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De vendedor ambulante de joias a negócio de alto quilate

Joalheria de Sinop que completa 20 anos começou como um ‘pano de joias’

Empreendedorismo | 16 de Março de 2022 as 12h 05min
Fonte: Jamerson Miléski

Foto: Divulgação

Quem olha a vitrine reluzente da Ferrero Joias de Sinop, repleta de ouro e pedras preciosas, não imagina que esse negócio de alto quilate começou com uma bicicleta e um “pano de joias” emprestado pela cunhada. No ano em que a joalheria completa 20 anos de existência, o casal Márcio e Valéria Kreibich, fundadores da Ferrero Joias, compartilham com o GC Notícias essa história de empreendedorismo – que reflete exatamente o “sonho sinopense”.

Márcio chegou em Sinop em 1979, junto com a família. A cidade estava no seu começo, e o setor madeireiro foi também o ponto de partida para os Kreibich. Valéria fez uma jornada semelhante. Em 1987, com 11 anos de idade, se mudou com a família para Sinop. O caminho dos dois jovens se cruzou e em 1996 eles se casaram. E quem casa, quer casa.

Márcio seguia com o trabalho na madeireira. Valéria trabalhava em um escritório de contabilidade. Para terminar algumas obras na casa, o casal buscou uma fonte de renda. A cunhada de Márcio tinha um “pano de joias” – como era chamado o mostruário de camurça que alojava anéis, gargantilhas e pulseiras. Valéria resolveu pegar as peças “encalhadas” do pano da cunhada, que estava gestante, e tentar vender.

Isso foi em 1998. No horário do almoço, no final do dia e nos finais de semana, o casal circulava com o pano de joias. Era um “bico” nas horas vagas. O casal ganhava uma porcentagem das vendas. Quando o mostruário da cunhada foi ficando vazio, Márcio decidiu comprar seu próprio pano de joias. Depois disso, não tinha mais volta.

A bicicletinha que Valéria usava para vender logo foi aposentada e trocada por uma moto. E, logo depois, o primeiro carro da frota: a icônica Saveiro Summer Verde. “Era a única da cidade na época. Aonde a gente chegava as pessoas já sabiam que era a mulher das joias”, relembra Valéria.

De Saveiro, Valéria já começava a atender as cidades vizinhas. Dois anos depois, em 2000, Márcio incentivou sua esposa a deixar a estabilidade da carteira assinada no escritório de contabilidade e se dedicar exclusivamente à venda de joias. O “extra” tinha virado principal.

Em 2002 o pano já não bastava. O negócio cresceu tanto que precisava de uma vitrine. A loja na região central era a “joia” do casal. Uma joia forjada com suor. “Durante uma viagem a Curitiba, em visita a algumas relojoarias, uma vendedora, muito simpática, nos presenteou com um livro que continha as principais relojoarias e referências do segmento na época. E foi com base nessas referências, mais especificamente no mercado europeu, que nos inspiramos no nome Ferrero Joias”, relata Márcio.

Márcio e Valéria tiveram sucesso como ambulantes vendedores de joias porque sempre se preocuparam com a qualidade e a diferenciação das peças que levavam aos seus clientes. “Com a loja física, esses padrões tomaram proporções maiores, mais abrangentes”, grifa Márcio.

É possível ver esse perfil arrojado logo no início. No segundo ano da Ferrero Joias (2003), a empresa promoveu um desfile com peças de valor altamente agregado. Uma das joias desse evento custaria, nos dias atuais, mais de R$ 1 milhão. No ano seguinte a joalheria apresentou uma bolsa de ouro.  “Conseguimos imprimir nossa identidade no mercado. Desafios sempre existiram e vão existir, cada um no perfil do momento, mas nós superamos e evoluímos”, frisa Valéria.

Em 2006, a Ferrero Joias mudou de endereço, indo para um prédio com maior capacidade de expansão. Em 2012, quando completou dez anos de fundação, a empresa deu de presente a Sinop um relógio, colocado na frente da loja, um marco que tem integrado a rotina das pessoas que circulam pela Avenida Júlio Campos.

O atual prédio passou por três expansões, a mais recente em 2018. Modificações para atender as demandas de crescimento da loja. Todo espaço foi projetado para gerar mais conforto, agilidade e segurança aos seus clientes, com destaque para o estacionamento próprio. Na última ampliação a loja ganhou obras da artista Mari Bueno.

Hoje a Ferrero Joias é revendedora exclusiva em Sinop da linha Swarovski e Empório Armani – grifes mundialmente famosas. O vasto portfólio da empresa inclui ainda marcas como a suíça Victorinox, Tom Ford, Tiffany & CO, Fendi, Bulova entre outras.  “Temos orgulho em representar marcas como a Swarovski. São pouquíssimas as lojas de rua que vendem a linha mais sofisticada deles. É preciso muita confiança e nós conquistamos por meio de um trabalho de excelência. Quando fazemos uma leitura das trajetórias de sucesso, percebemos que vários são os pontos em comum. Em todas elas existiram momentos em que se pensou em desistir diante das dificuldades, mas houve perseverança, esforço, dedicação, um diferencial. Os resultados positivos não aparecem da noite para o dia, em um ano, é preciso tempo e muito trabalho. É um processo com momentos diferentes, mas o importante é se dedicar e acreditar”, comenta Valéria. 

Para o futuro, a Ferrero mira o mercado digital, a expansão do modelo para outras cidades, inclusive com um projeto de franquiar a marca. “Temos um grande projeto em comemoração aos 20 anos da loja, que será um novo marco na história da Ferrero”, atiça Márcio.

O anúncio será feito pelo casal em breve. Por enquanto eles estão “escondendo o ouro”. A surpresa é mais uma forma de eternizar momentos, como a Ferrero se propõe a fazer.