Análises dos especialistas
O BYD Dolphin híbrido vai baratear os carros usados no Brasil?
Entenda como o lançamento do plug in mais acessível do País pode frear a alta do mercado de usados e mexer no bolso do consumidor
Economia | 04 de Agosto de 2026 as 10h 10min
Fonte: João Vitor Ferreira - Terra

O simples anúncio do BYD Dolphin híbrido para o Brasil fez a internet se encher de dúvidas. Alguns acreditam que o carro híbrido plug in mais barato do País poderá, sozinho, desvalorizar os usados e seminovos, segurando uma onda de aumentos consecutivos.
A preocupação surge em um momento de forte expansão desse mercado. Desde a pandemia, os preços dos usados vêm aumentando no Brasil, acompanhando o crescimento da demanda.
Segundo o IBV Auto, índice do banco BV que acompanha mensalmente a evolução dos preços dos veículos leves usados no País, desde janeiro de 2020, até novembro de 2025, os usados acumularam alta de 80,5%. Já no primeiro semestre de 2026, o setor teve incremento de 3,49%.
É nesse cenário que o Dolphin G, versão híbrida do hatch da BYD, chegará ao mercado brasileiro. A promessa é que o modelo desembarque no país custando na casa dos R$ 130.000, oferecendo toda a tecnologia já conhecida da linha Dolphin, além de uma autonomia combinada superior a 1.000 km.
Mas será que, mesmo com essas características e um preço competitivo, o Dolphin G poderá frear a alta dos usados? Para responder à pergunta, o Jornal do Carro ouviu especialistas que têm avaliações diferentes sobre os possíveis impactos do lançamento.
Para Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, o Dolphin G tem potencial para mexer no mercado de seminovos.
"Entendo que o carro pode causar incômodo, sim. Ele reúne elementos aos quais o brasileiro já está mais habituado, como o motor a combustão, segurança e autonomia, além de reduzir alguns dos fatores que ainda geram desconfiança em relação aos elétricos puros, como a autonomia limitada e a necessidade de um ponto de recarga."
"Entretanto, na casa dos R$ 150 mil, entendo que ficará um pouco deslocado. Por um pouco mais já é possível encontrar outros concorrentes maiores e que igualmente trazem o mesmo conceito", explica Milad. "Quanto mais baixo o preço, maior o incômodo e maior a mexida no mercado de seminovos", completa.
Efeito do Dolphin G poderá ser mais limitado
Por outro lado, Enilson Sales, presidente da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) e membro do conselho deliberativo da Fenauto, tem uma visão mais cautelosa. Para ele, um único modelo não será capaz de provocar mudanças tão significativas.
"Não vai haver uma mudança significativa no mercado de usados. Alguma coisa pode mudar, mas nada tão expressivo", afirma.
Para Sales, é mais provável que o Dolphin G tenha um efeito maior sobre o mercado de veículos zero-quilômetro do que sobre o de usados e seminovos.
"O tamanho do mercado de usados é tão grande que ele não será afetado por um único modelo. A não ser que a grande maioria dos veículos zero-quilômetro tenha seus preços reduzidos. Mas, se não for assim, um único modelo seguramente não vai baixar os preços dos usados", afirma.
O que esperar dos usados no segundo semestre?
Enquanto o Dolphin G não chega, a tendência é que os preços dos usados continuem subindo no segundo semestre, porém em um ritmo mais lento.
"O mercado de usados continua em trajetória de valorização, mas em ritmo menos intenso. A leve desaceleração da taxa acumulada em 12 meses sugere que os preços permanecem pressionados, embora já com sinais de acomodação na margem", explica Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV.
A justificativa para esses aumentos é a alta demanda do mercado de usados, que deve crescer entre 9% e 10% em 2026, segundo Enilson Sales. Apesar da forte procura, o presidente da Anef também avalia que o segundo semestre deve apresentar um ritmo mais moderado.
"Imaginamos que os preços dos usados não subirão tanto no segundo semestre. Mas seguramente manterão o ritmo observado atualmente, justamente por causa da demanda."
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