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Energia elétrica; Estado enfrenta gargalos na transmissão e distribuição
Economia | 31 de Agosto de 2026 as 09h 42min
Fonte: Gazeta Digital

Mato Grosso terá energia suficiente para sustentar o avanço da industrialização, o crescimento da produção agropecuária e a expansão demográfica nas próximas décadas? Para especialistas e representantes dos setores produtivos ouvidos na 3ª reportagem da série semanal de especiais sobre as eleições que o jornal A Gazeta publica até o pleito em outubro de 2026, a resposta depende menos da capacidade de geração e mais da velocidade com que o Estado conseguirá ampliar e modernizar sua infraestrutura energética.
Atualmente, o território gera o dobro da eletricidade que consome, mas enfrenta gargalos na transmissão e distribuição que ameaçam limitar seu crescimento industrial e agropecuário, além de afetar a demanda residencial no contexto de crescimento populacional. Em 2024 foram gerados 21,8 mil GWh de energia elétrica em Mato Grosso, enquanto o consumo estadual foi de 11,2 mil GWh. Apesar da geração superior à demanda e de uma matriz elétrica predominantemente renovável, diferentes regiões ainda enfrentam limitações para se desenvolver. O principal entrave está na capacidade de transmitir e distribuir a energia.
A preocupação aumenta porque a economia matogrossense avança em ritmo acelerado. Segundo o presidente do Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso (Sindenergia-MT), Carlos Coelho Garcia, a demanda elétrica estadual cresce cerca de 50% acima da média nacional. “O principal desafio do Estado é que a gente consiga desenvolver e expandir a infraestrutura elétrica num ritmo suficiente para atender nossas necessidades de crescimento”, afirma Garcia. Mato Grosso não enfrenta um problema de oferta, ele produz energia e exporta excedentes completa.
Em determinadas regiões, a falta de capacidade da rede pode impedir a instalação ou ampliação de operações produtivas e o surgimento de novas fronteiras agrícolas. Isso ocorre porque os investimentos precisam ser planejados e priorizados e a expansão da rede para pontos do território com grandes dimensões e baixa densidade populacional teria impacto direto sobre as tarifas pagas pelos consumidores.
A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) também identifica o problema. Para a entidade, o desafio é transformar a disponibilidade energética existente em segurança, estabilidade, capilaridade e competitividade para as diferentes regiões e atividades produtivas. A indústria considera essencial ampliar a rede trifásica, modernizar a distribuição e reduzir o custo da energia, além de ampliar a autoprodução e facilitar o acesso ao mercado livre para consumidores industriais de baixa tensão.
Capilaridade de rede - A expansão da transmissão é apontada como uma das principais carências do sistema energético estadual. Novas linhas são necessárias para desafogar a rede e garantir condições para o crescimento de regiões que ainda não estão plenamente atendidas. A Energisa destaca que a transmissão é fundamental para acompanhar o crescimento da demanda, embora esse segmento não esteja dentro de sua área de atuação como distribuidora. A empresa prevê R$ 9,3 bilhões em investimentos nos próximos anos para expansão, modernização e reforço do sistema.
A avaliação é que o planejamento precisa antecipar o desenvolvimento, ou seja, a infraestrutura energética deve chegar antes ou ao mesmo tempo que novos projetos industriais e agropecuários e não apenas depois, com a demanda já instalada. A ordem é considerada essencial pelo presidente do Sindenergia-MT. Garcia defende uma política de organização territorial do desenvolvimento, com a criação e fortalecimento de pólos agroindustriais em locais estratégicos.
A concentração de empreendimentos integrados permitiria direcionar os investimentos de forma mais eficiente. O modelo, segundo ele, pode ser observado em regiões que concentram cadeias produtivas complementares, como Lucas do Rio Verde. Uma indústria de esmagamento de soja, por exemplo, pode fornecer matéria-prima para outras plantas instaladas nas proximidades, formando um cluster industrial.
Uma das principais iniciativas em andamento é o programa MT Trifásico, realizado pelo governo de Mato Grosso em parceria com a Energisa. Ele prevê R$ 1,4 bilhão para ampliar o sistema trifásico e melhorar o fornecimento de energia em áreas rurais, assentamentos, distritos e outros pontos do interior. Para o Sindenergia- MT, a continuidade do programa deve estar entre as prioridades dos próximos governos.
A Fiemt também ressalta que Mato Grosso apresenta inversões de fluxo e necessidade de reforços estruturais, mesmo com geração superior ao consumo. O fenômeno mostra que produzir energia não significa conseguir disponibilizá-la onde e quando ela é necessária.
Por meio da geração distribuída são ofertados 2,8 GW no Estado e com potencial para ultrapassar 3,5 GW em 2030, enquanto a demanda máxima projetada é de 3,2 GW. Ao mesmo tempo, há excedentes de geração solar em determinados horários e aumento da demanda noturna em polos de irrigação. O cenário exige uma rede mais flexível, moderna e preparada para diferentes padrões de produção e consumo.
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