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O Papai Noel que trabalhou o ano inteiro

Conheça a história do sinopense que transformou ações de solidariedade em um hábito diário

Sinop | 23 de Dezembro de 2021 as 17h 39min
Fonte: Jamerson Miléski

Foto: GC Notícias

É final de ano, quase Natal, e nessa época do ano é muito comum ações de solidariedade. Entidades fazem doações, empresas partilham um pouco do seu sucesso com os menos afortunados, igrejas amparam os mais necessitados e pessoas comuns se vestem de Papai Noel para entregar presentes nos bairros carentes. É como se a data que representa o nascimento de Cristo fosse o momento de colocar a filantropia em dia. O noticiário também costuma dar mais espaço para essas ações no final do ano.

Mas há pessoas que doam um pedaço da sua vida, diariamente, para ajudar o próximo. Um desses casos é o comerciante, de 53 anos de idade, que vive em Sinop há 33 anos. Ele se chama João Francisco Oliveira, mas provavelmente ninguém o reconheça pelo nome. Mas o Chiquinho da Kibom muita gente sabe quem é. Esse sujeito de fala simples, sempre alegre e muito temente a Deus tem feito ao longo dos dois últimos anos o que a maioria das pessoas só faz no Natal.

Chiquinho virou uma espécie de “Papai Noel” fora de época. Desde março de 2020 o comerciante tem promovido, diariamente, uma ação de cunho social. As vezes são doações de cestas básicas. As vezes uma tarde com algodão doce e picolé para molecada do bairro. Ou então uma corrida até aquela casa afastada da cidade para levar leite para a mãe que implorou por ajuda para alimentar seu filho. “Eu comecei fazer essas ações sociais há 6 anos, mas foi com o início da pandemia que virou algo diário. Eu vi muitas pessoas passando necessidade. Gente doente, pessoas perdendo seus empregos ou simplesmente desamparadas. Desde que começou essa pandemia, no ano passado, vi muita gente precisando de ajuda”, comenta Chiquinho.

Ao longo desses quase dois anos, Chiquinho entregou 6.386 cestas básicas – uma média de 10 cestas por dia. A dois dias do Natal, o comerciante já estava com 720 cestas básicas que chamava de “kit de Natal”, que serão doadas para as famílias que passariam a data de mesa vazia.

Nesse projeto que Chiquinho montou, ele é o operário, a pessoa que recolhe doações, busca apoio financeiro, identifica as pessoas que precisa e faz com que a ajuda chegue até os necessitados. Mas por trás do “Papai Noel” que faz a entrega, tem um time de “duendes”. Chiquinho conseguiu conquistar a confiança de 4 empresários da cidade que fazem doações periódicas para o projeto. Esses benfeitores preferem o anonimato. Outras doações esporádicas engrossam o caldo, aumentando o alcance dessas ações. “É uma corrente da solidariedade. Eu dou meu tempo e minha energia para ajudar. Outras pessoas dão a sua ajuda em dinheiro. E assim nós conseguimos melhorar a vida dos mais necessitados”, declarou Chiquinho.

No mês de dezembro o comerciante fez vários pequenos eventos com as crianças nos bairros periféricos de Sinop. Uma de suas ações chegou a reunir 1,2 mil crianças em um domingo à tarde, no Jardim América.

Ao longo do ano as ações sociais têm diferentes enfoques. Em 2021, o projeto de Chiquinho recebeu a doação de 30 mil peças de roupas e 20 mil pares de calçado. O comerciante organizou um bazar beneficente para distribuir esse material. Foi como uma loja grátis. As pessoas vinham, encontravam as roupas e calçados que lhe serviam e levavam para casa aquilo que julgava necessário, sem pagar nada por isso. “O projeto tem um cadastro de pessoas em situação de vulnerabilidade. Aquelas pessoas que recebem ajuda, acabam trazendo outras pessoas que também precisam. Quando a gente vê que a pessoa precisa muito, colocamos ela nessa lista e garantimos que ela receba a cesta básica por 3 meses. Pelo menos comida na mesa essa pessoa vai ter para poder se reerguer”, explica o comerciante.

Chiquinho foi candidato a vereador em Sinop na última eleição, mas não se elegeu. Seu projeto social, garante ele, não tem interesse político. São duas coisas separadas. A campanha passou, mas suas ações comunitárias continuaram. Quando perguntamos o motivo de Chiquinho dedicar um pedaço do seu dia, todos os dias, para tocar o projeto social ele respondeu: “Quando Deus me recolher eu só gostaria de saber que deixei um bom legado”.

Quando as luzes se apagarem, o que vai sobrar do seu Natal?