Patrimônio de R$ 35,1 bilhões
Quem é o ‘Rei do Ovo’, que entrou para o top 10 bilionários do Brasil e vendia picolé na praia em SC
Engenheiro agrônomo, ele fundou em 2006 a Granja Faria, maior produtora de ovos do país.
Economia | 28 de Agosto de 2026 as 15h 47min
Fonte: g1

Ricardo Castellar de Faria, de 51 anos, é a 10ª pessoa mais rica do Brasil, segundo a lista da Forbes divulgada nesta sexta-feira (28). Conhecido como o "Rei do Ovo", ele é dono da Granja Faria, com sede em Lauro Müller, no Sul de Santa Catarina, e tem um patrimônio estimado em R$ 35,1 bilhões.
Nascido em Niterói (RJ), construiu o próprio império após se mudar para Criciúma (SC), na infância, onde deu os primeiros passos no empreendedorismo: com 8 anos, pilotou um carrinho de picolé na praia do Rincão, nas férias escolares, e passou a vender a sobremesa.
Foi a partir disso, ainda na infância, que decidiu não trabalhar de carteira assinada para ninguém.
"Eu ganhava cerca de um salário mínimo por final de semana. Aí pensei: não preciso trabalhar para ninguém. Vou trabalhar para mim. Não tenho carteira de trabalho até hoje", afirmou à NSC em 2023.
Ricardo estreou na lista em 2024, quando tinha R$ 17,45 bilhões. Em 2025, ele aparecia com R$ 19,6 bilhões e ocupava a 21ª posição.
➡️ Em relação ao ano anterior, o patrimônio do empresário, que também fundou as empresas Insolo e RCF Capital, cresceu 79,08%.
Engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ricardo construiu o império do ovo em Santa Catarina. No estado, também foi presidente da Associação de Avicultura (ACAV).
🥚👑 A granja Granja Faria foi criada em 2006, sendo a maior produtora de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia no Brasil. A companhia emprega 2.700 funcionários em 34 unidades produtoras, fornecendo cerca de 16 milhões de ovos por dia.
Em 2024, Faria adquiriu a americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão e, em 2025, comprou o Grupo Hevo, da Espanha. Em março de 2026, a gestora Warburg Pincus adquiriu uma participação na Global Eggs, elevando o valuation da empresa para US$ 40 bilhões.
Empreendedorismo
Aos 15 anos, Ricardo viajou para fazer intercâmbio na Califórnia, Estados Unidos. Tinha planos de seguir a carreira do pai, ser médico, mas ao encontrar naquela região uma destacada produção de frutas, mudou de ideia.
Em entrevista à NSC, em 2023, ele contou que, ao voltar para o Brasil, decidiu cursar agronomia.
"No final da faculdade, decidi migrar da confecção para a locação. Ao invés de vender uniformes para a indústria, eu locava. Montei minha primeira empresa, que foi a Lavebras, que alugava roupas e lavava", disse.
A empresa avançou no segmento, chegou a 70 unidades e passou a ser disputada por outros players do mercado. Em 2017, ele vendeu o negócio para a empresa francesa Elis.
Como parte dos clientes que atendia era do agro, em 2007 Ricardo Faria decidiu abrir, também, uma granja de ovos férteis em Nova Mutum, no Mato Grosso, para atender a Perdigão. Mais tarde, em 2013, comprou a Avícola Catarinense em Lauro Müller e transferiu a sede jurídica da Granja Faria para o município, onde está até hoje.
Após a venda da Lavebras, Ricardo Faria parou de trabalhar e foi em busca de novas ideias em curso na Universidade de Harvard, nos EUA. Foi quando concluiu que poderia seguir no agronegócio e investir em um setor de “cauda longa”, ou seja venda de várias coisas com baixa procura, ao invés de poucas coisas com alta procura.
A escolha foi ampliar, de forma exponencial e com inovação, o negócio que já tinha e dominava as tecnologias, que é a produção de ovos.
Expandiu a produção de ovos férteis e, principalmente, daqueles destinados ao consumidor final e destina, atualmente, 2 milhões de ovos por dia ao mercado internacional e 14 milhões ao mercado interno.
Para o exterior, vai 1 milhão de ovos férteis, aqueles que em 21 dias vão gerar pintinhos. Os demais são ovos para consumo, in natura, resfriados, salgados ou em pó.
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