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Tendência

Coca-Cola sem cafeína chega ao país sob apelo do bem-estar

Refrigerante será lançado oficialmente em setembro

Economia | 28 de Agosto de 2026 as 11h 42min
Fonte: Valor Globo

Foto: Reprodução

Enquanto o mercado global de refrigerantes cresce em ritmo moderado e a frequência de consumo do produto recua nas capitais brasileiras, as versões sem açúcar ganham espaço entre os consumidores. É nesse segmento, impulsionado pela tendência de busca por bem-estar e controle de peso, que a Coca-Cola lançará em setembro sua versão Zero Açúcar e Zero Cafeína no mercado brasileiro. Com isso, a companhia pretende elevar a frequência de consumo da marca, sobretudo no período noturno.

A variante estreou na Espanha em 2010 e chega à América Latina 16 anos depois. A Coca-Cola atribui o intervalo à expansão gradual do produto, inicialmente concentrado em mercados europeus, e à mudança dos hábitos da população. Atualmente, a bebida também é vendida no Reino Unido, Países Baixos, Itália, Portugal, Bélgica e Austrália. O mercado espanhol é aquele em que a versão tem maior peso nas vendas locais da marca.

Além do Brasil, Chile e México receberão o refrigerante ainda neste ano. Argentina e Uruguai estão previstos para 2027. O mercado brasileiro já lidera mundialmente as vendas de Coca-Cola Zero e é o quarto maior mercado da Coca-Cola Company.

“Cada vez mais temos uma população brasileira que, até mais do que a média global, se preocupa com os ingredientes e com a quantidade que consome. As necessidades mudam, e o portfólio precisa acompanhar essas mudanças”, afirma a diretora de marketing da marca Coca-Cola no Brasil, Raquel Ribeiro, no cargo desde outubro de 2025.

Estimativas da consultoria OG Analysis mostram que o volume global consumido de refrigerantes passou de 199,6 bilhões de litros, em 2018, para mais de 222 bilhões em 2024, crescimento médio de cerca de 1,8% ao ano.

No Brasil, levantamento do Ministério da Saúde mostra que a parcela dos adultos em capitais que consumem refrigerante ao menos cinco vezes por semana caiu de 30,9%, em 2007, para 14,9%, em 2023. O indicador permaneceu estável nos cinco anos mais recentes da pesquisa. Já as versões sem açúcar estão em crescimento: dados da Scanntech indicam que o volume vendido desses produtos no varejo aumentou 18,8% entre janeiro e agosto de 2025 no Brasil, na comparação anual. A participação no total da categoria aumentou de 17% para 21,4%.

A Coca-Cola começou a planejar a chegada da nova versão ao país no segundo semestre do ano passado. Segundo a empresa, uma pesquisa proprietária realizada localmente indicou intenção elevada de experimentação e baixa rejeição pelos consumidores. Entre os participantes com mais de 30 anos, a cafeína apareceu com maior frequência como um fator considerado na escolha de bebidas, diante da preocupação com possíveis efeitos sobre o sono.

O refrigerante será lançado oficialmente durante a 16ª edição do Rio Gastronomia, evento promovido pelo jornal O Globo entre 17 de setembro e 4 de outubro, no Rio de Janeiro. A distribuição no varejo está prevista para acontecer entre a segunda e a terceira semana do mês, inicialmente em latas de 310 ml ou 350 ml. Embalagens maiores deverão ser acrescentadas em 2027. A orientação é que o preço acompanhe o da Coca-Cola Zero convencional.

“Pelo tamanho da base de consumidores de Coca-Cola Zero no Brasil, imaginamos que a adoção da nova versão ocorra mais rapidamente. A oportunidade está tanto entre quem já consome a opção sem açúcar, mas evita cafeína à noite, quanto entre quem ainda não consome Coca-Cola Zero”, diz Ribeiro.

A campanha publicitária, criada pelo grupo de publicidade WPP, entrará em veiculação em outubro, quando a bebida estiver disponível em uma parcela maior dos estabelecimentos. A executiva explica que a companhia decidiu aguardar o avanço da distribuição para evitar que a publicidade desperte o interesse antes que o consumidor consiga encontrar o produto.

A estratégia de marketing será concentrada em canais digitais, redes sociais, mídia exterior e pontos de venda. As peças associarão a nova versão a jantares, encontros em casa e outros momentos no fim do dia. A Coca-Cola também fará ações com supermercados, bares e restaurantes para incentivar a inclusão no sortimento e nos cardápios.

No segundo trimestre, o volume global de Coca-Cola Zero Açúcar aumentou 16% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida da Coca-Cola Company subiu 7%, para US$ 13,4 bilhões. Na América Latina, a receita somou US$ 1,84 bilhão, alta de 16%, enquanto o volume vendido avançou 6% no Brasil.

A versão sem açúcar e sem cafeína, contudo, não seguirá o novo ‘rebranding’ da companhia, anunciado em julho. A lata será preta e dourada, seguindo um visual já adotado no Reino Unido e nos Países Baixos. Como o produto ainda é desconhecido do público brasileiro, a fabricante espera que a diferença visual ajude a destacar a ausência de cafeína e a identificar a bebida nas gôndolas.