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Águas de Sinop apresenta estrutura que irá tratar o esgoto

Complexo de R$ 20 milhões será o mais moderno de MT com capacidade para tratar 60 litros por segundo

Como vai ser? | 26 de Outubro de 2016 as 19h 19min
Fonte: Jamerson Miléski

Diego Dal Magro e Júlio Moreira, diretores da Águas de Sinop |

A empresa que detém a concessão dos serviços de água e esgoto no município de Sinop, a Águas de Sinop, abriu as portas da sua estação de tratamento na manhã desta quarta-feira (26). A estrutura, em fase de construção, está localizada no setor norte da cidade, no final da estrada Aura, próxima ao Córrego Curupy, em uma área de 9,6 mil metros quadrados. A partir do final do mês de novembro a estação estará apta a receber o esgoto produzido em 9 mil residências e comércios localizados na parte Norte da cidade – o que representa cerca de 20% do município.

De acordo com o diretor presidente da Águas de Sinop, Júlio Moreira, a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) está entre os mais modernos e eficazes complexos para tratamento de resíduos do país. As estruturas que farão o tratamento são feitas de aço inox, material de longa durabilidade e resistente aos gases presentes no esgoto. Os rejeitos produzidos em Sinop passarão por dois diferentes métodos de tratamento e todo o sistema será automatizado, com computadores gerenciando a atividade da estação. “Não existe em Mato Grosso uma tecnologia para o tratamento de efluentes como a que estamos implantando em Sinop”, pontuou Moreira.

Cerca de R$ 20 milhões serão aplicados na estrutura até o final da obra. A estação absorverá os resíduos líquidos de 30 mil sinopenses. Essa é apenas uma parte do complexo de tratamento de esgoto que será realizado pela empresa. Nos próximos 3 anos a empresa terá que atender 50% do município com o sistema de coleta e tratamento de esgoto. Em 2024, daqui 8 anos, esse percentual deverá chegar a 98%. Para tal, a empresa projeta a construção de uma segunda Estação de Tratamento, localizada na região do Rio Teles Pires. Até o momento a Águas de Sinop investiu R$ 54 milhões no sistema de esgoto da cidade. Até 2024 serão aplicados mais R$ 150 milhões.

A estação de tratamento Curupy entrará em atividade, de forma experimental, na segunda quinzena de novembro. A partir disso a empresa inicia o processo de licenciamento da unidade para plena operação. Paralelo a isso, a Águas de Sinop fará a comunicação dos usuários que serão atendidos pela rede. Nesses bairros a empresa fez a instalação dos terminais da rede de esgoto em frente aos domicílios. Caberá aos moradores fazer a ligação da casa até o sistema, no prazo de 30 dias após a comunicação. A partir disso, a empresa inicia, automaticamente, a cobrança da taxa de esgoto, independentemente da ligação ter sido feita ou não. “Isso é uma forma de estimular o usuário a fazer a ligação e dar a destinação correta ao seu resíduo”, explica o diretor da Águas de Sinop.

Na ligação do domicílio ao terminal será cobrada uma taxa. O valor ainda não foi definido. Após a operação do sistema, os usuários atendidos pela rede passarão a pagar pelo serviço de coleta e tratamento de esgoto. O valor será 100% sobre o valor da tarifa de água. Ou seja, quem consome a taxa mínima de 10 metros cúbicos e atualmente paga R$ 21,20, passará a pagar R$ 42,40 com o esgoto. “Essa é uma política tarifária nacional. Como não existe um dispositivo eficaz para medir a geração de esgoto de cada usuário, a cobrança é lançada com base no consumo de água”, explicou o diretor.

Os primeiros a pagar a taxa de esgoto serão os moradores do residencial popular Daury Riva. O bairro, oriundo de um programa habitacional, possui sistema de esgoto tubulado, que vai para uma pequena estação de tratamento local. A Águas de Sinop passará a fazer a captação desse resíduo, enviando para sua estação.

A cobrança do esgoto começa por uma das regiões mais pobres e adensadas da cidade. A população terá uma razão a mais para ficar de olho no hidrômetro.

 

Como vai funcionar

Quem explica o funcionamento da ETE Curupy é o diretor executivo da Águas de Sinop, Diego Dal Magro.

O esgoto coletado nas residências através dos 96 mil metros de rede previamente instalada, chega até a estação através de bombeamento hidráulico. O resíduos, quase sem pressão, entram na estação em uma grande caixa de concreto armado onde será feita a retirada dos sólidos grosseiros. Grades e telas retém objetos que eventualmente estão dentro da rede – como sacolas plásticas, detritos e outros – deixando passar apenas o líquido. “São coisas que não deveriam estar no esgoto, mas que as vezes as pessoas acabam jogando. O mais comum são sacolas plásticas e lixo, mas já encontramos até dinheiro e um carneiro morto em outros sistemas que a empresa opera”, conta Diego.

Depois de passar por essa peneira, o esgoto passa por uma caixa de areia, que faz a filtragem dos resíduos sólidos menores. Após esse processo, sobra apenas o resíduos líquido. Diego explica que todo o sistema é redundante, com duas estruturas paralelas para cada estágio do tratamento. “Dessa forma, caso um setor tenha problema ou precise de manutenção, a estação continua operando com a estrutura reserva”, completou.

A calda de esgoto sai da caixa de areia por uma tubulação que leva aos reatores “UASB” – uma espécie de grandes tanques de aço inox – onde começa o tratamento. O líquido chega por cima e é espalhado no fundo do tanque com um sistema hidráulico. Cada leva de resíduo fica de 4 a 6 horas dentro do tanque, dando início ao um processo biológico de decomposição através de bactérias do próprio esgoto, que se acumulam no fundo do tanque. Esse tratamento é anaeróbio, sem a presença de oxigênio na decomposição da matéria orgânica. “Os reatores Uasb tem 60% de eficiência no tratamento de esgoto”, comenta Diego.

Na sequencia o esgoto vai para os tanques de tratamento aeróbio. A estrutura é similar aos reatores Uasb, com grandes tanques de inox. A diferença é que no interior estão aspersores (similares aos irrigadores de grama), que fazem a movimentação do esgoto, gerando oxigenação. Nesse processo, as bactérias que fazem a decomposição da matéria orgânica dependem de oxigênio.

Após os tanques, o resíduo vai para um decantador, que separa por gravide os restos de diferentes densidades. Na parte de cima desse grande tonel fica a água, que está limpa e pronta para ser jogada no Córrego Curupy. Na parte de baixo acumula-se uma espécie de lodo.

Esse lodo vai para tanques de secagem, que são grandes formas de concreto revestidos com placas plásticas. O sol faz a evaporação da água deixando o lodo sólido. A Águas de Sinop ainda não definiu o que fará com esse resíduo. Na maioria das cidades que opera, esse resto do tratamento de esgoto vai para aterros sanitários licenciados. Ou seja, vira lixo orgânico. Segundo Diego, existem locais em que o resíduo é empregado na produção de tijolos ou como fertilizante – desde que não sejam em culturas “de contato”, em que o alimento produzido está diretamente em contato com o solo (mandioca, alface, cenoura).

A estrutura da estação conta com um grupo gerador para casos de falhas no fornecimento de energia elétrica. Isso garante o funcionamento contínuo da estrutura. O complexo também possui um laboratório para análises constantes da água que será lançada no córrego Curupy. Uma sala de comando, equipada com computadores, será o centro de operação da unidade que é totalmente automatizada.

Com uma capacidade instalada de 60 litros por segundo, a ETE Curupy tratará 5 milhões de litros de esgoto por dia. Ou seja, 5 mil caixas de água a cada 24 horas de operação.