Violência no campo
Agrex contratou segurança armada para colher milho de dívida
Produtor continua com balas alojadas e multinacional não entrou em contato com a família
Geral | 03 de Julho de 2026 as 18h 20min
Fonte: Jamerson Miléski

Pelo menos duas pessoas contratadas pela Agrex do Brasil estavam armadas durante o cumprimento de uma ordem judicial para arresto da produção de milho que resultou em um embate violento. Na última sexta-feira (26), na Fazenda Rio Ferro, em Feliz Natal, o produtor rural Maikel Alan Tespesal levou dois tiros quando estava em suas terras, dentro da caminhonete com a família. No mesmo ato, o autor dos disparos, Renato Anzilago, foi atropelado por Maikel, fraturando a perna e costelas.
Além dos disparos feitos por Renato, um terceiro tiro foi deflagrado no momento pela vigilante Francineide, também contratada pela Agrex. O GC Notícias entrou em contato com a multinacional para saber o quão rotineiro é o emprego de pessoal armado nas ações de cobrança de dívidas.
Em nota, o escritório Koch Advogados, que representa Renato Anzilago, afirmou que seu cliente, possuía porte legal de arma de fogo. A reportagem questionou se a Agrex tinha conhecimento do porte e de que faria o serviço armado? “o Sr. Renato Anzilago, que foi contratado exclusivamente para a prestação de serviços operacionais de colheita de milho”, respondeu a multinacional através de uma nota.
Embora a ordem de arresto, do processo nº 1000542-25.2026.8.11.0093, estabelecesse reforço policial e houvesse um oficial de Justiça presente no momento da colheita, a Agrex optou ainda por contratar seu próprio serviço de segurança armada. Sobre essa questão, Agrex discorreu mais na nota enviada ao GC Notícias. “A contratação de segurança privada constitui uma medida preventiva adotada em procedimentos específicos de apreensão de bens, nos quais há risco previamente identificado à integridade física das pessoas envolvidas no cumprimento da ordem judicial. Com relação aos fatos noticiados, a empresa informa que contratou uma empresa de segurança privada devidamente autorizada pela Polícia Federal, sem qualquer vínculo com o Sr. Renato”, relatou a multinacional.
Em sua resposta a empresa frisa que “a Agrex esclarece que sua atuação neste caso limitou-se estritamente ao cumprimento de uma ordem judicial válida, proferida no âmbito de um processo regular e executada por meio dos canais legais apropriados” e que lamenta profundamente o ocorrido, reitera seu repúdio a qualquer forma de violência e considerando que os fatos permanecem sob investigação pelas autoridades competentes, a empresa não comentará, neste momento, alegações ou circunstâncias específicas relacionadas ao caso”.
O GC Notícias questionou ainda com que frequência a Agrex utiliza de pessoal armado para cumprir execuções e ordens de arresto. Também perguntamos se Renato Anzilago já havia sido contratado outras vezes pela empresa. Os pontos não foram respondidos.
A reportagem também falou nesta sexta-feira (3), com Thatieli dos Santos, esposa de Maikel, que estava na caminhonete no momento dos disparos, junto com seus dois filhos de 3 e 15 anos. Segundo Thatieli, em nenhum momento depois do ocorrido a Agrex entrou em contato com a família. Maikel está em casa, não corre risco de morte, mas ainda está com as duas balas alojadas: uma no rosto outra no ombro. A recomendação médica é esperar o ferimento desinchar para então proceder com a cirurgia de remoção, visto a complexidade das áreas afetadas. Uma nova cirurgia está marcada para a próxima segunda-feira (6). “O médico disse que a bala está alojada em um local muito perigoso do rosto, então tem que esperar”, explicou Tathieli.
Clique aqui para ler a primeira reportagem sobre o caso.
Nota da Agrex em resposta ao GC Notícias
AGB – 006/26 IR
Devolutiva aos questionamentos do canal GC Notícias feitas no dia 01/07.
A Agrex esclarece que sua atuação neste caso limitou-se estritamente ao cumprimento de uma ordem judicial válida, proferida no âmbito de um processo regular e executada por meio dos canais legais apropriados.
A contratação de segurança privada constitui uma medida preventiva adotada em procedimentos específicos de apreensão de bens, nos quais há risco previamente identificado à integridade física das pessoas envolvidas no cumprimento da ordem judicial.
Com relação aos fatos noticiados, a empresa informa que contratou uma empresa de segurança privada devidamente autorizada pela Polícia Federal, sem qualquer vínculo com o Sr. Renato Anzilago, que foi contratado exclusivamente para a prestação de serviços operacionais de colheita de milho.
A empresa lamenta profundamente o ocorrido, reitera seu repúdio a qualquer forma de violência e considerando que os fatos permanecem sob investigação pelas autoridades competentes, a empresa não comentará, neste momento, alegações ou circunstâncias específicas relacionadas ao caso.
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