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Geral

Primeira santa brasileira terá a face reconstruída

Sinopense tem a missão de colocar um sorriso no rosto da Santa Paulina

Ciência e Fé | 10 de Novembro de 2015 as 10h 06min
Fonte: Jamerson Miléski

Cícero fazendo o escaneamento fotográfico do crânio da Santa Paulina |

Madre Paulina viveu entre os anos de 1865 a 1942. Canonizada no ano de 2002, a primeira santa brasileira, diferente da maioria dos ícones religiosos da Igreja Católica, viveu tempo suficiente para ser fotografada. Apesar da vida reclusa e de orações, Paulina teve sua imagem registrada. Pinturas sobre negativo e até uma fotografia, bastante conhecida, ilustra a imagem da santa. Mas, ao que parece, a fotografia da Santa não foi um retrato fiel.

O rosto sisudo da imagem não condiz com a pessoa alegre que Paulina tinha em vida. É o que dizem as religiosas Irmã Célia Cadorin e Irmã Roseli, atual superiora geral da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, fundada por Madre Paulina. Ambas conheceram a Santa em vida. “As irmãs que conheceram Santa Paulina achavam que nenhuma imagem correspondia à sua verdadeira face”, comenta o professor José Luís Lira, presidente da Academia Brasileira de Hagiologia (estudo sobre a vida dos santos).

Foi Lira quem intermediou a reconstrução da face de Madre Paulina. O professor entrou em contato com as Irmãs da Congregação onde estão as relíquias que conservam os restos mortais de Madre Paulina. As religiosas aceitaram reconstruir o rosto de Madre Paulina e apresentar a nova face, com um sorriso, no aniversário de 150 anos da santa – que será comemorado no dia 16 de dezembro.

O responsável por colocar esse sorriso no rosto da freira canonizada é Cícero Moraes. O designer 3D de Sinop repete a parceria com José Luís Lira para revelar mais uma face feminina da igreja católica. A primeira, e talvez a mais icônica, foi a Santa Maria Madalena, que teve seu rosto reconstruído a partir do crânio, e apresentado em julho desse ano.

Segundo Cícero, a técnica é basicamente a mesma. O designer já foi até São Paulo e fez os registros fotográficos do crânio, que servem como base para a elaboração de uma imagem dos ossos em 3 dimensões. O crânio em 3D foi enviado para a avaliação de um perito, a quem coube fazer um levantamento antropológico, com as informações referente aquele ser humano em vida. “Pediram para que esse levantamento fosse ‘às cegas’, sem que o perito soubesse de quem era o crânio. Todas as informações foram compatíveis, ou seja, aquele osso preservado dentro dos relicários pertenceu a Madre Paulina”, comentou Cícero.

Essa é outra função da técnica de reconstrução: fazer o processo reverso, não apenas para revelar, mas para confirmar. Segundo Cícero, a reconstrução está em fase avançada e já é possível identificar as semelhanças com as fotos e pinturas da santa. “Mas os ossos sempre reservam surpresas, pequenos detalhes que podem passar anos ocultos, porém, no processo de reconstrução, são detectados”, ressalta Cícero, que fez segredo sobre os “detalhes” da face de Paulina.

Com a parte técnica concluída, Cícero projetou um sorriso e uma expressão de serenidade sobre a face de Paulina. O resultado prévio foi apresentado para as Irmãs da Congregação, que imediatamente identificaram a imagem. “É indescritível a emoção da Ir. Célia Cadorin, que conheceu a santa, aprovando a imagem”, revela Lira.

A partir da reconstrução digital serão impressos dois bustos de Santa Paulina. Um ficará na Casa Geral da Congregação a qual a santa fundou, em São Paulo. A segunda irá para Nova Trento, em Santa Catarina, onde começou a vida religiosa de Paulina. As peças serão confeccionadas com uma impressora em 3 dimensões e terão o acabamento com a técnica da artista plástica sinopense, Mari Bueno – especialista em arte sacra.

As imagens serão reveladas no dia 16 de dezembro, quando Paulina completaria 150 anos.

 

Santa brasileira

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus foi beatificada em 1991 pelo Papa João Paulo II e canonizada em 2002. Segundo José Luís Lira ela é a primeira santa reconhecida pelo Vaticano em solo brasileiro. “Embora nascida na Itália e vindo ainda criança para o Brasil ela é considerada brasileira por diversas questões: canonicamente porquê a pátria do santo é onde ele falece. Segundo a Ir. Célia Cadorin, sua postuladora, ela não se declarou estrangeira quando o governo brasileiro assim o pediu, portanto, documentalmente, ela é brasileira”, explica o professor.

Amabile Lucia Visintainer era seu nome de batismo. Paulina nasceu numa família de poucas posses que em 1875 emigrou para o Brasil como muitos outros tiroleses italianos, estabelecendo-se na localidade de Nova Trento (SC). Em 1895 Amabile torna-se Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Ela dá início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, na atual Irmandade Santa Casa de Bragança Paulista. Em 1903 deixa Nova Trento e, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, ocupa-se de crianças órfãs e de ex-escravos abandonados, logo após a abolição.

A partir de 1918 passa a ter uma vida muito reservada, dedicando-se à oração e à vida contemplativa. Para Lira, a santificação da religiosa é respaldada pela sua vida e morte. “Suas virtudes, sua humildade, seu zelo e amor a Deus e ao próximo em vida fazem de Paulina uma santa. Depois de sua morte espalhou-se sua fama de santidade. Muitos relatos de milagres foram narrados. Um destes foi reconhecido formalmente pelo Vaticano e possibilitou sua beatificação e, depois, outro milagre foi reconhecido e ela foi canonizada”, revela Lira.

Paulina morreu aos 76 anos. Seu santuário em Nova Trento atrai inúmeros fieis devotos da santa.