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Depoimento

Envolvida no caso do idoso morto em banco diz que dinheiro seria para reforma

Érika de souza reforçou que Paulo Roberto Braga estava consciente antes de sair de casa

Geral | 18 de Abril de 2024 as 07h 17min
Fonte: O tempo

Foto: Reprodução

Suspeita de levar um parente já morto para sacar um empréstimo em um banco, Érika de Souza Vieira Nunes, 43, afirmou a policiais que o idoso -Paulo Roberto Braga, 68- queria o dinheiro para comprar uma televisão e reformar a casa na qual morava em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Ela foi presa em flagrante nesta terça (16) por suspeita de levar o idoso já morto para sacar R$ 17 mil na agência bancária.

A reportagem teve acesso ao primeiro depoimento de Érika aos investigadores. Nele, ela afirmou que há cerca de uma semana seu tio passou mal dentro de casa e foi levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Bangu, na qual ficou internado por cinco dias com quadro de pneumonia.

A Fundação Saúde, que faz a gestão da UPA, confirmou essa versão. Em nota, a entidade disse que Paulo deu entrada na unidade no dia 8 de abril e, após tratamento, teve alta no dia 15 -ou seja, um dia antes de ser levado ao banco.

Érika disse no depoimento que o idoso ficou sob seus cuidados após ser liberado pelos médicos. Ela afirmou que costuma cuidar dele pois os dois são vizinhos.

Ao receber alta, Paulo teria dito a ela que havia solicitado o empréstimo de R$ 17 mil, que teria sido feito a uma empresa no dia 25 de março.

"O empréstimo não foi realizado pelo banco e sim por uma empresa. Para sacar o dinheiro ele precisava ir até o banco e assinar", disse o delegado Fábio Souza, que investiga o caso. Ele não explicou como exatamente teria funcionado o empréstimo, nem qual a empresa responsável.

O delegado confirmou que Érika e Paulo são parentes, mas afirmou que existe um erro de registro na árvore genealógica da família. Por isso, disse que eles são primos, embora ela o chame de tio.

Érika teria passado em um shopping antes de ir para a agência onde ocorreu o caso, que fica em um calçadão. Lá, teria inicialmente pegado a cadeira de rodas e tentado comprar um celular, além de sacar dinheiro. A polícia ainda apura se essa sequência de fatos aconteceu.

Imagens de câmeras de segurança mostram Érika no estacionamento do Shopping Bangu, onde fica a agência no qual aconteceu o caso. No vídeo, ela desce do carro de aplicativo e coloca o tio na cadeira de rodas com a ajuda do motorista -que ainda não foi ouvido pela polícia.

Ainda em seu depoimento, Érika disse que Paulo "mostrou desejo de retirar o dinheiro [do empréstimo] pois queria comprar uma televisão e realizar uma reforma em sua residência".

Ela disse também que "seu tio antes de sair de casa e dentro da agência estava consciente, embora debilitado" e que no momento de "receber atendimento que percebeu que seu tio parou de responder".

Segundo o depoimento, Érika afirmou ainda que "chamou seu tio, tentando acordá-lo, mas sem sucesso; que ao perceber a situação a gerente do banco chamou o Samu".

O médico do Samu passou a fazer, então, manobras de RCP (Ressucitação Cardiopulmonar). Segundo Érika, seu tio chegou a responder aos estímulos, mas depois parou.

Ela apresentou aos policiais o receituário médico do idoso, além da nota fiscal com a compra de medicamentos.

"No momento em que chegou à delegacia a declarante se encontrava em estado emocional abalado e sob o efeito de medicação de uso controlado. Por isso, estava com seus reflexos desestabilizados e sem controle normal de seus sentidos devido aos efeitos da medicação", afirma o texto do depoimento.

Érika disse ainda que é paciente bariátrica e que possui uma filha de 14 anos, que precisa de cuidados. Sua advogada, Ana Carla Corrêa afirma que confia na inocência da cliente e que Paulo chegou com vida ao banco.

O médico do Samu que fez o atendimento afirmou em seu depoimento que o idoso apresentava marcas roxas características de quem havia morrido havia duas horas -Érika chegou ao shopping às 13h02, a gerente do banco afirma que o atendimento ocorreu por volta das 15h.

"É indiferente se ele morreu dentro ou fora do banco. O fato é que ela, vendo que ele já não respondia estímulos, insistia no empréstimo, segurava a caneta para ele assinar. Isso caracteriza a fraude", disse o delegado.

Peritos legistas irão atestar a causa da morte de Paulo. Érika segue presa e aguarda audiência de custódia.