão vai para a Catedral, onde uma missa de ação de graças será ministrada, junto com o ato de sepultamento. Os restos mortais de Dom Henrique serão depositados na primeira sepultura da cripta que fica dentro da catedral. Familiares do bispo, vindos do Sul do país, devem estar presentes.

Dom Henrique nasceu em 22 de novembro de 1919, na cidade de Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul. Foi o caçula de uma família com 12 filhos. Seus pais, José e Maria Fröehlich eram colonos lavradores do sul do pais. Cristãos convictos, rezavam diariamente. Além dos terços e novenas habituais, José sempre pedia à família uma reza “extra”, um Pai Nosso e uma Ave Maria em honra a São José, mantendo o mistério de qual era a graça desejada.

Henrique cresceu e acabou se tornando coroinha em um tempo que as missas eram rezadas completamente em latim. Em determinado dia, o padre da igreja convidou Henrique para o sacerdócio. Ao chegar em casa, Henrique contou ao pai sobre o convite para ser padre, já dizendo que queria aceitar. Quando Henrique terminou de falar, José então revelou qual era o pedido daquela oração misteriosa: o pai queria que um dos seus filhos virasse padre.

Então, em 1932, com 13 anos de idade, Henrique foi para o seminário, em Pareci Novo, Rio Grande do Sul. Quando estava quase no final dos seus estudos de formação, seu pai e sua mãe morreram no mesmo ano, com um intervalo de meses. Em dezembro de 1952, com 33 anos, Henrique foi ordenado como padre.

De pronto externa seu desejo de se tornar um missionário. Em 1956, o então padre é designado para a Missão Anchieta do Utiariti – atualmente na região de Sapezal. Cinco anos depois foi nomeado superior na missão, que tinha como objetivo criar uma colônia cristã autossuficiente, capaz de abrigar, educar e catequisar os índios locais.

Em 1971 passou a fazer parte da diocese de Diamantino. Quando o Norte de Mato Grosso começou a ser resgado pela BR-163, dando vida aos projetos de colonização, o Dom Henrique começou a acompanhar a jornada em direção à selva. Em 1972, em plena floresta amazônica, no que viria se tornar Sinop, o bispo rezou a primeira missa da cidade. Ele acompanhou a frente de operários que abria a rodovia até a Serra do Cachimbo, na divisa do Estado. No mesmo ano, durante a fundação da cidade de Vera, a primeira do projeto de colonização da Gleba Celeste, Dom Henrique disse: “todas as profecias não passam de uma pálida imagem do que viria existir no futuro”.

Em 1973 o bispo conseguiu um sacerdote para a região, criando assim a primeira paróquia da diocese, em Vera. Em 1982 ele criou a diocese de Sinop.

Através de uma aproximação com filantropos alemães, Dom Henrique deu vida ao projeto que resultou na implantação do Hospital Santo Antônio, crucial nos primeiros anos de existência da cidade e importante até hoje.

Em 1994, Dom Henrique pede para igreja um bispo para atuar em seu lugar. Chega assim à Sinop Dom Gentil de Lázari. Um ano depois, quando atingiu a idade limite de 75 anos, pediu a renúncia da função.

Apesar da família estabelecida no Sul e dos vários convites, Dom Henrique escolheu ficar em Sinop. “Aqui trabalhei mais de 40 anos. Vi a mata virgem se transformar numa região progressista. Apesar dos muitos convites, preferi ficar atuando aqui, junto a esse povo, como vigário geral e como coringa”, escreveu o bispo em seus relatos.

Dom Henrique morreu em 28 de dezembro de 2003, aos 84 anos.