Justiça
Povo indígena de MT receberá desculpas e R$ 10 mi por genocídio na ditadura
Após mais de 50 anos, Justiça reconhece genocídio contra os Tapayuna e determina medidas de reparação histórica
Geral | 18 de Junho de 2026 as 11h 29min
Fonte: Redação PP

O governo federal e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foram condenados a remover indígenas da etnia Kajkwakratxi (Tapayuna) de seu território próximo de Diamantino (MT), na década de 1970. A decisão ordena ainda pagamento de indenização de R$10 milhões em danos morais coletivos para a comunidade, a retomada imediata da demarcação de terras e pedido público de desculpas.
A ação, movida há 50 anos pelo Ministério Público Federal (MPF), obteve sentença na última de quinta-feira (11). Referente a condenação de pagamento de indenização, o valor fixado é dez vezes superior ao pedido inicialmente pelo MPF devido à extrema gravidade da omissão e das violações históricas.
O montante será revertido ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos e custear políticas públicas voltadas aos Tapayuna. Além disso, a decisão destaca a necessidade de conclusão do processo demarcatório do território tradicional no prazo máximo de 24 meses.
Pedido de desculpas público
O Judiciário ordenou a realização de uma cerimônia pública oficial para que o Estado brasileiro peça desculpas formais ao povo indígena. A medida é uma forma de satisfação às vítimas e funciona como uma garantia de não repetição das graves violações de direitos humanos ocorridas.
O evento deve ocorrer na própria Terra Indígena, seguindo formato e data acordados previamente com as lideranças locais. Representantes dos poderes Executivo Federal e Estadual deverão comparecer ao ato para assumir formalmente a responsabilidade pelas atrocidades históricas.
Remoção forçada e envenenamento de indígenas
O povo Kajkwakratxi habitava tradicionalmente a região noroeste de Mato Grosso, entre os rios Arinos e do Sangue. Havia no território uma diversidade de recursos naturais, como seringueiras, minérios e madeiras, e por este motivo foi usurpado inúmeras vezes por seringueiros, garimpeiros e madeireiros, entre outros invasores não indígenas.
A tragédia do povo Kajkwakratxi (Tapayuna)
Sentença judicial reconheceu em 2026 as graves violações sofridas pelo povo indígena e determinou medidas de reparação histórica.
- 1968 Uma expedição oficial introduziu uma epidemia de gripe que dizimou grande parte da população indígena.
- Década de 1970 Indígenas foram vítimas de envenenamento por arsênico colocado em alimentos oferecidos por invasores.
- 1.200 → 41 A população indígena foi reduzida de aproximadamente 1.200 pessoas para apenas 41 sobreviventes em poucos anos.
- 1976 O governo federal extinguiu a reserva original da etnia e transferiu as terras para particulares de forma irregular.
- 41 sobreviventesForam removidos à força para o Parque Indígena do Xingu, em condições precárias e sem consentimento.
- 2026 A Justiça reconheceu o genocídio e determinou medidas para garantir a reparação histórica e a volta ao território ancestral.
De acordo com o MPF, a omissão estatal reduziu um grupo de aproximadamente 1.200 indígenas para apenas 41 sobreviventes em poucos anos.
Para o MPF, a sentença judicial em 2026 reconheceu que tais atos fundamentaram um quadro de genocídio contra o grupo. A reparação determinada busca garantir a volta dos indígenas ao território ancestral.
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