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Obra de drenagem ‘fatiada’ deixa bairro um caos de lama

Diversas valas foram abertas, mas tubos instalados não formam uma rede de drenagem

Cavando na chuva | 01 de Dezembro de 2021 as 18h 05min
Fonte: Jamerson Miléski

Foto: GC Notícias

Máquinas e homens trabalhando em diversos pontos do bairro. Valas escavadas, montes de terra e tubos em outros. Esse é o cenário do Alto da Glória, bairro periférico de Sinop. Em plena estação das chuvas, uma obra de pavimentação que deve ultrapassar os R$ 15 milhões está em curso. O dinheiro público, que deveria melhorar a mobilidade no bairro, trazer qualidade de vida e desenvolvimento econômico, por enquanto, está fazendo justamente o oposto.

A empresa contratada para executar a obra tem iniciado sucessivas frentes de trabalho, migrando dos postos antes de concluir cada trecho. Em julho desse ano, antes do início das chuvas, a empreiteira começou a construção da caixa de dissipação, às margens do Córrego Rosana, destino final da rede de drenagem que irá drenar as chuvas do asfalto a ser implantado no Alto da Glória. A decisão lógica (de começar a construção de uma rede de drenagem pelo seu final), acabou sendo abandonada no decorrer da obra.

Várias frentes de trabalho no bairro

O dissipador pronto recebeu mais 30 metros de tubulação e essa frente de serviço foi abandonada. Nos meses seguintes a empresa começou a escavar vários trechos ao longo do bairro, instalando “pedaços” do sistema de drenagem sem conectá-los a uma rede. Na Rua Antônio Sgarbi – por onde deveria percorrer a grande malha de tubos que levam ao dissipador – várias valas foram abertas, ocupando a pista. Em algumas há 15 ou 20 metros de tubos. Em outras 3. Na maioria das valas, nenhum tubo.

        

Diferentes pontos da Rua Antônio Sgarbi

Essa “execução criativa” cobrou seu preço no domingo, dia 21 de novembro. A chuva de 140 mm que caiu sobre o bairro deixou evidente a necessidade de uma rede de drenagem. As poucas ruas já pavimentadas acabaram jogando a água para rede inacabada da Rua Antônio Sgarbi. As valas escavadas viraram um rio de lama. A água barrenta invadiu propriedades, causando prejuízos. A corrente de terra lavrou o solo até encontrar o Córrego Rosana, uns 25 metros acima de onde foi construído o dissipador. Além da erosão do solo, uma mina de água (nascente), com aproximadamente 1,80 de profundidade e 2x2m de largura ficou cheia de terra até no topo.

Local onde precisaria ser cavado para dar sequência a rede do dissipador

 

Trecho onde termina a rede conectada ao dissipador

Trecho onde termina a rede conectada ao dissipador

Pelo bairro a reportagem do GC Notícias colheu queixas e críticas da população local – a maioria relacionadas à dificuldade de mobilidade, à lama e ao fato da empresa abrir diversas valas ao invés de abrir um trecho, fechar e então ir para outro ponto. Na Rua Antônio Sgarbi (que não será asfaltada, mas por onde passa a drenagem), existem duas indústrias madeireiras. Ambas estavam com dificuldades de receber os caminhões com matéria prima ou de sair com sua produção.

Caminho feito pela lama até o rio, arrastando lixo e vegetação

Mina de água natural acabou sendo enterrada em lama

Não tem nada errado

Segundo Marcos Pissinatti, proprietário da G. Pissinatti Empreendimento – empresa que executa a obra – não há nada de errado na forma como a obra está sendo executada. “É um mês atípico, está chovendo acima da média. Estamos trabalhando conforme o tempo permite”, declarou.

Pissinatti confirmou que na semana passada haviam 6 frentes de trabalho no bairro. O empresário disse que parte do atraso na rede de drenagem deve-se a Águas de Sinop (concessionária de água e esgoto), que demorou para fazer o rebaixamento da rede de abastecimento. “A empresa está instalando de 200 a 300 tubos por dia. Se der 15 dias de sol, fechamos tudo”, frisou.

E se não der 15 dias de sol? Segundo Pissinatti, caso o tempo não colabore será preciso encher as valas de terra novamente e voltar no ano que vem. “Vamos trabalhar até o dia 22 de dezembro”, afirmou o empresário.

Para o engenheiro da prefeitura designado para fiscalizar a obra, Luis Miguel Fernandez, a execução da rede de drenagem está de acordo com as normas técnicas. “A rede de drenagem pluvial ainda não foi conectada no dissipador pois a mesma ainda não foi concluída 100%. O método de execução adotado pela empresa está correto, pois estão executando os serviços de drenagem de acordo com a liberação de frente de serviço. Se a empresa tivesse que necessariamente executar a rede de drenagem pelo dissipador e posteriormente os outros trechos, atualmente não estaria com alguns trechos já pavimentados”, respondeu o engenheiro.

O fiscal do contrato disse que não existem glosas (dinheiro retido por execução irregular na obra), ou infrações aplicadas à empresa. Sobre o percentual de obras executadas, o engenheiro informou que 57% da drenagem foi efetuada e 22% da pavimentação. Os dados informados são do dia 3 de novembro.

Até o momento a prefeitura pagou à empresa R$ 4.463.967,03. O valor inicial do contrato era de R$ 12 milhões, no entanto a G. Pissinatti conseguiu demonstrar um aumento no custo da obra, que resultou em um reequilíbrio financeiro na ordem de R$ 3.398.000,00 em setembro desse ano, depois de declarar que abandonaria a obra. Essa é a segunda empresa a executar essa obra. A primeira foi contratada em setembro de 2019.

A previsão de conclusão é 18 de outubro de 2022.