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Avanço da IA

IA pode desacelerar crescimento de 10 profissões até 2034

Estudo da empresa de inteligência artificial Anthropic analisa impacto da tecnologia no mercado de trabalho e aponta áreas com maior exposição à automação

Economia | 14 de Março de 2026 as 09h 00min
Fonte: O Globo

Foto: Divulgação

A inteligência artificial (IA) é uma ferramenta que veio para ficar. No entanto, sua chegada ao mercado de trabalho levanta mais perguntas do que respostas. A redefinição de funções, a redução de custos dentro das empresas e o receio de que funcionários sejam substituídos por essa tecnologia estão entre as principais questões associadas ao tema.

Nesse contexto, a Anthropic, empresa de IA e criadora do modelo Claude, publicou um relatório sobre o impacto da IA em diferentes áreas e profissões. “Nosso objetivo é estabelecer uma abordagem para mensurar como a IA está afetando o emprego e revisar essas análises periodicamente”, afirma a pesquisa.

Entre as principais conclusões, a Anthropic destaca que a IA “está longe de atingir sua capacidade teórica”, o que significa que, na prática, ela cobre apenas uma pequena parte do que poderia potencialmente fazer. Ainda assim, as ocupações com maior exposição observada à IA devem apresentar crescimento mais lento até 2034, de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS).

Por “exposição observada”, a Anthropic se refere a uma medida do risco de deslocamento provocado pela IA, que combina as capacidades teóricas de grandes modelos de linguagem com dados concretos do mundo real.

Profissões mais expostas

Segundo o estudo, dez profissões apresentam altos níveis de exposição ao avanço da IA: programadores (74,5%), representantes de atendimento ao cliente (70,1%), analistas de dados (67,1%), especialistas em registros médicos (66,7%), analistas de mercado e especialistas em marketing (64,8%), representantes de vendas (62,8%), analistas financeiros (57,2%), analistas de software e garantia de qualidade (51,9%), analistas de segurança da informação (48,6%) e especialistas em suporte técnico ao usuário (46,8%).

Em termos gerais, trata-se de funções nas quais a IA tem maior potencial para automatizar tarefas repetitivas e, dessa forma, otimizar o tempo de trabalho.

“Usando dados de pesquisas nos EUA, não encontramos impacto nas taxas de desemprego para trabalhadores nas ocupações mais expostas, embora haja evidências preliminares de que a contratação nessas profissões tenha diminuído ligeiramente entre trabalhadores de 22 a 25 anos”, detalha o relatório.

Diferença em relação a choques econômicos

Nesse sentido, o documento afirma que o impacto da IA no emprego pode ser “menos parecido” com o observado durante a pandemia de COVID-19 e mais semelhante ao provocado pela disseminação da internet ou pela expansão do comércio com a China.

Por outro lado, a Anthropic exclui de sua lista empregos que exigem necessariamente presença física, como cozinheiros, mecânicos de motocicletas, salva-vidas, bartenders, lavadores de pratos e atendentes de vestiário. O relatório também menciona tarefas agrícolas, como poda de árvores, e atividades jurídicas específicas, como representar clientes em juízo.

“Nosso trabalho é um primeiro passo para catalogar o impacto da IA no mercado de trabalho. Uma abordagem consolidada pode ajudar observadores no futuro a distinguir o sinal do ruído”, conclui o relatório.