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Brasil, líder agropecuário global

28 de Setembro de 2026 as 09h 20min

Ao final do ciclo agrícola de 2026 o Brasil vai exportar aproximadamente US$ 175 bilhões de produtos agropecuários, tirando a liderança mundial dos Estados Unidos que perdurava por mais de um século.

Em 2025 o Brasil já havia encostado nos EUA com exportações agropecuárias de US$ 169 bilhões, crescimento de 68% nos últimos cinco anos. Os americanos exportaram US$ 171 bilhões no ano passado.

Nos últimos quarenta anos a agropecuária brasileira teve uma ascensão exponencial na produção e exportação de produtos agrícolas como soja, carnes (bovina, frango e suína), café, farelos, açúcar, milho, laranja e celulose.

Vários fatores explicam essa expansão produtiva do Brasil.

A determinação empreendedora dos produtores e empresários rurais brasileiros, extraordinário avanço das pesquisas agropecuárias pública e privada, decisão geoeconômica da administração federal, em 1996, de retirar a cobrança de impostos das exportações agropecuárias, boa oferta de crédito rural pelo governo federal e bancos privados, aumento expressivo da produtividade agrícola e expansão das fronteiras agrícolas em várias regiões do país.

Dois outros fatores relevantes para expansão das exportações agropecuárias brasileiras foram a entrada da China, em dezembro de 2001, na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a guerra comercial iniciada por Donald Trump em 2018, em seu primeiro mandato como presidente dos EUA, contra a economia chinesa.

O Brasil aproveitou muito bem a histórica janela de oportunidade aberta com a decisão geopolítica da administração americana de sobretaxar os produtos industriais chineses

A modernização da economia chinesa e a expansão do capitalismo de estado, ocasionou um gigantesco movimento de populações pobres das áreas rurais para as cidades. Com o aumento de renda, essas famílias passaram a demandar mais alimentos, entre outros produtos que não consumiam quando viviam no campo. O consumo de alimentos explodiu, forçando o governo chinês a importar produtos alimentícios de qualquer lugar do mundo onde fossem produzidos.

Em dezembro de 2001 a China decide entrar para a OMC passando a participar plenamente do comércio mundial e aumentando exponencialmente as importações de produtos agropecuários de todos os países produtores. Principalmente dos dois maiores players mundiais do setor: Estados Unidos e Brasil.

Quando Donald Trump assume, em 2018, seu primeiro mandato como presidente dos EUA, declara verdadeira guerra comercial contra a China aumentando drasticamente as tarifas alfandegárias sobre os produtos chineses exportados para o mercado americano. Em 2025 os EUA voltaram a aumentar para 145% a taxação sobre as importações da China.   

Como retaliação os chineses reduziram, desde 2001, as compras de produtos agropecuários americanos, substituindo soja, milho, carnes, algodão que importavam dos fazendeiros americanos. Passaram a comprar do agro brasileiro para suprir seu gigantesco consumo doméstico. O volume de produtos agrícolas importados do Brasil teve outro salto em 2025 com a nova guerra tarifária de Trump contra a China.

O Brasil aproveitou muito bem a histórica janela de oportunidade aberta com a decisão geopolítica da administração americana de sobretaxar os produtos industriais chineses.

A posição de liderança agropecuária global dificilmente será recuperada pelos Estados Unidos. A produtividade da agropecuária do Brasil cresceu 3% ao ano nas últimas décadas, a americana 2%.

As áreas agrícolas americanas estão consolidadas e o país não tem mais terras disponíveis para expandir a produção. O Brasil ainda possui vasta quantidade de terras para aumentar sua produção agropecuária, pela incorporação de novas áreas ou substituição de terras já cultivadas ou degradadas que podem ser reincorporadas à produção de alimentos.

O rebanho bovino americano está em seu menor nível em setenta anos, e o país precisa importar carne. O Brasil tornou-se o maior produtor e exportador de carne bovina em 2025.

Mesmo sofrendo com gargalos logísticos, déficit de armazenamento e aumentos inesperados de custos por decisões geopolíticas externas, a longa cadeia do setor agropecuário continua a avançar, cresce anualmente a produtividade, expande a produção e aumenta sua participação no comércio mundial. Exportações em alta aumentam a entrada de divisas para o país, geram mais renda e empregos e impulsionam a atividade econômica do país. Fato econômico que os economistas chamam de círculo virtuoso.

Vivaldo Lopes

Artigo

*Vivaldo Lopes, economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em  MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP . E-mail: vivaldo@uol.com