Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.

Bom dia, Terça Feira 13 de Outubro de 2026

Menu

Sinop

Prefeitura tenta evitar que terreno doado seja leiloado para pagar dívidas

Imóvel destinado ao Portal do Servidor 2 foi arrematado e outros dois leilões da Justiça do Trabalho estão marcados

Geral | 27 de Agosto de 2026 as 17h 43min
Fonte: Jamerson Miléski

Foto: Divulgação

Uma área de 69 mil metros quadrados, que fica a um quilômetro e meio do Shopping Sinop, está sendo rifada em sucessivos leilões para quitar dívidas trabalhistas. O imóvel que originalmente pertencia a prefeitura de Sinop foi transmitido para uma empresa privada por menos de 5% do seu valor, com o propósito de construir casas para os servidores municipais. A obra não aconteceu, a empresa acumulou dívidas e agora o terreno está sendo vendido com ordem da Justiça do Trabalho. A prefeitura tenta impedir que a venda seja concretizada.

O primeiro leilão foi realizado no dia 10 de agosto pela empresa Maria Fixer Leilões. O processo foi realizado a pedido da Justiça do Trabalho para quitar uma dívida calculada em R$ 41 mil referente a um processo movido por Frank Prophete contra a Mapol Construtora – empresa que recebeu o imóvel da prefeitura de Sinop para Construir o Portal do Servidor 2. A área R-40/A-C2, avaliada em R$ 9.670.240,00, recebeu dois lances: Tadeu Pasini ofertou R$ 6.769.198,28 e Átila Bernardes Nunes arrematou a compra com um lance de R$ 6.819.168,28. Conforme os termos do leilão, o terreno pode ser pago com uma entrada de 30% e o restante em 24 meses.

Mas Átila não desembolsou o dinheiro e também não pretende fazê-lo por enquanto. O arrematante apresentou à Justiça do Trabalho uma manifestação pedindo para que o processo seja paralisado da forma como está até que controvérsias sobre o uso do imóvel sejam definidas. Átila não retirou a proposta. Apesar dos diversos gravames e de 6 pedidos de penhora sobre o bem em razão de ações trabalhistas e de execução, Átila tem interesse no imóvel. A ressalva é a condição de implantar um projeto habitacional para servidores públicos. Se a Justiça entender que o terreno só pode ser usado para a construção do Portal do Servidor 2, o arrematante não quer ser obrigado a honrar seu lance, tampouco ser penalizado por ele.

Enquanto o comprador se arrependia sem se arrepender, a prefeitura de Sinop fez seu movimento tardio, mas ainda dentro do prazo legal. No dia 17 de julho o GC Notícias informou em primeira mão que o imóvel destinado ao Portal do Servidor 2 estava sendo leiloado (clique aqui para ler). Provocado pela redação do GC Notícias, o procurador da prefeitura de Sinop, Ivan Schneider, através da Assessoria de Comunicação, deu a seguinte resposta: “O Município não é parte de ação judicial que discute relação trabalhista privada. Havendo fundada ameaça ao interesse público e ao erário, certamente haverá a atuação judicial cabível por parte da Prefeitura” – em 19 de julho.

Dias depois o procurador encontrou a “fundada ameaça”. Em 7 agosto, uma sexta-feira, faltando 3 dias para o leilão, Ivan ingressou com o Embargo de Terceiro Civil número 0000861-94.2026.5.23.0038. Foi a primeira vez que a prefeitura formalmente se opôs à venda do terreno – e o primeiro gesto no sentido de reaver o patrimônio que foi doado com ônus há mais de 7 anos. No Embargo o procurador pede em caráter de urgência a suspensão do leilão realizado no dia 10 e também dos outros dois leilões, marcados para o dia 3 de setembro e 17 de setembro. Ivan argumenta na peça que não se trata de um bem imóvel comum, livre e disponível para qualquer tipo de negociação. O procurador cita os termos da lei que autorizou a transmissão do terreno e os registros constantes na matrícula, que tornam o imóvel inalienável e impenhorável. A cláusula de reversão, constante na matrícula, foi enfim suscitada na peça.

A área R-40/A-C2, matrícula 82.195, foi transmitida para Mapol no dia 7 de agosto de 2019, pelo valor de R$ 223 mil. Essa cifra correspondia não ao preço da área, mas ao investimento em asfalto, drenagem e rede de energia que a construtora investiria para transformar a área crua em área loteável. O único uso autorizado para o imóvel era erguer o Portal do Servidor 2: um condomínio com 118 casas destinadas aos servidores públicos. A Mapol tinha 180 dias para iniciar as obras e 3 anos para concluir. Qualquer coisa diferente disso, o imóvel voltava para prefeitura, conforme cláusula de reversão.

No pedido de Embargo, o procurador do município destacou que suspender o processo do leilão de forma provisória preserva o estado atual do bem até discutir a legalidade dessa transmissão. Em suma, não gera um falsa posse para Átila, que arrematou o bem no primeiro leilão, nem para os eventuais arrematantes dos certames seguintes.

O Embargo ainda não foi julgado. O recurso de Átila também não. A carta de arrematação ainda não foi expedida.