Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.

Bom dia, Sexta Feira 24 de Setembro de 2021

Geral

No pico da pandemia, prefeito de Sinop sopesa saúde e economia

Com pelo menos 10% da população atingida pelo Covid-19, discurso minimiza impacto da doença

Lucro ou morte | 17 de Março de 2021 as 09h 52min
Fonte: Jamerson Miléski

Foto: Divulgação

Pelos dados oficiais, 13.953 sinopenses já contraíram a Covid-19. A cada 10 moradores de Sinop, pelo menos um teve que lidar com a doença, seja na sua forma branda ou grave. A cidade chega a marca de 215 mortes pelo Covid, com 490 casos ativos e 62 pessoas internadas. Dos 29 leitos de UTI do Hospital Regional de Sinop, 27 estavam ocupados na manhã desta quarta-feira (17). Sinop faz parte da relação dos 15 municípios classificados como “risco muito alto” – que é o grau mais crítico.

Em contrapartida, no mês de fevereiro a cidade bateu seu recorde histórico na emissão de alvarás de construção – um importante indicador de crescimento econômico. Foram 204 autorizações para novas obras.

Embora a saúde e a economia tenham desempenhos bem diferentes no começo de 2021, seus pesos nos discursos políticos estão sendo colocados em equivalência por líderes locais. Na última sexta-feira (12), durante uma live com o secretário de Saúde Valério Gobatto, o prefeito de Sinop, Roberto Dorner (PRB), chegou a dizer que a cidade não estava “tão preocupada” com a saúde. “Como eu falei para o governador, não estamos tão preocupado demais da conta com a saúde de Sinop, mas também com a economia”, afirmou Dorner, fazendo menção a queixa dos empresários sobre as restrições nos horários de funcionamento do comércio, uma imposição do Estado para tentar conter o avanço da doença (veja o vídeo abaixo).

Na mesma transmissão, ao vivo pelas redes sociais da prefeitura, Dorner disse que os pedidos que ele fez ao governador foram apresentados pelos empresários e que sua fala era uma interlocução em prol dos donos de empresas. “Nós ‘temo’ preocupado com a doença sim, mas com a nossa economia também. Portanto, o empresário de Sinop fique tranquilo, que nós vamos fazer o possível para que nós melhoramos tanto a saúde quanto a parte da economia. O que for possível fazer para atender nosso empresário nós vamos fazer”, concluiu o prefeito.

 

Eco no legislativo

A postura de negação aos impactos na saúde pública, em detrimento de uma “pujança econômica”, também encontrou palanque no legislativo municipal. O vereador Ademir Bortoli (PRB), apresentou na última sessão da Câmara um projeto de lei que visa impedir o expresso fechamento de estabelecimentos comerciais pelos eventuais decretos – estaduais ou municipais.

O projeto de lei 008/2021, de autoria de Bortoli, torna obrigatória a consulta da população, através uma reunião, quando a decisão for fechar estabelecimentos comerciais, ainda que de forma temporária.

Essa reunião terá que envolver empresários, empregados, profissionais liberais e autoridades políticas e deve ser feita 48h antes da determinação de fechar os comércios.

O projeto de Bortoli grifa ainda que o autor do decreto deve explanar os motivos do fechamento com bases científicas e de saúde pública, além de “alternativas para evitar o colapso da economia sinopense e o desemprego”.

Caso essa reunião não seja feita, prevê o projeto de lei, a população estará desobrigada de seguir as normas do decreto que fechará o comércio.

A matéria deve encontrar dificuldade jurídica para tramitar. O texto foi encaminhado para as comissões competentes da Câmara e, assim que os pareceres forem emitidos, deve entrar na pauta para votação.

Caso seja aprovado, precisará ser sancionado pelo prefeito municipal.