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Geral

Projeto da UFMT fala sobre uso de medicamentos sem prescrição médica

Ação busca levar material às UBSs

Sinop | 21 de Novembro de 2020 as 08h 50min
Fonte: Assessoria

Foto: Rafaela Frutuoso

No Brasil existe quase uma “tradição” na automedicação, cerca de 80% das pessoas com mais de 16 anos afirmam tomar medicamentos sem prescrição médica ou farmacêutica, segundo o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ). Durante a pandemia esse hábito tomou proporções gigantescas, incentivado por promessas vazias de cura ou profilaxia no combate à covid-19.

Diante desse cenário o Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Sinop, desenvolveu o projeto Uso Racional do Medicamento, que busca levar informação sobre o tema ao maior número possível de pacientes e, principalmente, àqueles com alto grau de desinformação ou de vulnerabilidade.

“O maior problema que nós vivemos hoje não é a covid-19, e sim a covid-19 associadas a outras doenças. Por exemplo, muitas pessoas que têm hipertensão, diabetes ou outros problemas de saúde deixam de frequentar os seus retornos e consultas por medo. Isso acaba sendo bastante prejudicial às pessoas, à sua saúde e ao socorro e controle das doenças em função da pandemia, essa é uma grande questão a se pensar”, afirma a professora Rafaela Grassi Zampieron, coordenadora da iniciativa.

Atualmente, o projeto se faz presente na rede social Instagram e por meio de vídeos educativos orienta os seguidores sobre os mais diversos temas, desde o direito do cidadão a uma prescrição médica legível, o armazenamento e manuseio correto dos medicamentos, alertas sobre o uso de plantas medicinais e sobre os tão polêmicos medicamentos utilizados no combate à covid-19 – a (Hidroxi) cloroquina, a Ivermectina e a Azitromicina, entre outros assuntos abordados. O objetivo é levar esses conteúdos produzidos para as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), por meio da fixação de cartazes e da transmissão dos vídeos nas unidades com televisores disponíveis.

As publicações não configuram uma aprovação ou desaprovação do uso de nenhum dos medicamentos mencionados e sim um alerta a quem os consome ou pretende consumir. A iniciativa chama a atenção para reações adversas, para os componentes e possíveis interações medicamentosas na associação de dois ou mais medicamentos, isso significa dizer que um interfere na absorção ou tempo de ação do outro.

Sobre os medicamentos indicados no combate à covid-19 a docente adverte. “Esses medicamentos estão sendo prescritos, mas precisam de orientação do médico ou farmacêutico, porque todos os medicamentos que estão sendo amplamente utilizados têm reações adversas e podem apresentar problemas se o seu uso for descontrolado”.

Do número de mortos por envenenamento no país, 18% podem ser atribuídas à automedicação e 23% dos casos de intoxicação infantil estão ligados à ingestão acidental de remédios e armazenados de forma incorreta, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A ingestão indevida de medicamentos causa mais intoxicações do que produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados.

“A automedicação é um grande risco, o paciente pode acabar ingerindo um medicamento que vai interagir com o tratamento atual, por exemplo, na hipertensão, elevando a pressão arterial; no diabetes, dificultando o controle da glicemia. Consequentemente levam essas pessoas a um risco maior de agravos dessas doenças crônicas”, adverte a docente.
O projeto conta com a colaboração de três professores e seis alunos, todos contribuem para a escolha dos temas e elaboração do material.