Medida provisória
Congresso aprova fim da 'taxa das blusinhas': como ficam as compras internacionais de até US$ 50?
O governo zerou o imposto de importação em maio por meio de uma medida provisória, que agora passa a valer de forma permanente. Na prática, os produtos tendem a continuar mais baratos para o consumidor. Entenda.
Economia | 04 de Setembro de 2026 as 09h 17min
Fonte: g1

O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (3) a medida provisória (MP) que acabou com a chamada "taxa das blusinhas", aplicada sobre compras internacionais de até US$ 50. A isenção do imposto, que já está em vigor, se tornará permanente após a sanção do presidente Lula (PT).
A MP que zerou a alíquota de importação de 20% sobre esse tipo de compra foi publicada em maio pelo governo e perderia a validade em 8 de setembro caso não fosse aprovada pelo Congresso. Sem o aval de deputados e senadores, o imposto voltaria a ser cobrado.
A isenção tem impacto direto nos preços, afirmam especialistas ouvidos pelo g1. Na prática, a medida beneficia compras internacionais feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
Como ficam as compras?
O especialista em comércio exterior Jackson Campos explica como ficaram os cálculos com o fim da cobrança, em vigor desde maio. Veja o detalhamento abaixo.
Como era a cobrança com a taxa das blusinhas
👗 EXEMPLO: uma compra de US$ 50 passava a custar US$ 60 com o imposto de importação de 20%. Depois, com a cobrança de 17% de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre esse valor, o total chegava a US$ 72,29 — ou R$ 374,53 pela cotação do dólar de segunda-feira (31).
Como ficou com o fim da taxa das blusinhas
👗EXEMPLO: sem o imposto de importação de 20%, uma compra de US$ 50 tem apenas a cobrança do ICMS de 17% (ou de 20%, em alguns estados). Como o imposto estadual é calculado “por dentro”, o total da compra seria de US$ 60,24 — ou cerca de R$ 312.
🔎 O imposto “por dentro” significa que o ICMS já faz parte do preço final da compra. Por isso, nesse caso, os US$ 50 são divididos por 0,83 — e não apenas acrescidos em 17%. É que o imposto também incide sobre ele mesmo. Assim, o total chega a US$ 60,24.
Ou seja, na prática, um mesmo produto pode cair de R$ 374 para R$ 312 sem a taxa das blusinhas.
Impacto para a indústria nacional
O economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, avalia que, embora o fim da “taxa das blusinhas” beneficie os consumidores, a medida tende a prejudicar empresas brasileiras.
Segundo ele, o imposto criado em 2024 funcionava como uma proteção para a indústria nacional, especialmente o setor de moda, ao dificultar a entrada de produtos importados mais baratos e estimular o consumo de itens produzidos no Brasil.
“Do ponto de vista macroeconômico, a medida ajudava a defender empregos nacionais e foi relevante para o país”, afirma.
“Não por acaso, países da União Europeia e os próprios Estados Unidos também passaram a taxar remessas de pequeno valor recentemente, justamente para tentar reduzir essa enxurrada de produtos asiáticos baratos, principalmente eletrônicos, roupas e acessórios”, acrescenta.
Quando o governo publicou a MP, empresas brasileiras criticaram a decisão e classificaram a medida como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque à indústria e ao varejo nacional”. (leia mais abaixo)
Acordo entre os poderes
Depois de ficar perto de perder a validade, a MP da "taxa das blusinhas" foi destravada no Congresso após um acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A pauta tem forte apelo popular e, por isso, é um tema central para Lula, que busca se reeleger para um quarto mandato. Nesse contexto, o governo decidiu revogar uma taxa que ele próprio havia criado e articulou um acordo com o Congresso para aprovar a MP e transformar o fim do imposto em lei.
A criação da chamada "taxa das blusinhas" enfrentou resistência de grande parte dos consumidores brasileiros em 2024. O argumento era que a medida encareceria produtos populares e de baixo valor vendidos por plataformas internacionais de comércio eletrônico.
Do outro lado, empresários do varejo nacional argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio brasileiro.
Relembre a criação da taxa e a arrecadação
Nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com imposto de importação sobre encomendas internacionais, segundo a Receita Federal. O valor representa alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para o período.
➡️ A taxa das blusinhas entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional e sanção pelo presidente Lula. A medida estabeleceu cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 no programa Remessa Conforme.
➡️ Posteriormente, dez estados elevaram o ICMS sobre essas compras de 17% para 20%. Essas mudanças entraram em vigor em 1º de abril de 2025.
➡️ Em maio de 2026, o governo Lula zerou o imposto de importação de 20% por meio de uma medida provisória (MP).
➡️ A mudança passou a valer imediatamente, mas precisava ser aprovada pelo Congresso para continuar valendo de forma permanente.
Após o fim da cobrança, em maio, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) classificou a medida como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”.
Segundo a entidade, o fim da tributação prejudica empresas brasileiras, especialmente micros e pequenas companhias, que "investem e sustentam a arrecadação do país".
"É inadmissível que, enquanto o setor produtivo nacional enfrenta uma das maiores cargas tributárias do mundo, juros elevados, custos operacionais crescentes e um ambiente regulatório extremamente complexo, empresas internacionais continuem recebendo privilégios artificiais para avançar sobre o mercado brasileiro", afirmou a associação.
Na época, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou ser um "retrocesso" e uma decisão que amplia a desigualdade entre empresas nacionais e estrangeiras.
“Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Ajuda para contas públicas
O dinheiro arrecadado pela "taxa das blusinhas" ajudava a equipe econômica a buscar as metas para as contas públicas.
Em 2025, por exemplo, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com esse imposto, novo recorde.
Nos quatro primeiros meses deste ano, avançou para R$ 1,78 bilhão, superando o valor registrado no mesmo período do ano passado.
A alta na arrecadação ajuda o governo a tentar atingir a meta fiscal deste ano, que é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula (PT
Notícias dos Poderes
Alta dos carros usados perde força e tem pior trimestre desde 2025
Índice IBV Auto avançou 0,36% entre julho e setembro, bem abaixo do segundo trimestre; cenário reflete economia mais fraca e maior concorrência entre veículos novos
07 de Outubro de 2026 as 08h43Marinha abre 374 vagas para oficiais temporários com salário acima de R$ 9 mil em todo o Brasil
Seleção da Marinha terá prova objetiva em fevereiro de 2027
07 de Outubro de 2026 as 11h00Os 10 carros usados mais vendidos do Brasil em setembro de 2026
Mercado de automóveis e comerciais leves usados e seminovos teve queda de 1,9% em setembro; Volkswagen Gol lidera ranking
07 de Outubro de 2026 as 13h28Mato Grosso supera 508 mil pequenos negócios e acelera abertura de empresas
07 de Outubro de 2026 as 09h42Grupo Chery terá pelo menos 10 lançamentos no Brasil em 2027; veja quais
Omoda Jaecoo promete ampliar portfólio com pelo menos 7 novidades, enquanto marcas como Lepas e iCaur devem lançar seus primeiros veículos no país
06 de Outubro de 2026 as 13h19Bets começam a sair do ar nesta terça-feira
De 9 a 14 de outubro bancos deverão devolver saldos remanescentes
06 de Outubro de 2026 as 11h50Seis concursos e seletivos abrem inscrições nesta segunda em MT; salários chegam a R$ 23,6 mil
Há oportunidades para níveis fundamental, médio, técnico e superior em Comodoro, Água Boa e Boa Esperança do Norte
06 de Outubro de 2026 as 09h12Emplacamentos passam de 500 mil e batem recorde em setembro
Alta foi de 8,32% em relação a setembro de 2025 e 1,15% sobre agosto
06 de Outubro de 2026 as 10h00