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Prejuízos de R$ 473 bilhões

Pirataria bate recorde no país e já corresponde a 4% do PIB

Falsificações causaram prejuízos de R$ 473 bilhões em 2025, mostra levantamento; no agro, indústria de defensivos está entre as mais prejudicadas

Economia | 19 de Agosto de 2026 as 09h 38min
Fonte: Globo Rural

Foto: Ministério da Agricultura

A pirataria causou prejuízos de R$ 473 bilhões à economia brasileira em 2025, segundo levantamento do Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP). As perdas cresceram 64% no intervalo de apenas cinco anos, e o montante do ano passado correspondeu a 4% do produto interno bruto (PIB) do país.

De acordo com o levantamento, as indústrias de vestuário e bebida foram as que mais tiveram perdas em 2025, com prejuízos de R$ 87 bilhões e R$ 83 bilhões, respectivamente. Depois, ficaram, pela ordem, combustíveis (R$ 29 bilhões) e perfumaria e cosméticos (R$ 21 bilhões).

O agro brasileiro também tem tido perdas bilionárias com pirataria e falsificação. No setor, a indústria mais prejudicada é a de defensivos agrícolas, que, segundo o levantamento do FNCP, teve perdas de R$ 21 bilhões no ano passado, o que colocou o segmento entre os cinco mais afetados pela ação de falsificadores.

O FNCP realiza o levantamento desde 2014. Para elaborar o relatório, o Fórum trabalha com estatísticas que recebe de associações e empresas de diferentes setores.

“O impacto do comércio ilegal traz prejuízos às empresas formais de praticamente todas as áreas do país, que sofrem com perda de competitividade e aperto nas margens de preço”, afirma Edson Vismona, presidente do FNCP.

Segundo ele, a ação de falsificadores não prejudica somente as empresas, mas também a arrecadação dos governos.

“Em 2025, quase R$ 147 bilhões deixaram de entrar nos cofres públicos por causa dessas atividades”.
— Edson Vismona, presidente do FNCP
 
Segundo Vismona, o prejuízo crescente com falsificadores é também uma evidência do fortalecimento de grupos criminosos no país. “Essas facções atuam de forma estruturada e sofisticada, com atividades de alto giro e capilaridade. As vendas ilegais são, também, [um instrumento de] demarcação de território”, diz.
 
Para o presidente do FNCP, na lista de grandes dificuldades para o combate ao mercado ilegal estão a fragmentação dos órgãos de fiscalização, a grande extensão das fronteiras do Brasil, as novas formas de pirataria e as lacunas regulatórias. Ele acredita que uma resposta eficaz exige atuação conjunta de governo, empresas, judiciário e sociedade, combinando fiscalização, atualização regulatória, tecnologia e renovação.

Piratas digitais

O advogado criminalista Nicolau Cavalcante, mestre em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (USP) chama a atenção para a transformação digital nas vendas ilegais. “A tecnologia acabou abrindo novos caminhos para esse tipo de comércio. Produtos falsificados podem ser anunciados em plataformas digitais e redes sociais, incluindo produtos protegidos por direitos autorais”, afirma.

Assim, observa ele, o desafio da fiscalização passou a envolver não apenas estradas, fronteiras, portos e centros de distribuição, mas também marketplaces, redes sociais e serviços digitais. “Não [basta] apenas fiscalizar o ponto final da venda”, afirma Cavalcante, “mas envolver setores público e privado, com atualização célere das leis e treinamento de pessoal nas atividades aduaneiras”.

Um dos grandes problemas é que novas formas de pirataria e falsificações surgem a todo momento, diz o especialista. Assim, reconhece ele, fica mais difícil atualizar as legislações com a velocidade necessária.

Mas existem avanços. Recentemente, a Receita Federal estabeleceu uma norma que permite aos fiscais apreender e reter mercadorias suspeitas de pirataria sem depender de uma decisão judicial, o que agiliza o trabalho de combate aos falsificadores.

Outro avanço, opina o advogado, é o aumento da conscientização da população sobre os danos coletivos causados por compras individuais no comércio paralelo. “O consumidor pensa na economia que está fazendo no momento, mas raramente tem conhecimento sobre o impacto que a falta de arrecadação de impostos terá na sociedade. Isso sem falar no empoderamento das facções criminosas”, diz Cavalcante.


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