Mato Grosso
Denúncia de pescarias no Xingu chega ao MP em MT e mobiliza lideranças indígenas
Reportagem em Feliz Natal ouviu sete aldeias; relatos, documentos e novas apurações apontam cobrança por expedições, entrada de não indígenas e falta de consenso no Xingu
Geral | 25 de Março de 2026 as 09h 25min
Fonte: Daniel Trindade - deixaqueeuteconto.com.br

Expedições de pesca com cobrança de dinheiro, atividades de turismo irregular e participação de não indígenas dentro do Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, viraram alvo de denúncia ao Ministério Público após mobilização de lideranças indígenas.
Nesta terça-feira (24), a reportagem esteve em Feliz Natal (MT), onde ouviu lideranças indígenas e caciques de sete aldeias. Todos manifestaram preocupação com a forma como as pescarias e atividades de turismo irregular vêm sendo realizadas dentro do território.
Segundo as lideranças, as atividades ocorrem sem consenso coletivo entre as comunidades e não seguem um modelo de decisão conjunta, o que tem gerado conflitos internos entre os povos indígenas.
A prática ocorre em uma área de usufruto exclusivo dos povos indígenas, o que levanta questionamentos sobre a legalidade das atividades.
O foco das denúncias é a região da Aldeia Morená. De acordo com relatos, documentos, materiais de divulgação e novas apurações da reportagem, expedições são organizadas dentro do território indígena, com definição de datas, formação de grupos e cobrança de valores para participação.
Os valores podem chegar a R$ 4.500 por pessoa. Participantes relatam pagamentos entre R$ 2.500 e R$ 3 mil, além da exigência de envio de documentos pessoais para uma suposta autorização, sem confirmação sobre qual órgão permitiria a atividade.
Entre as atividades divulgadas, lideranças citaram o evento “Elas que Pesca”, anunciado com vagas comercializadas em aldeias da região. Segundo os relatos, a iniciativa teria ocorrido sem autorização formal ou consenso entre as comunidades.
Relatos de participantes também citam o vereador Remy Corrêa (PL), conhecido como “Remy da Farmácia”, como uma das pessoas que atuariam na intermediação das expedições.
A apuração contou também com o acompanhamento do presidente da Associação Mato-grossense de Educação Ambiental (AMEA), Renan Bruscagin, que participou das escutas com os representantes indígenas.
A situação tem provocado tensão e discussões internas entre os povos indígenas, que buscam apoio institucional para regulamentar ou impedir as práticas consideradas irregulares.
Além das pescarias, também foram relatadas outras situações consideradas graves, como a retirada ilegal de madeira dentro de áreas do território indígena.
Diante do cenário, as lideranças foram até o Ministério Público para formalizar a denúncia e solicitar providências das autoridades.
Após a formalização, também se reuniram com autoridades municipais de Feliz Natal, incluindo o prefeito Toni Dubiella (MDB), vereadores e secretários, para cobrar apoio na proteção do território e no encaminhamento das demandas às autoridades competentes.
O caso também tem repercussão ambiental. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis informou que monitora a região e reconhece pressões relacionadas à pesca ilegal e a atividades irregulares na bacia do Rio Xingu.
Segundo o órgão, a exploração de recursos naturais em terras indígenas por não indígenas, sem autorização, pode configurar infração ambiental.
O território indígena do Xingu, de ocupação tradicional dos povos indígenas da região, tem uso exclusivo assegurado pela Constituição, o que levanta questionamentos sobre a legalidade da entrada de não indígenas e da realização de atividades como pesca e turismo na área.
O tema também é discutido na Justiça Federal, onde tramita processo sobre a possível regulamentação de atividades de turismo de pesca dentro do território indígena do Xingu, evidenciando o impasse entre geração de renda e cumprimento das normas legais.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foi procurada para esclarecer a existência de autorização para pesca com não indígenas nas aldeias Morená, Guarujá e Caniné, além de questões sobre fiscalização, impactos às comunidades e atuação de intermediadores citados nas denúncias.
Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
O caso agora está sob análise do Ministério Público e pode ter novos desdobramentos.
O espaço permanece aberto para manifestação de todos os envolvidos.
Notícias dos Poderes
APAMS realiza evento de adoção neste sábado (17) em Sinop
Ação acontece das 9h às 14h, no Recanto dos Pássaros, e busca famílias responsáveis para cães e gatos enquanto a ONG enfrenta superlotação no abrigo
16 de Outubro de 2026 as 13h38Inmet emite alerta amarelo para tempestades em Mato Grosso
16 de Outubro de 2026 as 10h53Detran-MT suspende taxa de licenciamento de veículos roubados ou furtados
Medida vale para ocorrências registradas a partir de 26 de março de 2026. Suspensão é automática após o registro do boletim de ocorrência
16 de Outubro de 2026 as 10h51Justiça determina penhora de fazenda de 'maior desmatador do Pantanal' por dívida com o Banco do Brasil
Fazenda Bom Sucesso possui 5.887 hectares e foi avaliada para fins fiscais em R$ 17,6 milhões; imóvel será submetido a avaliação judicial
16 de Outubro de 2026 as 10h40Correios passa a aceitar gratuitamente descarte de eletrônicos
Serviço está disponível nas agências e pode ser utilizado sem agendamento prévio
16 de Outubro de 2026 as 10h12Inscrições para o Troféu Parlamento terminam em 9 de novembro
Profissionais da imprensa e estudantes de Comunicação têm um mês para participar da segunda edição da premiação
15 de Outubro de 2026 as 17h12Barra do Garças decreta calamidade após rachaduras ameaçarem rodovia na Serra do Roncador
Rachaduras que se estendem por cerca de 100 metros e atingem metade da pista colocaram um trecho da rodovia MT-107, na Serra do Roncador, em Barra do Garças (MT), em situação de risco alto de deslizamento. Diante da possibilidade de agravamento com a c
15 de Outubro de 2026 as 14h50Amado Batista é multado e tem área embargada por desmatamento ilegal em fazenda de MT
Relatório da Polícia Militar Ambiental e da Sema aponta corte raso de 157 hectares em área sensível na Fazenda Esperança, em Cocalinho.
15 de Outubro de 2026 as 14h43