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Amor, as políticas públicas e a Covid-19

15 de Julho de 2021 as 17h 43min

Não existe pobreza maior na vida de qualquer pessoa, mesmo as despossuídas de quaisquer recursos financeiros, de educação, de saúde ou quaisquer outros que seja, que a pobreza pela falta de amor.

O amor nos faz lembrar o quanto que precisamos ser solidários. E quando focarmos nossa atenção na população menos favorecida, principalmente nesta época de pandemia da Covid-19, percebemos o quão importante é ser solidário, pois são as pessoas que mais sofrem e precisam de carinho.

A pandemia nos privou de conviver em sociedade e conviver significa “viver com…”, e muitas pessoas, como consequência dessa situação, hoje se encontram em outro plano espiritual. A Covid destruiu os abraços, e como diz a sabedoria popular: “os abraços foram feitos para expressar o que as palavras deixam a desejar”. Eles são a mais pura expressão de carinho e amor quando saem do nosso coração.

Precisamos amar e pensar nas pessoas de forma verdadeira, mesmo quando elas não se lembrarem ou souberem quem você é. Os desenganos e decepções que temos estão diretamente relacionados à falta ou pouca qualidade de amor que têm sido oferecidas. O amor é a “nobreza de atitudes” em prol do outro.

Essas pessoas vitimadas pela pandemia deixaram lacunas quando seus sonhos e perspectivas se perderam com suas vidas. Será preciso reiterar a necessidade de amar nosso próximo, porque amar nos faz sonhar? Sim, precisamos sonhar com um mundo melhor onde quer que estejamos e com quem estivermos.

Somente o amor nos permite entender o que a flor sussurra ao beija flor. Quando passamos a olhar a natureza com os “olhos e ouvidos do beija flor”, automaticamente passamos a entender e a amar a vida. Isso muda a forma como enxergamos as pessoas e como nos relacionamos com o mundo. Desta forma, nunca mais nos veremos sem entender, porque todas as palavras e ações no mundo não representariam nada se não existisse a frase: “eu te amo”.

No filme Don Juan Demarco há uma passagem muito interessante: “Há apenas quatro questões na vida. O que é sagrado? De que é feita a alma? O que vale a pena ser vivido? E qual o motivo pelo qual vale a pena morrer?”. A resposta é a mesma para todas as questões: apenas o amor. Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.

Importante ressaltar que neste atual cenário de afastamento social, a prática do amor ao próximo pode e deve surgir em novos contextos, como as redes sociais. Não podemos mais tocar nas mãos de ninguém, mas podemos tocar as suas almas com sentimentos elevados, com músicas e orações. Podemos e devemos ressignificar os gestos de carinho em meio à essa pandemia. Nas crises vivenciadas pela humanidade, no fim das contas, a vida renasce e tudo ganha um novo sentido. Nesse contexto, uma faísca de carinho pode gerar uma fogueira de amor.

O carinho salva. E nada que fizermos em vida terá sentido se não tocarmos o coração das pessoas. O nosso tempo, a nossa atenção e carinho são os maiores presentes que podemos dar a alguém. Muitas vezes o que importa é demonstrar carinho e mostrar que você se importa, pois precisamos de pouco para sermos felizes.

Na sabedoria popular aprendi que “existem pessoas raras, sentimentos nobres e almas puras. Ainda há sorrisos sinceros, abraços que curam, palavras que cicatrizam. Existe quem ama sem falar em amor. Ah… existe sim!”

Ainda na sabedoria popular uma menina de 5 anos perguntou a seu irmão mais velho: o que é o amor? E ele respondeu: “O amor é quando você, todos os dias rouba o meu pedaço de chocolate, e eu, mesmo assim, continuo deixando o chocolate no mesmo lugar, todos os dias”.

O amor também é, por exemplo, executar políticas públicas que garantem oportunidades e que possam promover sonhos e esperança para aqueles que as perderam. A política pode e deve ser um exercício de amor, mas muitos não a percebem nesse contexto talvez por ignorar o significado primordial do que venha a ser amor.

O que remeteu à Cora Coralina “O saber a gente aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”. E, se o amor bater à sua porta, que sorte a nossa!

 

*Eduardo Chiletto, arquiteto e urbanista, presidente da Academia de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (AAU-MT)

Eduardo Chiletto

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