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Artigo

Municípios precisam implementar teste molecular de HPV no SUS

07 de Janeiro de 2026 as 12h 28min

Já passou da hora de os municípios de Mato Grosso se organizarem para ofertar o teste molecular de HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). De forma simples, o exame permite identificar com mais precisão o vírus HPV responsável pelo câncer de colo do útero, muitas vezes antes do surgimento de qualquer sintoma. A necessidade dessa tecnologia não é recente nem opcional. Ela foi estabelecida pela Portaria SECTICS/MS nº 3, publicada pelo Ministério da Saúde em 7 de março de 2024, que entrou em vigor na mesma data e fixou prazo de até 180 dias para a efetiva implementação. Portanto, o debate já não é mais sobre se o exame deve ser ofertado, mas sobre capacidade de gestão para colocá-lo em prática.

A decisão do Ministério da Saúde de incorporar os testes moleculares por PCR para detecção do HPV oncogênico representa um avanço importante para o SUS. No entanto, como ocorre com toda política pública, seu sucesso depende da execução local. É no município que o SUS acontece de fato — e é nesse nível que a gestão precisa funcionar.

Do ponto de vista da saúde, o impacto é direto: o diagnóstico precoce amplia as chances de prevenção e reduz a evolução para casos graves. Municípios que investem nessa etapa reduzem encaminhamentos tardios, evitam tratamentos de alto custo, diminuem internações prolongadas e desafogam a rede especializada.

Sob a ótica da gestão pública, os ganhos são igualmente relevantes. Diagnóstico precoce significa menos gastos futuros com procedimentos de alta complexidade, melhor organização das filas do SUS e uso mais racional dos recursos públicos.

Isso é gestão responsável. Não se trata apenas de oferecer um exame moderno, mas de organizar fluxos, capacitar equipes, estruturar contratos e integrar a atenção básica ao diagnóstico.
Municípios que estruturam corretamente esse serviço conseguem reduzir exames repetidos e tornar o sistema mais eficiente. Cuidar da saúde da mulher, nesse contexto, também é fazer planejamento financeiro e administração eficiente.

O prazo legal para implementação já foi estabelecido e superado. Isso exige dos gestores municipais ações concretas, como organização de fluxos assistenciais, capacitação das equipes da atenção básica, integração com a rede de diagnóstico e estabelecimento de parcerias técnicas. Onde falta planejamento, a política pública não chega à população.

É importante reforçar que o SUS começa no município. Quando a gestão é eficiente, o cidadão sente o resultado na ponta. Quando não há organização, o sistema falha, os diagnósticos atrasam e o custo humano e financeiro aumenta. Fortalecer o SUS passa, necessariamente, por decisões administrativas responsáveis, baseadas em evidências e comprometidas com resultados. É evidente que não se trata mais de inovação, mas de cumprimento de uma política pública já vigente.

Municípios organizados promovem saúde, eficiência e dignidade. O tempo da adaptação já passou. Agora é tempo de execução. Gestão eficiente economiza recursos e salva vidas.

Lidiane Aburad

Lidiane Aburad é advogada e diretora administrativa do CPC Aburad Diagnóstico.