PL da ilegalidade
MT quer reduzir de 80% para 35% áreas de reserva legal
O Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad) tem se colocado contra a matéria alegando que originalmente o texto tratava de uma mudança na base de dados para classificar áreas de vegetação, mas tornou-se um reclassificação de território
Geral | 31 de Outubro de 2024 as 17h 46min
Fonte: PNB Online

Tramita na Assembleia Legislativa (ALMT) o projeto de lei complementar 18/2024, de autoria do Governo do Estado, que altera dispositivos do Código Estadual do Meio Ambiente. O Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad) tem se colocado contra a matéria alegando que originalmente o texto tratava de uma mudança na base de dados para classificar áreas de vegetação, mas tornou-se um reclassificação de territórios de florestas para cerrado. O que pode resultar em uma redução de áreas de reserva legal de 80% para 35%.
Segundo o Formad, transformar as áreas de floresta amazônica de Mato Grosso em Cerrado é uma afronta ao Código Florestal Brasileiro e à classificação técnica das tipologias de vegetação do país. O Fórum alega ainda que a aprovação do projeto pode colocar em risco mais de 14 milhões de hectares de áreas em território mato-grossense. “O alvo principal são as denominadas ‘florestas estacionais sempre verdes’, que caso reclassificadas como cerrado, podem ter a área permitida para desmate ampliada para quase o dobro”.
O Projeto de Lei Complementar 18/2024 foi apresentado à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em 22 de maio, e recebeu parecer favorável da Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Recursos Minerais. Nele, a proposta mencionava somente a mudança na classificação da fitofisionomia vegetal para fins de definição de reserva legal em imóveis rurais, que agora passaria a ser a do IBGE, que utiliza a escala de 1:250.000. Anteriormente, a escala era de 1:1.000.000, ou seja, de menor precisão. Aparentemente, um projeto que adequa a base de dados para índices mais atualizados.
No entanto, sem que constasse na pauta da Assembleia, o projeto aprovado em sessão nesta quarta-feira (30.10) já era outro. E o que representava uma maior precisão na classificação de áreas vegetais, transformou-se na alteração da Amazônia em Cerrado no estado.
“As pautas da ALMT são divulgadas duas vezes ao dia. Acontece que houve uma alteração e a PEC 12/2022, bastante acompanhada por organizações da sociedade civil entrou ‘de surpresa’ na ordem do dia, chamando a nossa atenção e nos mobilizando para alertar sobre o retrocesso absurdo que ela representa. Mais surpreendente ainda foi que a ‘PEC das UCs’ acabou não sendo discutida, e o PL 18/2024 colocado para apreciação com um novo substitutivo, que incluía diversas alterações sobre os conceitos e metodologias de análise das áreas em propriedades do estado”, explica a consultora jurídica do Observa-MT, Edilene Amaral.
Chamado de ‘submarino’ pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT), o PL 18/2024 acabou sendo discutido internamente entre parlamentares da base governista, e um parecer favorável a essas inclusões foi aprovado em primeira votação. “A proposta original previa mudanças até certo ponto positivas. Mas quando chegou na ALMT, ganhou esse submarino que prevê considerar a floresta como cerrado, o que implica em áreas de reserva legal e aumenta o limite para desmatamento. Se a interpretação mudar para Cerrado, o limite vai para 35% e favorece o desmatamento no estado”, disse o parlamentar logo após a sessão.
Após a sessão matutina, no período da tarde, a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) se reuniu durante a sessão e o projeto já entrou em segunda votação com novo substitutivo e parecer favorável da Comissão. O projeto não passou em votação definitiva após um pedido de vista dos deputados Lúdio Cabral e Valdir Barranco.
“Esse PL significa a legalização de inúmeros desmatamentos ilegais em Mato Grosso, o que condiz com a fala do governador Mauro Mendes na COP da Biodiversidade, na Colômbia, de que é necessário acabar com a ilegalidade. É sim, mas não dessa forma como quase aconteceu, por meio de um substitutivo apresentado ‘magicamente’ e que inclui alterações graves, ilegais e inconstitucionais”, finalizou a consultora jurídica do Observa-MT.
Segundo o Formad, a sociedade científica deu um início a uma mobilização e já está em elaboração uma nota técnica apontando as ilegalidades da proposta. O objetivo é de que os riscos ambientais com a alteração sejam denunciados e proposta não seja aprovada.
Saiba Mais: Empresário Joao Nassif Massufero Izar ou Joao Nassif Izar…
Notícias dos Poderes
MPT fecha acordo com a MBRF em caso de aborto de trabalhadoras gestantes
Empresa se comprometeu a adotar medidas de prevenção como a realocação de gestantes expostas a ruído, criação de programa especializado de saúde e de protocolo de emergência
06 de Março de 2026 as 13h37Criança sobe em míssil iraniano não detonado na Síria
Projétil caiu sem detonar em terreno aberto próximo ao aeroporto internacional de Qamishli
05 de Março de 2026 as 18h46Lulinha movimentou quase R$ 20 milhões em quatro anos
Defesa critica vazamento e diz que recursos e bens são legais, registrados e declarados à Receita
05 de Março de 2026 as 17h42CNJ revela patrimônio colossal de desembargador afastado do TJMT
Investigação do CNJ detalha endereços, metragens e matrículas de bens que vão de mansão nos EUA a fazendas e frotas pesadas.
05 de Março de 2026 as 17h24PGE reafirma legalidade de acordo e economia para os cofres
Chefe da PGE foi ouvido, nesta quarta-feira (4.3), pelos deputados estaduais
05 de Março de 2026 as 15h15Ônibus da Secretaria de Saúde de Sinop com mais de 20 pacientes cai em valeta
Segundo a equipe de resgate, não houve feridos e os passageiros assinaram termo de recusa de encaminhamento médico.
05 de Março de 2026 as 14h14Dono de peixaria chique é condenado por vender cachaça falsificada em Cuiabá
Lelis Fonseca, dono da Peixaria Lelis, foi condenado a 2 anos de reclusão por vender cachaça falsificada e explorar ilegalmente a marca de uma bebida para obter lucro
05 de Março de 2026 as 14h00PF mira prefeito de Sorriso e faz buscas por supostos crimes eleitorais
São cumpridas medidas cautelares e 23 foram indiciados, sendo 21 por suspeita de caixa 2
05 de Março de 2026 as 13h42